sábado, 30 de novembro de 2013

Solidões Dançarinas Compartilhadas: O Cisne Negro de Larissa Sampaio

Há talentos que despontam cedo e, desde o início, brilham imensamente. Esse é o caso da poetaluna teresopolitana, atualmente no sexto ano da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, Larissa Sampaio, com quem tenho a honra de, pela primeira vez, compartilhar as solidões poéticas deste blog.
Aproveitando a aula de produção poética com a temática “Bichos”, inspirada na coletânea de poemas “Arca de Noé”, de Vinicius de Moraes, Larissa Sampaio produziu “Cisne Negro”, um dos poemas, vindos de uma escritora tão jovem, mais fodásticos que já li nos últimos tempos.

O poema de Larissa Sampaio, em versos breves, traz a medida perfeita de ternura, ritmo, simplicidade e meiga melancolia e fala da relação do eu lírico com um belo amigo bailarino, que, sem aviso, parte e deixa-a sozinha; é daqueles poemas maravilhosos que eu, tão mais velho que a poetaluna, queria ter tido a sensibilidade de ter escrito (como o fodástico feito é de Larissa Sampaio, me restou incentivar os artistalunos do Luz, Câmera... Alcino! – os atores Márcio Ribeiro e Marina Carlos e a declamadora Tamires – a fazerem uma versão em vídeo, um clipoema do incrível poema). Curiosidade: a autora jamais assistiu ao mais-que-fodástico filme “Cisne Negro”; ela apenas escolheu-o por uma inusitada admiração lírica da imagem de um cisne negro.
Acompanhemos os passos líricos de Larissa Sampaio, amigos leitores, e, como os eus líricos da talentosa poetaluna, sintamos falta de nossos cisnes negros que nos faziam dançar e sonhar muitas vezes durante a noite...

Cisne Negro

Cisne Negro adorava dançar,
Era um lindo dançarino.
Às vezes, à noite, dançava comigo,
Um belo amigo,
Um belo bailarino.

Desde já foi dançar
Em outro lugar
E me deixou sem par.

Cisne Negro, que saudade que me dá
De dançar com você... 


Abaixo o clipoema "Cisne Negro", produzido pelo Grupo "Luz, Câmera...Alcino!", inspirado no poema homônimo de Larissa Sampaio:

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Luz, Câmera... Alcino! apresenta "As drogas em minha vida (ou Adeus, Amor)"

Desde o ano passado, graças ao incentivo do Projeto de Educação Contra as Drogas “Fique Esperto”, a E. M. Alcino Francisco da Silva, de Volta do Pião, Teresópolis/RJ, tem participado ativamente de atividades educativas de conscientização dos perigos do uso (principalmente, indevido e/ou excessivo) das drogas entre os jovens.
Nesse ano, não seria diferente: ao sabermos de um Concurso de Vídeos Escolares com o tema “Prevenção das Drogas na Escola”, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) do Ministério da Justiça, reorganizamos o Grupo Luz, Câmera... Alcino! para produzirmos um novo vídeo sobre o tema (nosso curta metragem do ano passado não servia, pois quebrava duas exigências do regulamento: 1. não apresentar cenas de uso de droga [o nosso anterior – já postado aqui no blog – tinha; por sinal, é muito engraçada essa exigência – um vídeo de prevenção ás drogas sem drogas rs] e 2. possuir até 1 minuto de duração – putz, o anterior possuía mais de 10 minutos]). Pra testar nossa capacidade criativa, ainda descobrimos que só faltavam 2 dias para as inscrições serem encerradas!
Pra esse curta metragem, adaptamos o conto “As drogas em minha vida (ou Adeus, Amor)”, inspirado no filme “Diários de Adolescente” e escrito pela artistaluna Isabela Silva Nascimento, quando esta ainda estudava na escola, no nono ano (queridos ex-alunos, nenhum fodástico texto de vocês, seqüestrado comigo, deixará de vir à luz dos olhos dos amigos leitores, prometo!). O enredo do curta, narrado em primeira pessoa, narra a trajetória de um casal, cujo caminho feliz é transformado num inferno quando o rapaz passa a usar drogas, seguindo influências de maus ‘amigos’. As mudanças do rapaz são rapidamente percebidas pela garota, mas a descoberta dela é angustiante, pois o caminho que ele escolhe e mantém é sem volta (vocês não imaginam a correria e as diversas edições que tivemos que realizar pra tudo isso caber em 1 minuto rs).
O curta metragem é protagonizado pelos experientes e múltiplos artistalunos Danilo Oliveira (que já atuara no cilpe de “Perdendo Vida”, dos Uns e Outros, do ano passado, produzido pelo Luz, Câmera... Alcino) e Maiara de Oliveira (que estreou no grupo no ano passado, quando interpretou uma repórter no vídeo “Bullying – O filme”).
Apesar de “As drogas em minha vida (ou Adeus, Amor)” ter sido a primeira produção que fizemos neste ano, o vídeo ficou no anonimato, pois aguardávamos o resultado do concurso do Senad (que, por sinal, não nos enviou nenhuma resposta – descobrimos o resultado através de buscas na internet). Infelizmente não ganhamos o concurso, mas a arte e empenho na produção ficam pra sempre marcados em nós.
Na postagem, trago o fodástico conto que nos inspirou e, mais abaixo, a nossa versão lírica para a obra da inesquecível artistaluna Isabela Silva Nascimento.
O Grupo Luz, Câmera... Alcino! segue firme, amigos leitores, e sempre em prol de um mundo mais consciente, melhor! Arte Sempre!
  
