segunda-feira, 29 de julho de 2013

Inch'Allah o meu poema explodirá!

Um dos filmes aos quais eu assisti, dos que baixei no fodástico blog cult “Sonata Prèmiere” e que mais me marcou neste recesso escolar foi o canadense “Inch’Allah”. Dirigido por Anaïs Barbeau-Lavalette e premiado no Festival de Berlim de 2013, o filme conta o drama de Chloé, médica canadense que realiza trabalho humanitário do lado palestino do muro que divide o país com Israel, local onde ela é espectadora das arbitrariedades cometidas na fronteira. Mas a personagem que mais me chamou a atenção não foi Chloé e sim uma das pacientes dela, a palestina Rand, que vê seu universo ser destruído pelas arbitrariedades violentas do lado israelita. “Inch’Allah” me lembrou o “Paradise Now”, outro filme que me marcou bastante e que também é muito bom, recomendo!. Outra coisa que me marcou em “Inch’Allah” foi a máxima “Quem está dos dois lados, na verdade, não está de lado nenhum”, proferida pelo irmão de Rand. Por isso que o meu poema inédito, que posto hoje, não aceitou ficar em cima do muro: meu eu lírico é inspirado na palestina Rand e isso já determina que eu escolhi um lado.
Espero que gostem, amigos leitores! Inch’Allah! 

As últimas palavras 
da mãe da Palestina

Você me dará boa tarde
com sua arma pacificadora
cheia de desprezo
e eu explodirei seus lábios
vermelhos
como o sangue dos meus filhos
seus prisioneiros...

Inch’Allah
esta será
a última tarde
que você me dará!

Você me dará saúde
com suas drogas controladoras
cheias de doces venenos
e eu explodirei seu sorriso amável
e sereno
com a loucura irrefreável
de meus lamentos...

Inch’Allah
esta será
a última ilusão
que você me dará!

Você me dará um caixão
para cada filho perdido
no seu vazio de compaixão
e eu levarei meu manto enegrecido
e sem vida
para o seio de sua família reunida.
Mostrarei o meu peito explosivo
e celebrarei mais um capítulo de sua ruína
em outro paraíso,
em outra Palestina.

Inch’Allah
meu nome será
a última vida

que você escravizará!


sábado, 27 de julho de 2013

Solidões ébrias compartilhadas: A oração embriagada de Vinícius Morais

Nesse período de visita do Papa e protestos, o blog comemora o retorno do poetamigo cearense Vinícius Morais às Solidões Compartilhadas. Depois de muito tempo em misterioso silêncio, o poetamigo retorna com sua visão poética e ébria de Deus. Compartilho hoje seu fodástico poema destilado de religiosidade e melancolia existencial, que me lembrou muito os poemas de Álvaro de Campos, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa.
O pródigo e louco eu lírico solitário de Vinícius Morais retorna ao blog com uma oração bêbada, amigos leitores!

Meu Deus - esse deus que é, de fato, meu
Por que estou a te invocar se estás sempre comigo?
Por que levanto as mãos para o céu
Se é ao meu lado que ficas?
Ah, meu Deus meu
Perdoa esse bêbado que conheceu mulher aos 13
Se isso for reprovável
E eu acredito que não...
Cura a ressaca que ele teve aos 10
E a fome imensa que experimentou primeira vez aos 17.
É só um simples bêbado
Cambaleante, que não acerta o meio
Que não acerta nada
Que não mira nada
É só um vai e vem que não volta
E nunca para...
É um carrossel abandonado de um parque abandonado
É um banco abandonado de uma praça abandonada
É o próprio abandono...
Ah, Deus! que também é dele
O mesmo deus...
Olha que ele cai, mas levanta
Vê que ele levanta, mas não equilibra
E deixa assim mesmo: torto
Penso como seus pensamentos tortos
E deixa sempre um dos lados mais para o lado
E deixa tudo como está
E deixa tudo
E vai embora...
Ah, Deus! que nunca está no centro
Deus que está sempre ao meu lado
E que eu chamo olhando para cima
De quem imploro perdão sem ter o que me perdoe
Deus que está nos parques e nas praças
Nos carrosséis e nos bancos de praça
Que está na queda do bêbado
No tropeço do cambaleante
Deus que levanta e que cai
Deus que está nessas linhas tortas
Nesses versos desmedidos e assimétricos
Deus de quem não falo mais...
Ah, bêbado! esse bêbado que sou
Que tropeça a cada passo
Que sempre pende para um lado
Que, lúcido como todo bêbado, perdoa os próprios delírios

