quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Poema Jazz do café que jazia sobre a mesa na qual minha cabeça adormecida despertava para a insônia dos sonhos que jamais sonhei

Um dos momentos mais especiais que guardo pra sempre na lembrança de meu passeio pelo 40.º Salão de Humor de Piracicaba/SP foi ter encontrado o fodástico cartunista Alex Sander, de São José do Rio Preto/SP.
Dono de uma aura inspirada e reluzente como há tempos eu não via, Alex Sander me deu a oportunidade de conversar sobre o universo dos cartuns independentes, do blues rock (ele toca baixo em uma banda fodástica chamada Motocircus – já ouvi tantas vezes o álbum dos caras que meu vizinho já deve ter decorado a melodia rs) e da literatura (principalmente, sobre o universo kafkiano, do qual somos fã-náticos). Consequentemente, tive, também nesse intercâmbio artístico, o privilégio de conhecer um pouco mais da arte mais-que-fodástica de Alex Sander. Levei para casa duas de suas obras: a história em quadrinhos musicalmente impecável “Gibi Jazz” e a “Memórias de um cartunista” (que, em breve, receberá também uma postagem exclusiva). Quem quiser conhecer um pouco mais da arte de Alex Sander, recomendo o blog deste fodástico cartunista, aí vai o link: http://burraxa.blogspot.com.br/
Reservo parte da noite para minhas leituras e, ontem, deixei um pouco de lado as páginas do romance “Por quem os sinos dobram”, obra-prima do escritor estadunidense Ernest Hemingway, para ler as imagens da HQ “Gibi Jazz”. É incrível como essa obra de Alex Sander, recheada de fodásticos desenhos, leva nossos olhos, quase pausados para a escrita (a revista quase não possui linguagem verbal, ou seja, fala mais – e muito eficientemente bem -  com imagens que com palavras), a um show mágico de jazz visual, iniciado por um silêncio kafkiano e soturno do cartunista, entremeado por notas de sonhos, que nos levam para a explosão final de uma trilha sonora de desenhos brilhantes que tocam, dançam e embalam a nossa visão carente de sons. Sim! As páginas do gibi “Gibi Jazz” trazem música pra os olhos! É como se, à medida que folheamos suas páginas, o melhor do jazz tocasse em forma de imagem os toca-discos esquecidos em nossos globos oculares. Dá aquela sensação boa de nostalgia pela canção de jazz jamais ouvida.
Foi inspirado nesse “Gibi Jazz” e nas múltiplas sensações visuais-sonoras-instintivas que a HQ de Alex Sander proporcionou aos meus olhos, que me nasceu a visão do poema abaixo, recém-escrito, tocando jazz com sonhos que não tive, mas que sei que existem.
Pra ler folheando as palavras e tirando sons do nada, amigos leitores!         

Poema Jazz do café que jazia sobre a mesa na qual minha cabeça adormecida despertava para a insônia dos sonhos que jamais sonhei

Foi naquela caneca de café sem o toque dos meus lábios
que me toquei que os sonhos me procuravam
e eu não sabia...

Eu não sabia que delírios viviam no café que não tomei.
Eu não sabia que os sonhos me bebiam
enquanto eu cochilava diante da caneca de café que eu deixei...
Eu não sabia, mas agora sei.

Sei que eu poderia ser um personagem de Kafka
dormindo na face intacta
de um livro que ele não escreveu.
Sei que os sonhos vivem nessas páginas que não li,
nessas palavras que não escrevi,
nesses desejos de outro eu.

Enquanto meu corpo jazzia
entre a escuridão de uma música jamais ouvida
e a clara neblina de outra insônia interrompida,
os sonhos gritavam canções de um jazz desconhecido,
um toque novo de Hermeto Pascoal em meus ouvidos,
lá estou eu percorrendo uma estranha estrada,
rumo ao caminho mais lindo do meu nada!

Enquanto meu corpo jazzia,
minha imaginação cantava o inaudível,
desenhava o indescritível
e o invisível dançava na dose de café que não tomei.
Antes eu não ouvia,
antes eu não cria,
antes agora é só uma fantasia que eu outrora criei.