As drogas em minha vida 
(ou Adeus, Amor)
Conto de Isabela Silva Nascimento, adaptado para o curta metragem homônimo, produzido pelo Grupo Luz, Câmera...Alcino!

Eu acho que sempre o amei, mesmo depois dele ter escolhido esse caminho...
   Começou no ensino fundamental, quando ainda éramos namorados; tudo com ele fazia mais sentido, era mais agradável sorrir do lado dele. Sempre saímos, cinema, parques, festas... tudo, tudo era com ele.
Mas isso mudou!
  Eu me lembro dos seus olhos azuis ficando vermelhos, do seu sorriso branco ficando quase bege, com aparência acabada, como se tivesse uma gripe constante...
     Até hoje sinto raiva daqueles que se diziam amigos e o apresentaram às drogas.
   Sempre tentei ajudar, mas, com o tempo, o seu estado foi se agravando. Era como se não tivesse mais vontade própria.
   Me lembro como era difícil bater a porta na sua cara, quando já não era mais ele mesmo, já não era mais o ‘meu amor’.
   Drogas... depois que entram na sua vida, não é preciso conhecer o inferno para viver um!!!


terça-feira, 26 de novembro de 2013

A imensidão do céu de nossa terra (Só os loucos do Luz, Câmera.... Alcino sabem!)

Tem coisas que só os loucos do Luz, Câmera... Alcino!, da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Volta do Pião, distrito de Teresópolis/RJ, sabem: interagir poeticamente com a natureza, através de poemas próprios, e, ao mesmo tempo, no mesmo vídeo, fazer um tributo à banda de rock Charlie Brown Jr. sem perder a harmonia lírica.
O curta metragem do Grupo Luz, Câmera... Alcino!, postado logo abaixo, foi  inspirado pela canção "Só os loucos sabem", da banda Charlie Brown Jr., e por poemas dos poetalunos da E. M. Alcino Francisco da Silva (por enquanto, eles não serão publicados no blog, pois concorrem em concursos literários nacionais – vamos torcer por eles, gente!).  É um tributo a Chorão (in memoriam) e uma homenagem aos sentimentos e às belezas naturais que encontramos em Volta do Pião, distrito de Teresópolis/RJ.

O vídeo contou com o talento das multiartistalunas dos nonos anos A e B (poemas e participações de Danile da Silva, Thayslane Freitas, Neliane, Tainara Fernandes, Wanessa, Carolina Leal, Carina Leal, Luciele, Érica). Participação especial do lendário Fusca Vermelho do Professor Rafael Faraco e dos pássaros, paisagens e ventos da Volta do Pião.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Corpo Passado Pelo Presente A Vapor Na Tábua De Um Futuro Atemporal