Ah, cambaleante! Perdoa os meus tropeços...


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Solidões invernais compartilhadas: Lisérgio Virabossa congelando George Harrison

Vivemos um dos momentos mais glaciais da história climática brasileira. Em resumo, ta um frio du ka...ramba! Inspirado nesse clima de frio londrino em Valença/RJ, o poetamigo Lisergio Virabossa, alter-ego do Poeta-Mestre Alexandre Fonseca, nos apresenta uma versão sub(in)versiva de “Here comes the sun”, dos Beatles; uma releitura fodástica, melancolicamente engraçada e invernal da ensolarada composição de George Harrison.
Pra ler bebendo chocolate quente com vodka russa, amigos leitores!

CHEGOU O FRIO 
[Uma sub(in)versão de George]

Chegou o frio (tchu-ru-ru)
Chegou o frio (e eu digo)
O sol sumiu

Garotinha,
Prepare o chocolate quente
Ponha vodka
Aquela russa, experimente!

Chegou o frio (tchu-ru-ru-ru)
Chegou o frio (e eu digo)
O sol sumiu

Traga o vinho
E o nosso velho cobertor
Calce as meias
E venha me dar seu calor

Chegou o frio (tchu-ru-ru-ru)
Chegou o frio (e eu digo)
O sol sumiu

Frio, frio, frio
Tão sombrio
Frio, frio, frio
Tão sombrio

Olhe a serra
Por trás do branco se esconde
Só assim
Valença fica igual a Londres

Chegou o frio (tchu-ru-ru-ru)
Chegou o frio (e eu digo)
O sol sumiu

Chegou o frio (tchu-ru-ru-ru)
Chegou o frio (e eu digo)
O sol sumiu

Tão sombrio


Smells Like a Solidões Coletivas: A noite poética grunge valenciana no útero de Seatle

Hoje trago os vídeos do animadíssimo Sarau Solidões Coletivas In Bar 15 “Smells Like Solidões Coletivas: No Útero de Seatle”, em tributo ao rock grunge, tema sugerido por Karina Silva. O evento aconteceu na noite de 20 de julho, no Mineiru’s Bar e Restaurante, no Jardim de Cima, em Valença/RJ, e contou com uma galera bastante animada (tanto que já fizeram o pedido da “Noite Grunge 2” rs).
Arte sempre, amigos leitores, e não, não temos uma arma (quem curte “Come as you are”, do Nirvana, entende), mas trazemos a música e a poesia, que são muito mais explosivas!  

Neste primeiro vídeo, temos o retorno de Sonia Rachid; declamo prosa poética de minha autoria em homenagem ao álbum “Nevermind”; João Júnior e José Ricardo Maia interpretam “In Bloom”, do Nirvana; Ronaldo Brechane faz seu stand up comedy, zoando com a Jornada Mundial da Juventude, Rubinho Barricchelo e a “Humilde Residência”, de Michel Teló e inovando com uma composição própria; o tributo ao poeta Rogério Silva (in memoriam), feito por mim, Raquel Leal e por Giovanni Nogueira, que também cantou o hit de sua banda prognoise Gadernal, a grunge “Você vai me pirar”.