Antes a partitura adormecia nos olhos que só sabiam ver,
e agora, com os olhos cegos, eu consigo ler
todas as notas silenciosas que nunca enxerguei.
Agora, mesmo dormindo, eu acordei
e toquei, na rotação de um tempo perdido,
o acorde inesquecível de um jazz que jamais toquei.

Agora, assim perdido no completo,
sentindo o longe tão perto,
agora sim eu vivo desperto
nesse oculto descoberto
dentro do saboroso café que não provei.

O vídeo acima traz um dos "Discos Inspirações" do "Gibi Jazz" e foi a trilha sonora que ouvi enquanto elaborava o poema   

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Lembranças das canções ouvidas nas terras de Gonçalves Dias: Na escadaria da vida, acompanhado dos versos de Ana Neres e Assenção Pessoa

Esse é mais um poema que surgiu durante a jornada pelas terras de Gonçalves Dias, no Maranhão. Quando descíamos as escadarias de um mirante, após termos assistido ao espetáculo de imagens da natureza de Guimarães, a poeta Ana Neres me parou e disse-me esses belos versos:
“No meio da escadaria da vida,
pare pelo menos uma vez
e dê uma olhadinha pra trás” (Ana Neres)
Ao ouvir os versos de Ana Neres, Assenção Pessoa se aproximou e complementou:
“Esqueça os amores perdidos
E viva o amor voraz” (Assenção Pessoa)

E esses versos desceram comigo a escadaria e, desde então, dançam em minha memória. Já faz um tempo que deixei as terras de Gonçalves Dias, mas a poesia incontida contida naqueles dias ainda me acompanha a cada degrau da minha vida.   

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Solidões compartilhadas: Laís Rodrigues Martins ensina a técnica poética de sofrer com estilo

Talvez a adolescência seja um receptáculo das dores de amor: é a fase em que desejamos o outro com mais intensidade e, consequentemente, também é o período em que mais nos decepcionamos com o outro e, em troca de nossas paixões febris, recebemos doses e doses de rejeições e frustrações.
Mas, como diria Renato Russo na canção “Metal contra as nuvens”, “Mas tudo passa, tudo passará...” Se as dores de amor são mais intensas na adolescência, a nossa escrita também é. E não há melhor remédio para descarregar dores de amor que a arte escrita; eternizar a dor também significa transferi-la pro papel, cicatrizá-la em nosso corpo e eternizá-la nos olhos de quem às vezes nos ignorava.
Baseado nisso, numa certa tarde em que vi Laís Rodrigues Martins sofrendo por um amores frustrado, aconselhei que ela escrevesse pra aliviar seu jovem coração. O resultado está aí embaixo; hoje compartilho com os amigos leitores o poema da jovem e fodástica poetaluna Laís Rodrigues Martins, do 7.º Ano da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ. Uma obra poética nascida da paixão e da dor, em busca da cura na eternidade da escrita.
Se é pra sofrermos por amores perdidos, amigos leitores, que soframos então com estilo. 

Como poderia dizer?

São suas maluquices que me fazem delirar,
É só ver você que começo a flutuar.
Quando me aproximo de você começo a imaginar
Você e eu – até parece combinar.

Queria uma chance, uma oportunidade,
Mas... como poderia dizer?
O que eu posso fazer?
Adoraria desabafar com você,
Mas sei que seria impossível...

Só eu sei como é chato
Amar sem ser amado...

Nem sei o que falar...
Do nada deu branco.
Gosto muito de você...
Mas você sabe como ser cruel e franco...

Desde que você foi embora,
Minha vida deu mil reviravoltas!