Há alguns dias atrás, terminei de ler “Corpo Presente”, primeiro romance do fodástico escritor carioca J. P. Cuenca. A obra, reeditada pela Companhia das Letras, foi originalmente lançada em 2003 e marca o início promissor da carreira de um dos 20 melhores romancistas brasileiros com menos de 40 anos, segundo a revista britânica Granta (fato que, com certeza, vou comprovar me presenteando com a leitura dos demais livros dele; esta primeira obra foi adquirida por mim, durante o Londrix - Festival Literário de Londrina 2013, quando fui lançar meu sétimo livro “Bebendo Beatles e Silêncios” – um dos meus maiores orgulhos daquela noite [e que me mantém aquele sorriso bobo alegre iludido nos lábios] foi ter vendido um de meus exemplares para o próprio Cuenca [ele deve ter achado o livro uma porcaria, mas nada maltrata o sorriso bobo que ficou em mim rs] – e tive a oportunidade de assistir ao mais-que-fodástico debate de J. P. Cuenca sobre sua escrita e a influência dos lugares em sua rotina de “escritor viajante”).
Mesmo com todas as minhas super-ocupações de fim de ano letivo de professor-poeta-pateta, li o “Corpo Presente” em duas noites, hipnotizado pelo estilo de Cuenca. Aviso aos amigos leitores que a obra traz uma leitura fácil, você se surpreende devorando rapidamente as páginas, acompanhando o universo múltiplo de Carmen, Alfredo e do narrador (os três principais personagens do livro), o que não significa que o livro seja fácil [jamais confunda, amigo leitor, o estilo fluido, de leitura ágil, com livro de conteúdo ralo e de fácil absorção]. O “Corpo Presente” nos leva a ambientes e personagens multifacetários, que estranhamente nos são meros desconhecidos, superficiais, e, ao mesmo tempo, nos são tão reconhecidos em nosso cotidiano, tão íntimos de nossos desesperos e seres interiores. A múltipla personagem Carmen, ora mãe, ora esposa, ora puta, é uma espécie de tábua de salvação para um narrador perdido de corpo presente, tão multifacetário quanto a sua criação (ora ele é amigo de Alfredo, ora mero observador, ora é um pseudo-ele mesmo, ora é o próprio Alfredo), reflexo de um ser contemporãneo que passeia entre o físico banal e o onírico perturbador.
A leitura desse livro mexeu mesmo com minha cabeça e os amigos leitores que me acompanham sabem que, quando isso acontece, não sei ser um leitor passivo, sou orgulhoso e aspirante a escritor demais pra deixar a escrita de Cuenca me penetrar, sem exercer o processo contrário e ativo. Minha escrita é vampiresca, preciso ressignificar tudo que leio e amo em uma nova criação, absorvo as influências como se elas fossem as minhas únicas fontes de vida e esperança e, depois, conforme aprendi com o mestre e amigo Drácula (personagem-título da obra do escritor Bram Stocker, que, por sinal, também estou relendo nesse processo de pré-férias, junto com a “Divina Comédia”, de Dante, e as memórias inventadas de Manoel de Barros), após sugar os estilos que admiro, passada – mas não dissipada - a fascinação pela obra, escravizo tudo a meu gosto e ao bel prazer de tornar-me reinventor do que me atrai e realizo minhas releituras subversivas poéticas, tento dialogar com o romance de Cuenca, ao mesmo tempo, que imponho à literatura dele muito de meu próprio modo de escrita, num ato paradoxalmente devoto e profano. Pra embolar mais ainda essa transfusão desfigurativa fascinada literária, ainda misturei ao que ouvi na palestra de Cuenca, à leitura recente da série de poemas "o livro dos espíritos de porco" do fodástico poetamigo Roberto Esteves Siqueira Jr. (do blog "poesia tem nada haver") e a meu retorno à leitura dos Infernos e Purgatórios de Dantes, sem chegar nem perto do Paraíso sonhado pelo eu lírico do poeta.
Foi assim que surgiu o poema abaixo. Recomendo que leiam o romance “Corpo Presente”, de João Paulo Cuenca, antes, pois tem tudo e nada a ver com ele. Espero que gostem. Ao mesmo tempo, quero que se dane – preciso absorver arte pra fazer arte e, assim, evitar o desejo de cortar meus pulsos nessas angustiantes madrugadas apáticas de quase verão meio chuvosas. Parafraseando Renato Russo, encontrei minha lucidez, cortejando insanidades. Esse é o jeito que encontrei de sobreviver um dia a mais...   
Arte Sempre!

Corpo Passado Pelo Presente A Vapor Na Tábua De Um Futuro Atemporal

Estrofe 2001

Atrás daquela placa, antes dos celulares que filmam todo sexo público,
Carmen transou comigo.
Depois daquilo, joguei o preservativo na caixa de correspondência
da casa de algum burguês metido a besta.
Carmen riu de minha traquinagem
e seu sorriso jamais saiu de minha cabeça
(Quando estou triste, procuro a alegria de sua boca em algum lugar
entre minhas sobrancelhas e a ruga que insiste em se aproximar
de meus olhos velhos).

Estrofe 1979

Carmen me amamentava naquela humilde casa
e, mesmo com todo o seu zelo, eu ainda chorava,
acometido pela febre – uma pneumonia quase me levou de Carmen
e talvez tivesse sido melhor assim;
me impediria de ver a Carmen que não mais existe
e nossa humilde casa destruída
para o surgimento de mais um arranha-céu
sem arquitetura
(Também me impediria de ver as nuvens, que Carmen religiosamente admirava,
arranhadas pelo reflexo feio dos espelhos
daqueles estranhos prédios do novo Rio de Janeiro).

Estrofe qualquer número

Estranho masturbar-me no vazio.
Como posso gozar o nada?
Por isso te reinvento, Carmen,
pra que eu possa resistir,
mesmo que a resistência me pareça uma comédia infeliz,
cheia de antes, cheia e sem Dantes...
Como vou chegar ao paraíso, se nem consigo sair desse inferno
de carros parados no tráfego intenso,
gente acomodada no aborrecimento,
cidade sitiada...
(Só mais um pouco, Carmen, e explodo em teu corpo,
te engravido de palavras sem rumo
e aborto essa manhã sem graça).