Neste segundo vídeo, inicio com uma prosa poética de Cíbila Farani; José Ricardo Maia e Rafael Campos interpretam canções de Adriano Gonçalves (in memoriam); declamo poemas de Charles Bukowski e de Luiz Guilherme Monteiro; Wagner Monteiro apresenta poemas furiosos e undergrounds; Gilson Gabriel declamando poema de sua autoria em homenagem ao anarquista Salvador Puig; a banda OX40 interpreta magistralmente canções de Pitty e de Capital Inicial.

Neste terceiro vídeo, Patrícia Correa declama poema de Affonso Romano de Sant’Anna; Juliana Guida Maia declama a letra de canção “Natural”, de Adriano Gonçalves (in memoriam); declamo meu poema “Todas as apologias (inclusive nenhuma)” em tributo à canção “All apologies”, de Nirvana, interpretado, em seguida, por João Júnior e José Ricardo Maia; João Júnior declama seu poema “vira-latas” e interpreta mais alguns clássicos do grunge; Cíbila Farani faz um poema memorialístico interativo grunge; declamo meu mantra grunge e a galera pira pulando muito com o instrumental de “Come as you are”, tocado por José Ricardo Maia; Rabib Jahara declama poema de Aquiles Peleios em tributo ao Nirvana; Karina Silva e Luana Cavalera apresentam poemas grunges de suas autorias e de Ranieri.

Neste quarto vídeo, declamo poema de Felipe Zombie, acompanhado de Gabriel Carvalho, que, logo em seguida, interpreta canções grunges e de sua autoria; declamo poema de Sonia Rachid; Elder Silva, de Volta Redonda/RJ, estreia no sarau cantando O Rappa e o OX40 interpreta “Malandragem”, de Cássia Eller; a parceria de Raquel Leal e Karina Silva declamando um poema grunge de Karina, que, depois, declama poema de Vanessa Lima, de Ipatinga/MG; Rafael Campos e José Ricardo Maia interpretam mais canções de Adriano Gonçalves (in memoriam); Raquel Leal declama poema de sua autoria em tributo à musa Seatle; Cíbila Farani declama poema de Cecilia Meireles em homenagem a Rogério Silva e aos vários amigos que aparecem (e desaparecem) em nossa estrada; José Ricardo Maia e Rafael Campos encerram o evento com a versão grunge de José Ricardo para a canção de Nirvana e “Será”, de Legião Urbana (já anunciando o tema do próximo sarau, que rolará no dia 17 de agosto: “Rock Brasília).

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Solidões compartilhadas: A crueldade de todo sempre na escrita de Clovis Maia

Hoje trago mais um fodástico escritor estreante no blog: o valenciano Clovis Maia, que nos traz um de seus inspirados textos de ácida crítica social, outrora publicado no facebook, tirando a paz dos sorrisos hipócritas daqueles que acreditam que vivemos no melhor mundo possível.
Quando nos encontramos num show de rock, Clovis me contou que a prosa poética abaixo publicada surgiu por causa de um canção de Raul Seixas e que ele estava há tempos com a ideia do poema na cabeça. A inspiração surgiu enquanto ele tomava banho. Ainda de toalha, Clovis correu para a sala em busca de papel e caneta e escreveu a obra-prima abaixo postada. 
Caso não queira acordar para os pesadelos da realidade, amigo leitor, não leia essa fodástica reflexão poética de Clovis Maia.
Crueldade De Todo Sempre
Quando somos crianças, mesmo vivendo em um ambiente conturbado, ainda assim, temos grandes momentos de paz. Pois não sabemos ainda o preço do pão.
Quando nos tornamos adultos, deparamos com a dura realidade; aquele êxtase era efêmero e/ou provisório.
Na velhice, nos aposentamos e deveríamos redescobrir aquela sensação indescritível. Mas, no entanto, no Brasil Varonil, o sujeito velho, doente, fudido e com 678 mirreis, certifica-se do que já sabia e fingia não enxergar: que, para o proletariado, paz e tranquilidade não passa mesmo de uma doce e bela ilusão de infância.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Microcontos religiosos de humor pagão: O dever católico de Candida Pomposa