Me abraça de novo, me dá outro beijo!
É tão gostoso ficar perto de você...
Mas... como poderia dizer?
Tudo bem, então vou dizer:
Eu amo você!!!


domingo, 25 de agosto de 2013

Microcontos kafkianos premiados: A metamorfose de Antonio

Tudo começou quando me deparei com uma discussão entre amigos do facebook sobre o valor musical de um funk que versa “Pisa na barata / Pega a galinha / Foge do mosquito” (era algo assim; lamento se errei a complexa letra). Como não tenho nada contra ou a favor da música citada, o que senti mesmo foi pena da coitada da barata que é pisoteada durante toda a canção; me lembrei do personagem Gregor Samsa, de Kafka, metamorfoseado em barata, correndo dos furiosos pisoteadores de baratas. Foi assim que saiu o microconto “A metamorfose de Antonio”. E quem diria: o microconto foi premiado com a publicação na coletânea de classificados do 3.º Concurso de Microcontos de Humor de Piracicaba/SP.
Como não posso dar um livrinho a cada amigo leitor, posto aqui no blog o microconto, premiado com as graças da barata de Kafka:

A metamorfose de Antônio

Viu a barata dançando pela sala e nada fez.
Nunca mais pisaria em uma companheira depois de ler Kafka.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Zoando com I-Juca Pirama: A saga de I-Muleke Piranha

Outro capítulo importante em minha viagem pelos caminhos poéticos de Gonçalves Dias foi ter visto a grande festa popular com a tradicional dança do boi na noite do dia 11 de agosto, em Caxias/MA. Foi um momento de pura alegria, todos dançavam, sorriam, poesia viva! Destaco nesse capítulo da viagem o poetamigo baiano Marcelo Moreira, que dançara empolgadíssimo durante toda a celebração festiva a Gonçalves Dias. O poetamigo comprovara que o povo de Salvador nasce com uma mola no corpo – a música rola e eles se requebram completamente entregues ao ritmo.
Na manhã seguinte, parodiando os versos da maldição do pai em “I-Juca Piranha”, popular poema indianista de Gonçalves Dias, brinquei com Marcelo:
“Dançaste em presença do boi maranhense?
Filho da Bahia não és!”
Marcelo Moreira, todo azul
A partir destes versos, durante o percurso de Caxias para Guimarães/MA, resolvi dar mais substância lírica à brincadeira poética e continuei a paródia que eu iniciara. Dentro do poema-paródia coloquei o termo indígena icrá de brincadeira, pois ele significa filho, logo a expressão usada no primeiro verso significa “filho do filho”, já usada por Gonçalves Dias em seus poemas indianistas. O nome do ‘guerreiro’ de minha saga-paródia é inspirado no nome de um popular funk carioca. Também brinquei com neologismos e rimas pobres - resumindo, esculhambei o pobre coitado do poema I-Juca Pirama original. É propositalmente e simpaticamente tosco, traquinagem poética despida de sarcasmo e contente com a folia de toda a galera festiva que canta, dança e é feliz.
Com e para vocês, “I-Muleke Piranha”, o meu inédito poema-paródia ‘baiacarienense’, para ler declamando, dançando e sorrindo, liricamente feliz:

I-Muleke Piranha
Dedicado ao poetamigo Marcelo Moreira

Filho do Icrá do Pai de Iemanjá,
I-Muleke Piranha seguiu
Os caminhos de Caxias
Com um destino compromisso:
Espalhar sua baianice
Por todo o Maranhão
Até bem próximo do Pará.

Foi fiel escudeiro de Salvador
Durante toda a jornada
Até esbarrar na folia festiva
Do boi dançador de Caxias:
Não aguentou a tentação,
Largou toda a baianada
E dançou como toda gente
Do Maranhão.

O Icrá do Pai de Iemanjá,
Diante da pajelança dançante,
Chamou I-Muleke Piranha
E, ainda descrente da cena,
Deserdou o jovem baiano perdido:
“Dançaste em presença do boi maranhense?
Filho da Bahia não és!”
A festa adormecera por um momento
Em I-Muleke Piranha:
Sentiu-se perdido,
Todo Salvador nele vazio,
Ameaçou-se dar por vencido...

Mas eis que um axé tocou
E I-Muleke Piranha dançou
Como nenhum outro baiano ousou
E todo Salvador lhe retornou!
Triunfal, marejado de suor e amor,
O jovem I-Muleke Piranha descansou,
Como o mais bravo guerreiro da Bahia,
Como o maior dançarino de Salvador!