Estrofe 1998

Encontrei Carmen em um boteco sujo;
era carnaval e eu usava saia bem curta,
um tomara que caia
e uma meia calça arrastão
quase completamente rasgada,
eu era uma autêntica vagabunda,
cheia de pinga e loucura,
enquanto ela trajava um short de jogador,
uma camisa do Vasco
e escondia na solidão da folia
a espera por um namorado que, naquela noite, não viria.
Não sei em que momento a conquistei,
nos beijamos e nenhuma droga inocente
feita com clorofórmio
seria capaz de me entorpecer tanto
quanto os beijos de Carmen.
Saí abraçado com Alfredo, que não havia entrado na história,
mas também usava saia – outra piranha perfeita –
e, comigo, comemorava a promiscuidade carnavalesca.
(Hoje vejo o uniforme surrado de um time quase rebaixado;
será que o Vasco e eu escapamos
de mais uma vergonhosa queda, Carmen flácida
de três filhos e sem nenhum tesão pelo estúpido marido?)

Estrofe 2013

Ah, Carmen é perfeita, completamente descolada,
seu esposo Alfredo tem até seus preconceitos,
mas é incapaz de prender a alma livre e desimpedida
que existe em todas que carregam o nome de Carmen.
Ela transa tudo: ménage a trois, webcam, passeatas,
protesta pela liberdade do mundo,
trancada na rede de sua internet libertária
(Há poucos minutos, descobriu-se flagrada
num vídeo tosco do www.clubedarapaziada.com,
mostrando sua falta de pudor na conexão hackeada
- coroa inteiraça – me sinto um cretino assistindo a tudo isso,
mas vê-la nua e surpreendida me hipnotiza;
o computador trava, mas, dentro de mim, Carmen continua conectada,
e assim sobrevivemos intocáveis
nos abrigos cheios de abismos de nossas casamatas:
Carmen, a safada inatingível e liberada,
e eu, o voyeur bobo e mais canalha
- espermas de tolices procuram ovários impossíveis
no ralo do desapego).

Estrofe 1986

Acreditava em Carmen quando ela dizia que Papai Noel existia;
isso até a escola,
até outra Carmen mais mocinha,
singelamente chamada de Carminha,
muito mais vilã que aquela da Avenida Brasil,
me dizer que o homem do saco de brinquedo nunca existiu.
Cruzeiros (num tempo em que os times que carregavam esse nome
não eram reconhecidos
como campeões brasileiros por antecipação)
e cruzados de direita me comprovaram:
Papai Noel só existia para os ricos de corações pobres.
Carminha realista se sobrepôs à primeira Carmen, sonhadora,
mas aquela segunda era mais linda e muito mais rica
e seguiria sua rotina destrutiva,
sendo minha ilusão mais desiludida
(Sobrou-me a sensação de sempre ser um garoto bobo,
cheio de sonhos tolos,
diante de todas as Carmens de minha vida).

Estrofe XYZ

Conheci Carmen numa festa gay.
Como cheguei lá, não sei;
poeta agnóstico hetero caucasiano
não fanático, mas meio apegado a velhas utopias
- talvez aquela fosse uma tentativa
de me inserir nas minorias,
talvez tentasse entrar na mídia.
O nome de Carmen era Alfredo,
mas Alfredo era palavra censurada,
possuía um corpo deslumbrante,
fenômeno dos avanços da cirurgia plástica no Brasil.
Ela era totalmente desejável,
sua oferta era irrecusável,
mas, mesmo assim, mandei-a pra puta que a pariu
(Hoje sonhos proibidos me despem
de tamanho preconceito
e, completamente extasiado,
peço desculpas para a mãe de Carmen,
mas acordo sempre completamente Alfredo
e qualquer tentação de Carmen é apagada
pelo crucifixo de um machismo satisfeito).

Estrofe virada

Rasguei todas as fotos de Carmen;
não quero vê-la nunca mais;
deve já estar dando pra outro aspirante a escritor,
aquela vaca!
Mas quem pasta sou eu...
Fumo mil cigarros
E, a cada tragada, tento resgatá-la,
mas Carmen é muito carne
pra ser fumaça.
Entre morrer mais apressadamente de câncer
ou viver como um boi manso e ignorante,
escolho a terceira opção:
volto pra Carmen, mas faço ela pastar;
se ela teve muitos caras,
pra mim agora tem muitas caras
- ah, rasgo a carne de Carmen em qualquer lugar!
Mas, após maltratar uma Carmen qualquer,
acendo um cigarro
e tenho a impressão de que a nicotina é incapaz
de sobrepor o cheiro da Carmen ilusória,
a Carmen de outrora,
a única Carmen que me faz respirar...
Ah, essa Carmen mais autêntica,
essa Carmen invenção tão carne
não é fumaça,
mas sempre me escapa;
mesmo amarrada em mim,
ela consegue me fugir
sem sair do lugar...
Pasto mansamente nos campos do desassossego,
carcereiro do inapreensível,
prisioneiro da liberdade infinita
da Carmen que persiste em minha vida desistida,
da Carmen que reside em minha falta de residência,
da Carmen que resiste em minha inexistência,
da Carmen eternamente em meu tempo jamais.