Amigo leitor, se o Humberto Gessinger tivesse adiado sua composição "O Papa é pop", essa semana seria o período ideal para lançá-la: o tal Papa Francisco ganha status de popstar em sua primeira visita ao Brasil. E é cheio de graça, ou melhor, engraçado demais esse lance da chegada do papa e os efeitos que esse evento gera nas beatas. Numa banca de revista, ao meu lado, uma senhora falava que ligou pra irmã após anos de discórdia com a mesma e perdoou todos os pecados da irmã outrora amaldiçoada uns dias 'antes que o papa chegasse'. É, o papa é pop e o papo pop do papa não poupa ninguém, nem mesmo o blog que lês, amigo leitor!
Imaginei a dona beata no telefone com a irmã e produzi o microconto abaixo:

O dever católico de Candida Pomposa

Candida Pomposa estava desesperada. Faltava 1 dia para a chegada do Papa ao Brasil e ela permanecia em profundo pecado: estava há 2 anos sem falar com a irmã pagã. Beata ao extremo, Candida Pomposa sabia que tinha um dever católico a cumprir antes que o Papa pisasse em terras brasileiras: perdoar a irmã canalha antes que profetas do apocalipse apontassem os rancores pecaminosos de sua alma cristã.
Contorcendo-se de humildade católica, teclou apressadamente os números referentes ao telefone da malfadada parente. Ao ouvir a voz da maldita irmã do outro lado, libertou-se de todo o rancor:
- Olha, minha irmãzinha desgraçada e fdp, eu tô te ligando pra perdoar todas as m... que você fez e que foram completamente culpa de sua existência pagã e miserável. Tô te perdoando, tá? Tá ouvindo? Tá perdoada, minha querida parente desgraçada!
Desligou logo em seguida o telefone e, com aquela cara feliz de santa beatificada, Candida Pomposa foi assistir aos próximos capítulos da vinda do Papa ao Brasil.

Meu poema maysamaníaco no rigoroso inverno: Mundo Caído

Hoje o blog comemora dois anos de existência e resistência! E comemora também 2 anos de eterno amor poético com vossos olhos, amigos leitores! Em homenagem a isso, postei ontem no facebook que o blogueiro que vos fala atenderia aos pedidos de temas musicais para novos poemas (caso você não pertença aos meus grupos de amigos do face, pode colocar aqui nos comentários seus pedidos, amigos leitores). Como vários leitores amigos sugeriram temas, resolvi que não excluiria nenhum pedido e que, para cumprir com todas as sugestões, seguiria a ordem na qual eles me foram enviados. E a primeira sugestão veio da poetamiga e vocalista da banda OX40 Raquel Johns, que me sugeriu um poema inspirado em Maysa.
Seguindo a sugestão da artistamiga, inspirado na trágica vida de Maysa e na canção “Meu mundo caiu”, uma das mais belas canções interpretada pela fodástica cantora, compositora e atriz brasileira homenageada, criei o poema inédito, abaixo publicado. Um poema inverno para esses dias frios de amor congelado pelo excesso de razão, pela falta de perdão, o meu primeiro poema maysamaníaco, uma oferenda lírica e melancólica para os amigos leitores.
Espero que gostem e que eu possa estar por aqui durante muitos anos escrevendo, lendo, ouvindo e vivendo com vocês, amigos leitores!

Mundo caído

Onde nasci não te importa,
amor ausente que jamais conforta.
Minhas origens nobres,
minha infância de barões esnobes,
nada disso importa agora
depois de 2 anos comemorando a sua falta
com um bolo recheado de inglórias,
amor altivo que me rebaixa,
amor aflito que não volta...

Se meu mundo caiu na atmosfera cansada
e pareço inteiro, apesar das feridas não cicatrizadas,
nada disso importa diante de teus olhos de despejo,
apontando para universos sem desejo
nos espaços desfeitos de minha órbita alterada.

