terça-feira, 3 de junho de 2014

Cem Poemetos de Solidão: Poemeto XLIV

XLIV

Minha carta registrada para Macondo não pode ser devolvida pra esse remetente inventor que a postou, senhor dono dos Correios. Se ela voltou é porque o senhor não acreditou no meu gênio criador. Não leu as regras escondidas nas entrelinhas da postagem criativa: não se pode devolver à realidade ágrafa uma escrita imaginária. O envio de uma carta inventada por um louco remetente deve ser retribuída com o extravio de lucidez do carteiro competente: Macondo existe na realidade fantástica do escritor e nos pactos ficcionais do leitor. Aceitar a devolução da carta significa transformar Macondo em nada, anular o mundo todo que imaginei. Não pode me devolver sem nenhuma leitura toda a loucura escrita que lhe confiei. Por favor, senhor dono dos Correios, não destrua minha Macondo sem visitá-la em sonhos ao menos uma vez.


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