domingo, 5 de janeiro de 2014

Retrospectiva 2013: Quando o tempo se dividiu entre antes e depois do CD da banda Motocircus

Janeiro é mês de férias e também de retrospectiva do ano anterior. Hoje lembro-me da primeira vez que ouvi o mais-que-fodástico CD “Réquiem for the rockets”, da banda de blues rock Motocircus, de São José do Rio Preto/SP (deixo aqui alguns links pra que também conheçam essa fodástica banda – a página deles no facebook: https://www.facebook.com/pages/MOTOCIRCUS/280892265261552?fref=ts e no site “Toque no Brasil”: http://tnb.art.br/rede/motocircus ): já passava do meio do mês de agosto de 2013, quando comprei essa preciosidade musical das mãos do baixista da banda (e também fodástico cartunista e desenhista) Alex Sander, durante a abertura da 40.ª Edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba/SP – eu tinha sido classificado no concurso nacional de microcontos da cidade e aproveitei pra conhecer o mais famoso e tradicional evento de lá; adquiri o CD citado, algumas revistas em quadrinhos fodásticas de Alex Sander (que me inspiraram a criar novos poemas, já publicados aqui no blog, em postagens do ano passado) e de outros desenhistas e cartunistas e colecionei diversas caricaturas minhas feitas por expositores do Salão e voltei para Teresópolis/RJ, com a alma radiante e lotado de trabalho, pois precisava compensar na escola os dias que viajei.
Consequentemente, devido a alta carga de trabalho, fiquei com o CD da banda Motocircus por alguns dias em estado de inércia, sem ao menos tirá-lo da mochila. Numa tarde nublada (uma das poucas tardes na qual não trabalhei e dei folga pra mim mesmo nas correções de atividades em casa), após uma manhã cansativa (daquelas que parecem que nada deu certo), resolvi finalmente retirar o CD “Réquiem for the rockets” da mochila e ouvi-lo: putz! um blues rock potente invadiu o quarto, a tarde nublada parecia aos poucos permitir a aparição do raro sol e todas as dores de um dia ruim pareciam passar num piscar de sons. Yeah, vontade de pular, agitar, apagar os momentos ruins e me renovar. Ouvi o CD três vezes seguidas bem alto, para delírio ou horror (para os admiradores de outros estilos, boa música pode ser um pesadelo rs) dos vizinhos.
Com o tempo, além de Alex Sander, que conheci pessoalmente, fiz amizade virtual, através do facebook, com outro fodástico músico da banda, Kaio Páttero (voz, guitarra e violão), e lhe prometi, antes do fim de 2013, uma resenha sobre o mais-que-fodástico CD “Réquiem for the rockets” (quem acompanha esse blog, sabe que o que tudo que admiro e que me contagia vira conteúdo essencial de releitura ou homenagem lírica produzida pelo blogueiro-professor-poeta-pateta que vos escreve). Devido à intensidade de eventos artísticos e trabalhos como professor, o texto que prometi a Kaio Páttero ficou tocando em minha cabeça, mas só no finzinho de dezembro consegui parar para escrevê-lo e assim cumprir minha promessa em parte, pois, depois de muito tempo com o texto dançando em minha cabeça, a tal resenha virou um gênero textual híbrido, misto de resenha, prosa poética, conto e crônica (quem acompanha esse blog, também sabe que este artista louco que vos escreve, fã-nático por Kafka, rockpoema e Dom Quixote, adora misturar gêneros textuais).
O resultado está aí embaixo, junto com alguns vídeos da banda Motocircus, pra ler, ouvir, pular, sonhar e liricamente enlouquecer, amigos leitores!



No tempo de um “Requiem for the rockets”


Você chegou cansada em casa, baby, a casa está tão bagunçada quanto você. Há algo nublado demais no tempo, talvez aquela nuvem negra no céu seja algum sonho seu que se perdeu na juventude. Seu corpo cai preguiçosamente sobre a cama, há pouca vida em seus movimentos. Suas mãos rastejam sobre a pilha de CDs, próximas a sua cama; você procura algo que não encontra há tempos. Um dos CDs se destaca em sua procura, você o retira da pilha: “Requiem for the rockets”, da banda Motocircus. Na capa, diversas caveiras sob uma névoa de notas musicais – uma daquelas caveiras podia ser você, baby, talvez elas também estejam fugindo da falência da vida como você. Num esforço descomunal contra o corpo encharcado de preguiça e rotina, você se levanta, coloca o CD no aparelho, liga o som no volume máximo e, antes que retorne pra cama, um fodástico blues rock atira-se contra sua inércia, baby: “Listen to the sound now baby / Scream and drive me crazy / And stand up stand up” E você grita e você fica louca e o céu lá fora perde aquela nuvem negra e o sol retorna com brilhos de guitarra e, a cada faixa, você voa cada vez mais alto pelo rock’n roll, baby! Shakalaka Boom e Lord Jim abre as portas de sua percepção, beija sua face e lhe diz: você está viva, você nunca esteve tão viva, baby!  Sua querida mãe, outrora tão distante, seu coração exposto, as noites passadas em shows de rock, todas as sensações que você pensava estarem esquecidas dançam do seu lado, baby, você nasceu pra se mover, pra pular, pra viver, no ritmo do “Requiem for the rockets”, que você agora ouve sem parar, pela continuidade da liberdade e de algo mais que jamais se acabará. Não, baby, o sonho jamais acabou; basta manter-se de pé e colocar o CD da banda Motorcircus pra tocar mais uma vez.







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