Esse sinal de chuva que me sufoca
são apenas lágrimas que em mim provocas,
pois o resto de meu corpo secou afogado em tua aridez rosada,
amor seco e vil que nada viu na teimosia de cor de minha palidez desarmada.

E agora morro cada vez mais cinza nesse céu de trevas coloridas
esculpido pelo excesso de vida da tua razão,
pela ausência de compaixão em tua ciência blindada;
sou planeta extinto, exaurido pela carência de noites enluaradas,
sou um ex-planeta, de superfícies destruídas por cometas inteiros do teu nada,
meu limbo vazio, meu lindo amor perfeito de folhas rasgadas.

Tudo que eu fiz, tudo que eu já te pedi,
nada disso me importa agora,
pois já me perdi, já passei da hora,
amor sem fim que enfim se esgota
e me desgosta,
leva-me daqui, amor ruim;  
mesmo sem ti, leva-me embora...


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Solidões Coletivas de Saudades a Rogério Silva no Encontro com a Poesia

Desenho de Rogério Silva
feito pelo fodástico
João Paulo Maia
Hoje posto o vídeo da participação do Sarau Solidões Coletivas no mais recente sarau do grupo Encontro com a Poesia, realizado no fim de tarde da última sexta-feira, dia 19 de julho, na Livraria Cia do Livro, em Valença/RJ. O evento homenageou de forma emocionante e primorosa o recém-falecido (mas eterno em sua arte) poetamigo-psicanalista valenciano Rogério Silva. O vídeo mostra a participação minha declamando poemas de minha autoria, de Rogério Silva e de Cíbila Farani, José Ricardo cantando "Love in the afternoon", da banda Legião Urbana, e outra canção de sua autoria, composta em parceria com Rafael Campos e a fodástica poeta e declamadora Beatriz de Oliveira declamando um dos últimos poemas de Rogério Silva. Devido a problemas na câmera, não ficou registrado o acróstico em homenagem a Rogério, feito por Giovanni Nogueira, fato que lamento profundamente, pois foi um dos momentos mais emocionantes do sarau (o poema será declamado novamente na noite do dia seguinte e estará nos vídeos do Sarau Solidões Coletivas In Bar 15, cujo tema era o rock grunge, porém reservamos um espaço para homenagear a arte infinita de Rogério Silva).

    

sábado, 20 de julho de 2013

Entre Gênios e Sherazades: Sarau Mil e Uma Noites de Solidões Coletivas



Trago hoje ao blog os vídeos da participação do Sarau Solidões Coletivas In Bar no Almoço Árabe Beneficente da Associação Valenciana de Proteção aos Animais (AVPA), que aconteceu na Cantina Água na Boca, no centro de Valença/RJ, na tarde do dia 14 de julho. Nesse evento beneficente, realizamos as “Mil e Uma Noites de Solidões Coletivas”, em homenagem ao livro “Mil e uma noites”, cuja protagonista marcante, a contadora de histórias Sherazade, inspirou poetas e declamadores do sarau.
Foi um evento fodástico e contou comigo declamando poemas de minha autoria, de Fernando (ai, ai, esqueci o sobrenome dele rs) e de Karina Silva e Luana Cavalera, a estréia da premiada poeta valenciana Nicea Cadinelli, a participação especial de Bell Tuhay e suas alunas de dança do ventre, o retorno do Mestre Alexandre Fonseca declamando poema de Rabib Jahara, o brilho de Patrícia Correa declamando poemas de protesto, Juliana Guida Maia com seu poema das Mil e uma Noites, shows de José Ricardo, da banda OX 40, Cíbila Farani (cantando e declamando poemas próprios e contos de Malba Tahan).
Em tempo: Hoje o Sarau Solidões Coletivas In Bar retorna com o tradicional evento que rola todo terceiro sábado de cada mês. Chegamos à 15.ª edição do sarau oficial (ou seja, quinze meses de evento – não estão contados nestes as várias participações e saraus especiais que fizemos durante esse agitado e iluminado período) com “SMELLS LIKE A SOLIDÕES COLETIVAS – NO ÚTERO DE SEATLE, TRIBUTO À POÉTICA GRUNGE E AO ROCK ALTERNATIVO DE SEATLE. O evento acontecerá hoje, às 19h, no Mineiru’s Bar e Restaurante (Antigo Crazy Horse), no Jardim de Cima, no centro de Valença/RJ (Na esquina com a Rua dos Mineiros).