      

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Lembranças das canções esquecidas de Gonçalves Dias: O sorriso triste de Olimpia

Tudo continuou como um sonho no breve período eterno que fiquei no Maranhão. A festa de lançamento da antologia “Mil Poemas para Gonçalves Dias”, no dia 10 de agosto deste ano, data na qual o poeta faria 190 anos, em São Luís/MA, me reservou novas emoções e surpresas. Vi pessoas de várias idades, de vários Estados, de vários países, um mundo mestiço como Gonçalves Dias, declamando e homenageando o poeta romântico maranhense. A “Canção do exílio” ecoava durante a festividade, ora como samba enredo, ora declamado por todos, como uma oração milagrosa; Gonçalves Dias devia estar sorrindo no céu dos poetas, observando tudo aquilo.
O único acontecimento que deve ter feito o poeta fazer uma careta, no exílio lírico-celeste em que se encontra, foi a palestra do Professor Weberson Grizoste, do Centro de Estudo da Universidade de Coimbra, quando este fodástico estudioso das obras gonçalvinas nos revelou que a visão popular de eterno herói romântico, vitimizado pela impossibilidade de juntar-se à amada, imagem dada a Gonçalves Dias não condizia completamente com os feitos do poeta maranhense. Como todo ser humano, Gonçalves Dias teve seus momentos de anti-herói: se sofreu com a perda de sua amada Ana Amélia, dores maiores e mais intensas o poeta provocou em sua esposa Olímpia, conforme revelavam suas cartas. Olímpia, mulher apaixonada com quem Gonçalves Dias casou por conveniência, sofreu com o desprezo e a infidelidade de Gonçalves Dias. “Deveríamos sim render homenagens e reverências a essa grande mulher chamada Olimpia. Graças a ela, temos as obras completas de Gonçalves Dias. Está na hora de desfazermos a injustiça histórica dada à importância de Olímpia na vida de Gonçalves Dias.” Esse comentário de Weberson Grizoste ficou em minha mente, como uma ordem, uma necessidade. 
Fiquei imaginando Olimpia, apaixonada e desesperada pelas longas e constantes ausências do esposo poeta... imaginei o momento em que ela descobria que seu ausente marido morrera e que jamais responderia suas cartas, suas súplicas, a constante ausência se tornando permanente, irreversível.
Na viagem de São Luís para Caxias/MA, minha imaginação sobressaltava, Olímpia gritava em minha mente e, assim, essa Olímpia imaginada, sofrida, se tornou um novo eu lírico meu e gerou o poema que posto hoje, escrito no ônibus onde fazíamos o percurso na direção da terra natal de Gonçalves Dias. Inicialmente o intitulei “Olimpia”, mas, seguindo as sugestões do poetamigo baiano e companheiro nessa viagem gonçalvina Marcelo Moreira, mudei o nome do poema para “Oh Olimpia”. Logo que terminei o poema no ônibus, entreguei-o para Weberson Grizoste, o pai criativo destes escritos. Tentei cumprir o pedido que o professor fizera na noite anterior: Olímpia agora é um poema gonçalvino nosso, dando adeus ao esquecimento e buscando beijos ausentes na eternidade. Weberson não apenas leu o poema para si; declamou em voz alta minha obra inédita no ônibus (o vídeo contido nesta postagem registra esse momento).
Espero que Olímpia, assim como Gonçalves Dias, esteja sorrindo lá de cima, no exílio-celeste dos poetas e das musas lembradas e esquecidas.

Oh Olimpia

E agora teu silêncio é mais pleno...
Antes a mudez de outrora
que este sereno sem volta...

Sabia, sempre soube
que teus sabiás cantavam
por outras terras,
para outras palmeiras,
mas ainda havia penas de esperança
no ninho vazio
à espera do retorno do brilho
do teu sorriso traiçoeiro...
Antes flertar com teu desprezo
que beijar pra sempre este desespero permanente...

Conhecias o canto
de cada canto do Brasil,
mas nunca ouviste meu pedido mais sutil,
nem meu grito mais violento.
Foste maestro das almas enamoradas,
enquanto eu regia a tua ausência,
imperatriz de tua casa abandonada...
Mas antes a dor suprema que me provocavas
que este retorno interrompido,
este voltar sem chegada.