Estrofe Labaredas Divinas do Reino Sagrado de Carmen Cretina

Todo fim de ano, cansado de fantasmas,
prometo te largar, Carmen,
mas só sobrevivo a esse ar rarefeito,
quando me alimento de teu impossível;
me fodo se não te foder mais...
Eu te amo, Carmen,
e ver o brilho de teus olhos vazios
testemunhando os fogos de artifício
- alarmes de mais um ano no qual passaremos
nos fodendo e sendo pelo tempo fudidos -
me faz esquecer de querer te fazer morrer,
me faz esquecer que há tempos eu já me esqueci de viver,
me faz sobre-viver contigo, amém, Carmen, amém...

domingo, 24 de novembro de 2013

O Grupo Luz, Câmera...Alcino! faz arte até quando o mundo cai!

Você, amigo leitor, com certeza, alguma vez, já olhou a sua volta e vendo os sorrisos hipócritas ao redor, sentiu-se completamente deslocado e teve o estranho desejo de sentir prazer em ver todo aquele universo de mesmice e babaquice cair, se explodir! Pois é, em algum momento de nossas vidas, passamos por isso... E é sobre essa sensação que a enérgica canção "Até o mundo cair", da banda de rock alternativo carioca FOLKS (para conhecerem mais da banda, curtam a página deles no facebook: https://www.facebook.com/folksoficial?fref=ts ), fala aos nossos ouvidos, com riffs de guitarras eletrizantes e um vocal revoltado, quase completamente furioso.
Inspirados nessa fodástica canção e nesse sentimento de ira - que, apesar de aparentemente negativo, nos permite que evitemos o mais do mesmo da escrotice natural humana -, os artistalunos do Grupo "Luz, Câmera... Alcino!", da E. M. Alcino Francisco da Silva, dirigidos pelo professor-poeta-pateta que vos fala, criaram o clipe de "Até o mundo cair". 
As gravações foram feitas no ambiente escolar, em uma aula extra que dei ao 8.º Ano B, e o roteiro das cenas foi debatido com os alunos, após ouvirmos as canções diversas vezes. A ideia criada no clipe é contar a trajetória de uma aluna leitora e revoltada, cansada das demais colegas, sempre envolvidas em grupinhos de amizades falsas, diversões tolas e brigas sem propósitos. O enredo mostra como isso acontece no espaço social e o que a protagonista rebelde sonha e deseja para as estúpidas colegas (não são desejos muito nobres esses que a personagem tem, porém refletem aqueles anseios mais nefastos que temos quando estamos diante de pessoas escrotas, principalmente quando estamos na adolescência).  
Atuaram nesse clipe os artistalunos Rayssa Fernandes (que já participara do curta "O muro de Berlim dentro de nós" e  experimentou neste vídeo, com muito talento, o gosto de ser protagonista de um vídeo do nosso grupo), Lorraine Lopes (que também estreara em "O muro de Berlim dentro de nós"), Márcio Ribeiro, Marina Carlos, Maiara Viceli, Jenniffer Rodrigues, Gabriele Santos e José Vitor Martins (os seis últimos estrearam no "Luz, Câmera...Alcino!" neste vídeo!). O clipe faz parte da série "Brasil Musical", projeto iniciado no ano passado e que tem a proposta de trazer a diversidade musical das regiões brasileiras.
Que a arte permaneça intensa e eterna até quando o mundo ameaça cair!



   

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Solidões Compartilhadas: O que Julia Rodrigues quer

Ela veio do 7.º Ano da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ, e quer ser a porta-voz feminina de sua geração. O nome dessa incrível poetaluna é Julia Rodrigues, com quem compartilho minhas solidões poéticas no blog pela primeira vez.
Cuidado, garotos sorridentes metidos a 'pegadores': ela pode liricamente fazê-los chorar!


Nunca é fácil

Amar nunca é fácil,
ainda mais quando a pessoa que amas
é falsa contigo:
diz que te ama,
que sente um amor único por ti,
mas na verdade não ama nada,
apenas por muitas vezes
está com pena de te magoar.
Mas se hoje ela não te magoa,
amanhã com certeza te magoará
sem querer.
Hoje eu choro por ele,
mas amanhã ele que pode chorar por mim...