Arte sempre, amigos leitores!




sexta-feira, 19 de julho de 2013

Pros que estão no Hotel York, longe de casa

Há mais de um ano atrás, após um show de Hélio Sória em comemoração ao Dia do Rock em São Gonçalo/RJ, alta madrugada, fui para Niterói em busca de um hotel para descansar. Devido ao horário, parei no primeiro que vi: Hotel York. Madrugada insólita, amigos leitores: um homem com sotaque estrangeiro me atendeu, cobrou um valor que não condizia com o quarto sem estrelas no qual fiquei, sem água, com luzes foscas, barulhos estranhos nos quartos vizinhos, uma cama redonda e dura, um espaço um tanto aterrador, talvez o último local em que um ser humano são teria a ousadia de buscar para descansar. Passei a madrugada em claro; meu único propósito, o descanso, não foi concluído naquele espaço.
Tempos mais tarde, Hélio Sória e Janaína da Cunha me contaram que estiveram nesse mesmo hotel extremamente underground e assustador e ficaram também com as lembranças de uma noite estranha e terrível.
Depois de um ano do acontecido, a poetamiga Janaína me sugeriu que fizéssemos um poema sobre essa desventurosa aventura. Lembrar do Hotel York me fez lembrar de um verso da canção da década de 1980, “Pros que estão em casa”, da banda underground carioca Hojerizah, da qual fazia parte o fodástico Toni Platão: “Vi Nova York internada”. Inspirado na canção de Hojerizah e nas lembranças toscas que tenho do lugar, segui a sugestão de Janaína e fiz o meu poema.
Para todos que já conheceram o lado mais hard e tosco da vida underground, amigos leitores!

Pros que estão no Hotel York, 
longe de casa

Estranha madrugada
Em um espaço apertado
Via láctea da ressaca
Quarto sem estrelas
Sussurros nas janelas
Trevas iluminadas
O inferno para o descanso
Paraíso só para os demônios
Eis minha carne cansada
No Hotel York internada
(inter – nada!)

E mais uma vez não durmo nada
Outra insônia, a cara amassada
O Hotel York se distancia
Cruzo a avenida, de volta à vida
Mexo nos bolsos – desta vez não perdi nada
Talvez apenas um pedaço de minha alma

Dilacerada.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Solidões noturnas compartilhadas: Mil noites de solidões com Karina Silva e Luana Cavalera

Depois de mil e uma noites de solidões coletivas, elas voltaram: Karina Silva e Luana Cavalera, as Sherazades do underground, nos convidam para um passeio pelas suas mil noites da mais fodástica poesia!
Viajemos nas danças da poesia de Karina Silva e Luana Cavalera, amigos leitores!

Noite Das Solidões

Noite, sombra, névoa no olhar
Noites de solidões que não querem calar
Com delirantes músicas que não param de tocar.

Viajando pelo ar
Sinto a brisa do luar
Em mais uma noite que acaba de chegar!

Com a reluzente luz
que destaca o horizonte adormecido
que passa pelo infinito.

Já são mil noites de solidão
Andando pela imensidão.

Procurando o inexistente
Que ficou em minha mente.

Mil noites sozinho
Mil sorrisos vazios
Enfim encontrei um grupo solitário
para afagar minha solidão.