Quando morreste, amor,
levaste contigo a minha vida,
me amaldiçoaste com teu lindo fantasma.
Antes te esperava, Gonçalves Dias...
Hoje, hoje é pior que o nada!






terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sobre sonhos e sabiás: Poetalunos que brilham nos Mil Poemas Para Gonçalves Dias

Na verdade tudo começou com um sonho antigo: ver os poemas de meus poetalunos novamente publicados em livro (isso acontecera duas vezes, em 2007 - na época eu lecionava na E. M. Nadir Veiga Castanheira e tive a oportunidade de ver 5 poetalunos terem seus textos publicados em antologias de concursos de poesia nacionais e internacionais, porém, na E. M. Alcino Francisco da Silva ainda não tinha conseguido êxito em concursos que davam tal premiação).
Ano passado, visitando o blog de Concursos Literários de Rodrigo Domit encontrei o regulamento do Projeto Mil Poemas Para Gonçalves Dias: desafio – fazer um poema em homenagem ao genial poeta romântico maranhense; premiação – publicação na antologia dos mil poemas gonçalvinos; o mais importante: não havia limite de idade.
Sabendo do prazo apertado (encerrava em fins de julho do ano passado e eu tinha apenas algumas semanas antes do recesso escolar), adequei conteúdos e planejamento para que meus poetalunos dos oitavos e nonos anos pudessem conhecer a vida e obra de Gonçalves Dias e, assim, produzissem poemas sobre o poeta, desafio esse que preferi não obrigá-los a fazer – todos conheceram a trajetória poética de Gonçalves Dias, mas ninguém era obrigado a ficar depois da aula para produzir o poema. Mesmo sem a obrigatoriedade, 16 poetalunos aceitaram viajar poeticamente com os sabiás de Gonçalves Dias.
Enviei os poemas via e-mails para a organizadora Dilercy Adler, ilustre poeta que eu já conhecia pelo seu envolvimento brilhante com a Sociedade de Cultura Latina do Brasil e com a organização de grandes Concursos Literários como o “Latinidade” (o qual eu já havia vencido uma vez em 2002). Conhecia o histórico cultural de Dilercy Adler, fato que gerava confiança nesse novo projeto que ela realizava. Mas toda glória passa por períodos de tensão: uns meses depois de enviar os poemas, recebi um e-mail de Dilercy informando que os organizadores não haviam conseguido ainda completar a soma de mil poemas para Gonçalves Dias, o que inviabilizava a continuidade do projeto. O tempo passou e o sonho ficou adormecido.
Entre maio e junho desse ano, recebo a notícia-presente através de um e-mail de Dilercy Adler: a antologia foi concretizada e o lançamento aconteceria no aniversário de vida do poeta, em São Luís/MA, no dia 10 de agosto de 2013, quando Dias completaria 190 anos [seu corpo nos deixou há tempos, mas sabemos que o poeta, quando continuamente lido e jamais esquecido, nunca morre, amigos leitores, por isso comemoramos sua eternidade na data de aniversário do artista].
O sonho não saiu perfeito: devido a algum daqueles misteriosos extravios virtuais, 7 poemas gonçalvinos de 6 alunos somados ao meu poema-homenagem (aquele que publiquei a algumas postagens atrás) não chegaram a Dilercy Adler. Porém, contudo, todavia, os 11 poemas – a Suelen Cristina escreveu dois poemas, tamanha a sua empolgação com o tema - dos 10 poetalunos da primeiro e-mail estavam na antologia [logo, mais de 1% dos mil poemas gonçalvinos de todo o mundo vieram da E. M. Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ], uma festa lírica para os privilegiados, e Mayara Silva Jorge, uma das poetalunas contempladas, ainda recebeu uma comenda gonçalvina por ter vencido com seu poema em homenagem a Gonçalves Dias o Concurso Nacional de Poesias da ALAP-RJ do ano passado. Não dá pra esconder meu sorriso, amigos leitores, me vem sempre as frases da protagonista do filme “Quase famosos” – ela, de vez em quando, parava e dizia fascinada: “Olha! Você está vendo?  As coisas estão acontecendo!” Os sonhos não morrem, amigos leitores, eles adormecem e acordam mais fortes que nunca e estão sempre rondando nossos caminhos; às vezes por seguirmos cabisbaixos não percebemos o brilho raro das estrelas que nos acompanham.
Hoje posto os 11 poemas dos 10 poetalunos classificados na antologia “Mil Poemas para Gonçalves Dias” e também os outros 6 (o meu, como já disse, está publicado aqui em postagem anterior) que não entraram em livro [ainda, pois se a estrela não brilha naquela constelação, vai brilhar em outra, com certeza!], mas que também são frutos da dedicação e crença em mundo poético, mais gonçalvino, onde o sabiá canta em paz no mundo do sonhar. Posto também o vídeo com minha participação na festa de lançamento do livro, quando declamei o premiado poema da fodástica Mayara Silva [seus escritos várias vezes ganharam o Top das postagens desse blog].
É importante destacar também que os poetalunos não só se preocuparam em produzir os poemas com dados biográficos de Gonçalves Dias (ou seja, não se prenderam apenas ao conteúdo), mas também em resgatar em seus poemas os versos ritmados consagrados pelo fodástico poeta maranhense (ou seja, o estilo dos poemas deles também é gonçalvino).
Quem quiser conhecer todos os mil poemas para Gonçalves Dias + estudos sobre o poeta romântico maranhense, aí vão os links para visualizar as antologias: http://issuu.com/leovaz/docs/mil_poemas1a_-_parte_1,  , http://issuu.com/leovaz/docs/mil_poemas1b_-_parte_2 .
Que o espírito de Gonçalves Dias salve a nossa poesia de cada dia, amigos leitores!