O que nós, mulheres, queremos

Os garotos querem só ficar
Para que um dia possam dizer
“Aquela ali eu já peguei!”
Eles te fazem de objeto,
Tipo um copo descartável
Que você usa
E depois joga no chão
E pisa.
Nós, mulheres, queríamos
Que os garotos reconhecessem
Os nossos sentimentos
E nos machucassem tanto assim.
Às vezes queremos nos preencher,
Porque vemos nossos amigos namorando,
Mas temos que ser fortes,
Saber esperar
Para ninguém nos machucar.




domingo, 17 de novembro de 2013

Labor demais (ou Labor de mais)

Não foi a primeira vez que isso aconteceu, mas, como em outras cidades (Vassouras, em 2011, que o diga, entre outras) e momentos, doeu de novo.
Voltando de Petrópolis com gotas de raiva acompanhando a dança intensa da chuva. O evento ao qual fui convidado foi cancelado sem aviso prévio; Juliana Guida Maia e eu ficamos com cara de paisagem ouvindo a segurança do local dizer que a querida poeta-organizadora simplesmente "cancelou e não pôde avisar ninguém antecipadamente". Nenhum prêmio, os meus livros, os doces que levei pro tal Café Literário pesando nas mãos, sempre aquela sensação de cara que passou por idiota em mais um trote cultural; Ju e eu retornamos respirando fundo pra não gritar. Pelo menos, Petrópolis é bonitinha. Mas ainda gosto mais da beleza natural da Teresópolis onde trabalho ou dos ares multiculturais de Valença, Londrina e São Luís, onde vivi (e pretendo viver mais) momentos únicos de arte.
Como dizem os artistamigos Madalena Daltro e Guilherme Ferreira, são pedras do caminho que escolhi; é hora de levantar do tombo (cada vez mais rotineiro na estrada cultural) e seguir em frente. E, pra provar a persistência, o blog, como eu, segue em frente, com mais um poema inédito meu, um metapoema (poema que fala sobre o próprio poema) sobre o prazer tortuoso do labor de escrever incessantemente, sem pensar nenhum segundo em parar.
Arte Sempre, meio sofrida, mas ainda Arte, ainda Sempre.

Labor demais (ou Labor de mais)

Há labor demais em fazer nada,
Ficar ali trancado em si mesmo,
Nem aí pro mundo,
Enquanto o universo todo pesa em suas costas.

Há muito trabalho na busca pela palavra exata,
Sair de si fatigado de irrealizáveis desejos,
Dizer tudo em vocábulos mudos,
Enquanto o nada trafega em sua mesa de sonhos às moscas.

Há um suor seco em cada lágrima privada
Neste lírio delírio de desesperado sereno,
Sofrer muito, acordar-se moribundo,
Enquanto o prazer da vida eterna beija o seu rosto em cada estrofe composta.

Há um ordenado inválido nessa labuta forçada
Que você, poeta, aceita com insatisfeito desprezo:
O prêmio de ser lido, receber ais profundos,
Enquanto o verdadeiro sentido adormece cego em seu leito iluminado por luzes foscas...

sábado, 16 de novembro de 2013

Solidões feiticeiras compartilhadas: A última praga de Thayane Ferreira

O Dia das Bruxas já passou há algum tempo, mas os feitiços poéticos delas ainda encantam o blog! Hoje compartilho minhas solidões poéticas pela primeira vez com a jovem e fodástica poetamiga Thayane Ferreira, de Valença/RJ.
Nessa estreia, a talentosa artistamiga, verdadeira maga das palavras, nos traz um eu lírico revoltado, uma bruxa que nos incendeia com ferozes versos contra a nossa hipócrita sociedade, numa Inquisição oposta a que foi praticada na História - as vítimas da fogueira poética de Thayane Ferreira são aqueles que vivem no universo da falsidade e da falta de magia.
Queimemos as trevas coloridas, liderados pela jovem bruxa-poeta Thayane Ferreira, amigos leitores!


Última Praga

Eu venho de Salém.
Querem me queimar viva
Porque eu sou a diferença;
Eu sou uma chama
Crepitante, incandescente
No meio desse oceano burguês.

Nunca me pegarão viva!
Cuidem de seus pecados!
Ratos de vida imunda!
Não me joguem água benta;
Joguem vodka de preferência!
Suas almas queimarão no fogo eterno
Ao meu lado!
Não me procurem nas noites frias,
Procurem e queimem suas próprias promiscuidades!

Não me amarrem a esta fogueira!
Isso pra mim não é nada;
Castigo pior é viver tendo pessoas como vocês ao meu redor.