Mil noites de vida
Mil noites de solidão
Mil noites de Solidões Coletivas
Mil noites de eterna Poesia.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mais um poema nirvanamaníaco: Todas as apologias (inclusive nenhuma)

Nos momentos mais solitários que passei no início desse mês de julho, fechando notas, me preparando para o recesso que todo professor já em frangalhos recebe para não surtar completamente, nesses momentos de suave desespero, entre frios, solidões e efêmeras e quase melancólicas alegrias, nesses momentos de perigosa paz e angústia inominável, quando gigantes voltam a dormir depois de farrearem sua onda de revolta e descontrole, depois do apito final do jogo, quando as torcidas adversárias ameaçam se estranhar, mas a partida foi péssima para ambos os times, nesses momentos em que tudo é tão quase nada, mas um quase nada que dói, que dá vontade de chutar o universo pra que em algum momento ele se transforme em quase tudo, nesses momentos delicados em que a minha alma pede violência pacífica, eu ouço as canções de Nirvana e me inspiro. E uma das canções que mais tenho ouvido é "All Apologies" - talvez pela sua sonoridade melancólica dilacerada, talvez por não ter hipótese ou talvez, eu gosto do som e me identifico com a música e uma coisa que aprendi com a geração grunge é que nem tudo precisa ter algum mirabolante motivo; na verdade, nada tem sentido se procurarmos motivos. 
Já estou falando demais, Kurt Cobain me faz divagar; vamos ao poema: trago aqui meu poema nirvanamaníaco, escrito após ouvir incessantemente a fodástica "All apologies", de Nirvana. A minha (sub)versão poética tem muito pouco a ver com o conteúdo da letra original, mas traz um pouco da filosofia niilista-nem-aí de Cobain.
Às vezes meus poemas precisam gritar como Cobain, amigos leitores...

Todas as apologias 
(inclusive nenhuma)

Olá, todos os reis Luís XV,
todos os apóstolos de Jesus,
todos que me dizem o que eu não sei,
todos aqueles que apóiam os gays,
todos que chegam em casa tarde,
e todos aqueles que me dizem nunca mais
Olá, todos os estranhos pra mim,
todos os ecologistas

Olá, todo som
todo som da sua voz
todo som,
todo som
que ferve
e me fere

Boa tarde pra todo vazio,
inclusive aos preenchidos;
boa tarde pra todo homem são,
inclusive ao louco sem pão;
boa tarde pra todo homem de bem,
inclusive pra aquele pastor gay;
boa tarde pra todos seres rastejantes
que comem todos os restos de liberdade degradante.

Boa tarde pra todo som,
todo som de nossos gritos sós,
todo som,
todo som
que berre
e me ferre
e fere,
fere, ai, ai, ai, ah!

Boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
boa noite pra todos os meus ideais,
que só tive no tempo jamais,
no tempo jamais... 



terça-feira, 16 de julho de 2013

Solidões póstumas compartilhadas: O particípio passado de Rogério Silva

Talvez os leitores tenham estranhado meu breve sumiço após voltar a escrever intensamente no blog. É um tempo de silêncio, amigos leitores, pois o Sarau e os Diários de Solidões Coletivas perderam um grande artistamigo que já nos fez companhia diversas vezes por aqui: o mais que fodástico Rogério Silva, falecido neste fim de semana.
Recebi a triste notícia quando a Ju e eu voltávamos felizes do Sarau Mil e Uma Noites e Tardes de Solidões Coletivas, realizado no último domingo, dia 14 de julho, durante o Almoço Árabe Beneficente da Associação Valenciana de Proteção aos Animais (AVPA). O evento aconteceu na Cantina Água na Boca, mesmo lugar onde Rogério Silva mostrou seu talento e intenso brilho pela primeira vez no Sarau Solidões Coletivas In Bar Especial da Mulher, realizado em março deste ano. Reencontrei o poeta no Encontro com a Poesia, sarau idealizado por Beatriz de Oliveira, realizado na Cia do Livro, e, mais uma vez, seus poemas e a luz de seus olhos brilhavam intensamente. Depois disso, mantínhamos contato no facebook, ele sempre presente, sempre brilhante. Recebi e comemorei alegremente a notícia de que um poema de sua autoria, "Acordei chuva", havia se classificado no Concurso Literacidade; seus poemas sempre mereceram destaque e o pódio dos classificados para toda eternidade. Foi difícil acreditar quando Jaqueline Cristina me informou que o poeta Rogério Silva partira; a ficha demorou a cair - confesso que ainda não caiu direito. Mas seja quais forem os labirintos de adeus em que Deus colocara nosso fodástico poetamigo, os atalhos da eternidade continuam com ele, os poemas de Rogério Silva continuam ressuscitando o brilho de vida nos olhos de seus leitores, ele continua conosco pra sempre, esperando-nos no ponto de encontro do infinito (vejam mais poemas de Rogério Silva no link de seu blog: http://pontodeencontroblog.blogspot.com.br/) .
Não há o que fazer contra a morte, amigos leitores, só podemos desejar uma chuva de eternidade para Rogério Silva e que seus versos continuem em cada gota de chuva que ressuscita a vegetação carente de vida, amigos leitores...