Cantos e encantos de um maranhense

Fui brasileiro orgulhoso
E apaixonado,
Porque vivi num país maravilhoso,
Com um solo encantado.

Nessa terra adorável,
Cheia de luz e beleza,
Vivi sorrindo maravilhado
Com essas coisas lindas por natureza.

Quando vi aqueles olhos lindos,
Logo me apaixonei,
Mas veio o preconceito destruindo
Todo o amor que eu criei.

Do Maranhão eu vim,
Do Maranhão eu fui,
Alguns pensam que é o fim
Porque o amor não evolui.

Porém espero que minha arte
Continue encantando corações
E que faça parte
De várias gerações.
Mayara da Silva Jorge

A morte do amor, 
a morte de Gonçalves Dias

Gonçalves Dias morreu
e o amor foi esquecido...
Pra qualquer lugar que eu olho,
só há lembranças perdidas...

O sabiá canta,
Mas não do jeito que cantara com Gonçalves Dias...
Tinha mais sentimento,
tinha mais vida...

As estrelas que ali brilhavam
trazem um brilho sem graça
sem ele aqui...
O que fazer agora que só lembranças restaram
na poesia da memória?
Tatiane Paulo de Oliveira

De poeta para poeta

Não era nobre, não teve riqueza,
Só teve humildade e sinceridade,
Advogado, poeta, Gonçalves Dias foi um brasileiro
Inspirado no amor pela pátria
Que invadiu o seu peito.

Nascido e criado no Maranhão,
Estudou na Europa,
Cheio de inspiração,
Escreveu seus poemas
Com mil e uma intenções.

Foi da tribo, foi do Norte,
Um guerreiro poeta tão forte ele foi,
Se foi um mestiço com valor, cheio de sorte,
Conquistou mil maravilhas,
Mas não se livrou da Morte...
Jaqueline Maria Ribeiro

Descolorida

Minha vida tinha cores,
mesmo que eu não pudesse ter você.
Eu até possuía mais amores,
mas, sem você, ando até descolorida.
Em você me inspirei,
mas, quando você se foi, eu apenas errei.
Em você eu acreditei,
pois sabia como eu me sinto.
E agora meus poemas vivem sem sentido...
Ah, Gonçalves Dias!
Não sei mais em que me inspirar...
Diana Paim de Oliveira

Dias de Saudades

Foste tão cedo!
Partiste pelas águas do Maranhão
E agora o Brasil sente saudades
Daquele em cujas veias corria paixão!

Paixão por ser brasileiro,
Paixão por ser de três raças,
Paixão por ser poético,
Paixão por ser parte de nossa vida!