E por fim rogo:
Que vocês continuem se danando!
Como ambiciosos vorazes,
Se destruam
E sofram com sua própria inquisição.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Sarau Solidões Coletivas Especial no Coletiva Som 2: Quebrando muros e abençoando bruxos e bruxas do underground

Na noite de 09 de novembro de 2013, 24 anos após a Queda do Muro de Berlim, o Sarau Solidões Coletivas realizou um dos seus saraus especiais mais undergrounds, durante o evento "Coletiva Som 2", que aconteceu na Boite Mr. Night, em Valença/RJ. O sarau teve a participação de vários artistamigos, entre eles, o poeta que vos escreve, o poetamigo Wagner Monteiro, o comediante Ronaldo Brechane, as poetas Patrícia Correa, Juliana Guida Maia, Luana Cavalera e Thayane Ferreira (a última não esteve presente fisicamente no evento, mas nos deixou um dos poemas mais fodásticos deste sarau), a musa, escritora e musicista do underground Karina Silva, os músicos Rafael Campos, José Ricardo Maia (por sinal, este foi o sarau de despedida dele, pois está se mudando para Saquarema/RJ nos próximos dias), Jonas, Gabriel Carvalho, Luiz Guilherme, Uli Barros, Davi Barros e o mestre da filosofia punk underground Lucimauro Leite.
Foi bom demais retomar as raízes undergrounds do Sarau Solidões Coletivas (de tempos em tempos, fazemos um sarau mais elétrico como esse pra mesclar com nossas versões mais 'lights' e acústicas). Confesso que o público não foi dos mais satisfatórios: havia poucas pessoas durante nossa apresentação e muito pouco interesse em saraus undergrounds por grande parte do público (que, sendo underground, deveria, na minha opinião, ser menos alienado do que é). Não vou tapar as trevas coloridas com a peneira da hipocrisia - ainda confundimos ser undergrounds com ignorarmos poesia, etc, e enquanto não amadurecermos essa porra, vamos continuar na merda de descrédito que sofremos (sim, a sentença sem poesia é pra todo mundo entender que precisamos nos repensar), sem contar os ditos alternativos que não foram por preferirem serem sombras de concentrações festivas de bailes de medicina e/ou ficarem discutindo os rumos de Engels e Marx em mesas burguesas de bar. Mas, se a falta e certa apatia de público nos feriu um pouco, mantivemos nossa proposta e libertamos todos os nossos bruxos e bruxas do underground. Ou seja, no final, até que foi undergroundmente compensador; com o tema "Quebrando muros e abençoando bruxos e bruxas do underground", demos nosso recado poético e deixamos para os amigos leitores os vídeos do evento. Parafraseando Drummond, nossa arte não é difícil; é o seu ouvido que entortou.
E vamos continuar quebrando os muros, ou pelo menos, continuaremos tentando quebrá-los, amigos leitores! Arte Sempre!











terça-feira, 12 de novembro de 2013

Bebendo Beatles e Silêncios com artistamigos em São Pedro da Serra

No dia 02 de novembro, Dia dos Finados, tive a oportunidade de reviver os ares poéticos que São Pedro da Serra, em Nova Friburgo/RJ, sempre me proporciona quando me reencontro com esse cantinho lírico e louco da serra (tenho sempre a impressão que os ventos de lá tocam "Lucy in the Sky With Diamonds", dos Beatles, em meus ouvidos rs).
A convite do poetamigo Afrânio Pinto, participei do primeiro Sarau da Pousada da Serra e aproveitei o momento para lançar lá meu sétimo livro "Bebendo Beatles e Silêncios - George Harrison e eu num bar de Shangri-La". Também pude rever grandes poetamigos, como o mais-que-fodástico Iverson Carneiro (que eu já conhecia, devido às suas marcantes participações no evento "Identidade Cultural & Movimento Culturista", organizado por Janaína da Cunha, no Rio de Janeiro/RJ), e fazer novas amizades com grandes artistas da música e da palavra, como o jovem poeta Vitor Baptista, com seu estilo fodasticamente rep, o fascinante poeta, ator e declamador Manoel Herculano, a poeta Iva França, com suas interpretações e poemas magistralmente singelos, o formidável músico, intérprete e compositor Aleh Ferreira, entre outros. O evento começou no fim de tarde e rolou até altas horas da noite; fodástico demais!
O primeiro vídeo, postado abaixo, traz um aperitivo das apresentações minhas e as dos artistamigos no evento. O vídeo seguinte, produzido por Afrãnio Pinto, traz outros momentos dessa festa lírica. 
Que este seja o primeiro de muitos saraus na Pousada da Serra (São Pedro da Serra já traz poesia no vento; tornar esse lirismo mais intenso e concreto torna o onírico local ainda mais formidável)! Arte Sempre, amigos leitores, cada vez mais coletiva, única e múltipla!