Gonçalves Dias, homem da terra das palmeiras,
Onde canta o sabiá,
Homem de sabedoria,
Homem que tinha muita história pra contar!

Ah, Gonçalves Dias!
Por que partiste?
Hoje o sabiá canta triste
E a mulher que tu amaste
Continua a te esperar!!!
Beatriz Branco da Cruz

Elegia para Gonçalves Dias

Querido Gonçalves Dias,
como isso pôde acontecer?
Tanto pediu pra Deus
pra não morrer...

Acho que Ele não ouviu,
pois o que você temia aconteceu:
numa viagem de trabalho,
Gonçalves Dias morreu...

Espero que nunca o esqueçam,
pois você mudou minha vida.
Com muita emoção eu digo:
Adeus, Gonçalves Dias!...
Talles Cardoso Machado

Exageradamente Gonçalves Dias

Exageradamente amando,
Exageradamente sofrendo,
Por muitos amores e um encanto:
O verde daqueles olhos ingênuos.

Vagando em poesias,
Declamando a minha vida,
Canções para o meu povo,
Canções para o meu amor.

Exageradamente querendo,
Exageradamente perdido,
Entre casos de amor e lendas indígenas,
Entre dor e alegria.

Vivendo pelo meu país,
Vivendo pelo meu amor,
Sofrendo pelo meu país,
Sofrendo pelo meu amor.

E você em mim
Sou eu sem você,
É o meu verde,
São o meu sangue,
Os povos indígenas
Sou eu Gonçalves Dias,
A eternidade é a minha vida.
Suelen Cristina Liberato

Ainda – mais que uma vez – adeus

A saudade quer roubar
o que o tempo não consegue apagar:
lembranças singelas
de um amor eterno e proibido.

Nos meus sonhos, pude
te encontrar.
Nos meus sonhos, pude
te amar,
numa noite mais que estrelada,
numa noite adocicada.

Mas tu soltas a minha mão,
mas o teu sorriso se fecha,
mas os teus belos olhos
se enchem d’água...
Seriam lágrimas de arrependimento?
Seriam lágrimas de dor?
Seriam lágrimas de amor?

- Não, meu amor – tu dizes em silêncio –
são lágrimas de adeus!
Suelen Cristina Liberato

Não é todo dia que é dia de Dias

Não é todo dia que nasce um herói,
Mas, no dia 10 de agosto de 1883, esse fato aconteceu.
Não é sempre que 3 tipos de raças se unem a uma só
formando um poeta que ama o lugar onde ele nasceu.

Um advogado que protege o seu país,
foi ele quem disse que a nossa pátria é a mais feliz.
Ele também notou que o sabiá,
que canta melodias aqui, não cantava lá.

Se hoje estivesse vivo, Gonçalves Dias,
com certeza, ele diria
que o sabiá, que aqui vive a cantar,
em outro país nem sabe assoviar.

Mas um naufrágio acabou levando o nosso herói,
que tinha o poder de proteger e de amar;
ele dormiu encoberto próximo aos seus Lençóis...
No dia 3 de novembro de 1864, essa história veio a findar
Mas, orgulhoso, ele morreu na terra onde canta o sabiá!
Geovane Alves dos Reis

Pois é, Gonçalves Dias

Gonçalves Dias, homem independente e de bom caráter,
Homem brasileiro, mestiço das três raças,
Homem de fé, poeta de garra,
Lutou até o fim da sua vida.
Homem fiel, poeta amigo, companheiro,
Suas palmeiras sadias e os sabiás ali nele viviam,
Amor não correspondido e tristeza lhe invadiam,
Seu passado sofrido, em nossa vida ele está vivo.

Pois é, Gonçalves Dias,
Você se foi, mas nos deixou um pedaço de história
De um brasileiro de verdade.
Pois é, Gonçalves Dias,
Você se foi, mas nos deixou um bocado de saudade!
Cristiane Branco da Cruz

Saudades

Gonçalves Dias
Tão bonito dizia,
Com seus poemas românticos,
Qualquer flor seca renascia.

Gonçalves Dias adorava onde vivia;
Lá ele era feliz, lá ele gostava do canto do sabiá
E assim conquistou muitas coisas por lá.

Gostava da selva, do campo, das flores,
Um homem apaixonado,
Com olhar alegre, cheio de amor,
Gonçalves Dias, um brasileiro de coragem,
Gonçalves Dias, um homem que deixou saudades.
Maiara Gonçalves de Oliveira

Canção estelar de Dias

Eu vejo, eu vejo, eu vejo
um instante de todo o mundo
passando diante de meus olhos.
Vou contando cada segundo...
Assim que se acabam
não dá mais pra olhar
todos os minutos
que eu vi passar.

Passa estrela, passa mundo
e cada nova estrela brilha
vendo o velho Gonçalves Dias
fazendo seu poema estelar.
Vinícius Pereira Soares

O Brasil lamenta a morte de Gonçalves Dias

Neste mundo não tem mais ar,
Não consigo respirar,
A pessoa que tanto adoramos vai ficar
Só na lembrança...

A pessoa que tanto adoramos morreu,
Não consigo aceitar,
Ela era tão maravilhosa
Que não consigo acreditar.

Ele marcou nossas vidas,
Nossas lembranças e nosso jeito de ser,
Nunca vou esquecer
Esta pessoa que está sempre no meu ser,
Ah, Gonçalves Dias, vivo pensando em você!
Diana Moura Jorge

Oh, Gonçalves, os dias

Oh, Gonçalves, os dias
de hoje não são tão bons como antes.
O sabiá nem canta mais,
é uma tristeza...

Antigamente era uma maravilha,
era cada canto
um mais lindo que o outro!
O mundo já não canta mais
e achar sabiá é o mais difícil...

Como será o mundo sem você,
sem o canto do sabiá?
Como será?
Caroline de Almeida Rocha

Perto do caminho sem fim

Nasceu Gonçalves Dias
Ouve-se o choro de um bebê,
Ouve-se o canto do sabiá,
Nasceu o Brasil mais bonito,
Tendo mais o que contar.
Seu amor por Ana Amélia
Não era aceito
Por causa do preconceito.
Gonçalves morreu e mais nada renasceu:
O Sabiá não canta mais,
A floresta sangra de saudade,
O naufrágio atingiu o coração de quem desejava ler muitas obras mais...
Temporada fora, coração perto,
Amor distante, mas nem tão distante assim;
O que estava longe estava perto do caminho sem fim.
A estrada era longa, a saudade era grande;
Sua terra lhe esperava e o seu amor tão distante...
A mistura de três raças - negro, branco e índio
Se misturou com amor, poesia e musicalidade.
As palavras com sentidos enormes
E com muita humildade,
Por sua terra trazia paixão intolerante,
Amor incondicional,capaz de loucuras,
Tão louco quanto a mistura de seu sangue!
Larissa Souza de Andrade

Saudoso homem

Ah, saudoso homem!
Quanta falta faz
seus poemas lindos
nos trazendo emoção e paz.

O sabiá canta lá fora
e as estrelas ainda brilham,
as palmeiras não tem muitas,
mas a vida continua.

Um homem que não tinha vergonha,
tinha orgulho do que era:
três raças misturadas
que povoaram sua terra.

Muito obrigado, Gonçalves Dias,
por trazer do exílio tão bela canção,
por esses poemas tão vivos
vindos do Maranhão!
Maiara de Souza Branco

Só a lembrança

Letras, palavras, versos, poemas...
Uma maneira de querer ser mais!

Ser poeta é marcar nesse mundo a nossa vida
Em palavras ou em cada passo de nossa jornada.

Foi Gonçalves Dias um desses poetas inspirador,
Pois coloriu completamente esse mundo sem cor.

Gonçalves Dias morreu, mas o importante é que ele está presente
Com sua inspiração, em poemas que nos marcam profundamente.

Cada poeta deixa uma lembrança para trás
Para poder ser lembrado e partir em paz.

Seus poemas sempre serão lembrados,
Porque foram escritos com amor e dedicação.

Cada poeta marca sua presença nesse mundo, nessa terra
E assim Gonçalves Dias marcou minha vida, minha inspiração.

Jéssica Ribeiro dos Reis