 



sábado, 9 de novembro de 2013

Luz, Câmera... Alcino! apresenta O muro de Berlim dentro de nós

Hoje faz 24 anos que o muro de Berlim foi derrubado e, observando os muros e grades nas casas, vemos que muito pouca coisa mudou. Os muros ainda existem; apenas mudaram de cor: tons quase transparentes, mil disfarces e hipocrisias tornam quase invisíveis as barreiras criadas pelos seres humanos para os afastarem de seus próximos, para os afastarem de si próprios. Somos seres cheios de muros de Berlim dentro de nós mesmos. E é isso que torna canções datadas, como “Alívio Imediato”, dos Engenheiros do Hawaii, em músicas ainda atuais.
Com o apoio dos professores de Geografia, Tiago e Margareth, trabalhei, no segundo bimestre, com os alunos dos oitavos anos da E. M. Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ, o tema “O muro de Berlim dentro de nós”. Parte dos poemas que os alunos produziram na culminância do projeto em breve estará aqui no blog. Em tempo: alguns desses poemas serão lidos e declamados hoje, no “Sarau Solidões Coletivas Especial: Quebrando Muros e Abençoando Bruxos e Bruxas do Underground”, que rolará dentro do evento “Coletiva Som 2”, na Boite Mr. Night, de 22h às 0h, em Valença/RJ.
Por enquanto, deixo aos amigos leitores o vídeo, o clipoema que produzimos no final do projeto, com a interpretação da letra da canção “Alívio imediato”, do fodástico compositor gaúcho Humberto Gessinger, somada a fragmentos dos poemas e crônicas produzidos pelos poetalunos dos Oitavos Anos A e B.
Esse curta metragem, que marcou o retorno do “Luz, Câmera... Alcino!” (que já existe e resiste há 2 anos!), teve roteiro coletivo (a discussão e filmagem das cenas foram criadas a partir da sugestão de professor e dos artistalunos participantes) e foi dirigido pelo poeta que vos fala. As filmagens foram feitas em contraturnos de aulas e as cenas foram interpretadas pelos artistalunos dos 8.os anos A, B e C e do 9.o Ano A, gentilmente cedidos pelo professor de Educação Física, Genaldo Lial, durante as preparações para os Jogos Estudantis.

Para pensarmos nos muros que ainda não derrubamos dentro de nós. 


Poemas Insones: Suplício de Lazer

Retorno de madrugada ao blog, o meu estar insone longe de salas de stars e estares, a tevê fora do ar, toda minha ironia suplicando versos, me vem o nome da banda de trash metal Supllicio, de Angra dos Reis/RJ, com quem o Sarau Solidões Coletivas, do qual faço parte, dividirá o palco hoje, dia 09/11, às 22h, no evento Coletiva Som 2, no Mr. Night, em Valença/RJ. 
Revejo os significados da palavra suplício: “dura punição corporal, imposta por sentença”; repenso por que odeio tanto o poder da tevê, ah, minha ironia doida pra beijar o meu lirismo. Saiu esse poema inédito satírico, homenagem ao modo underground de questionar padrões sociais convencionais, tributo ao tom crítico de muitas letras autorais e covers tocados pela banda Supllicio, mais uma vez cedo minhas noites em branco ao mais negro humor, estranho prazer, quase um martírio lírico de rir pra não chorar, de construir desconstruindo.
Estou de volta, amigos leitores, com o suplício prazeroso da escrita mordaz!

Suplício de lazer

Ligo a televisão e ela captura minha vista.
Então vem você, musa da programação, rede vida,
A garota de programa mais querida e mais bonita,
E, mesmo morto pela lida de todos os dias,
Revivo em imbecilidade e dou pulos de alegria
Diante de sua beldade, de sua presença descabida.
Na tela de tevê plasma LCD comprada nas Casas Bahia,
Provo o popular LSD, solitário em minha orgia.
Ah. masturbação de imagens pra suportar a dura rotina,
Fazenda, Flash, BBB, a minha miséria nunca foi tão rica,
Pânico pra valer, sempre mais você, meiguice e ousadia,
Todo meu lixo a crescer, já comprei de você mil mercadorias,
Um empréstimo a fazer, mais outra prestação vencida
Pobre até morrer, me enriqueço de ilusões vadias,
Suplício de lazer, pra esquecer toda minha agonia,
Eu como pra viver, eu sofro com prazer, sempre ligado na sua telinha,
Até quando eu sobreviver – ah, bom dia e cia!
Até quando você aparecer – mais uma de minhas muitas musas cretinas!
Até quando durar a tevê – ah, ela me respira!
Até não mais me reconhecer – até breve, até outro dia!

E para o amigo leitor curtir, aí vai alguns vídeos da banda Supllício, que se apresentará no Coletiva Som 2, amanhã, dia 09/11, no Mr. Night, em Valença/RJ 9 o evento começará às 22h e seguirá durante toda a madrugada):