Acordei chuva

cobri o céu com um manto de nuvem
no ensolarado dia de outono
só pra te molhar.
transformar as suas vestes
numa pele do seu corpo.
eu chuva, sua roupa e o seu
corpo apareceríamos nus.
encharcaria seu cerne,
seu intimo.
seu ser

seria.

Particípio passado

é muito difícil pensar na velhice
quando se é jovem.
quando a idade avança
o irremediável se apresenta.
não dá mais para procrastinar.
envelheci.

tive poucos amigos
que me ajudaram nessa tarefa.
o espelho foi um. arrumou
um jeito de me enganar.
sempre me mostrava o todo
não me permitia os detalhes.

aquela ruga nova não era notada
porque vinha junto com as outras.
aquele olhar triste, hoje
só era mais triste que ontem
e ontem eu nem percebi.

minhas pernas, meus olhos e ouvidos,
todos ficaram mais tímidos
e se acanharam em me acompanhar,
como no tempo da juventude.
os dias passam como sempre!

os pés, já não caminham como antes.
passado descompassado.
confusão de ontem
como há muito tempo atrás.
não sei!
já não é a mesma coisa!

sábado, 13 de julho de 2013

Meus poemas femininos: Mil e Uma Noites de Sherazade

Meus eus líricos femininos retornam ao blog, desta vez tomando o corpo de Sherazade, a personagem árabe cujo destino heróico é contar histórias durante mil e uma noites para entreter, seduzir e evitar ser morta por seu rei e algoz (o rei, devido a uma desilusão amorosa, havia decidido desposar e sacrificar uma moça por noite, mas, devido à habilidade de Sherazade de narrar histórias que se cruzam a outras narrativas, exigindo sempre continuidade na noite seguinte, o projeto assassino do rei é desfeito pelo domínio – disfarçado de subserviência - de sua contadora de histórias).
Em tempo: O poema abaixo será declamado no próximo evento do Sarau Solidões Coletivas, o “Sarau Mil e Uma Noites de Solidões”, nossa contribuição e participação poética do Almoço Árabe Beneficente da Associação Valenciana de Proteção aos Animais (AVPA), que acontecerá na Cantina Água na Boca, na rua atrás da Catedral, em Valença/RJ, neste domingo, dia 14 de julho, a partir das 11:30h.
Dancemos com os cantos e encantos de Sherazade, amigos leitores!
 
Mil e uma noites de Sherazade

Vem me ferir, príncipe da dor,
com sua espada faminta de rancor,
mas não me mate, triste alteza,
para que eu possa lhe mostrar quanta gentileza
há na lâmina nervosa que tão faminta
corta minha alma calma,
para que eu possa lhe mostrar toda nobreza
de sua arma furiosa em minha carne íntima,
outrora morta, agora salva
pela serpente viva de seu veneno frustrado de amor.

Veja-me dançar, príncipe ferido,
enquanto sua espada segue seus instintos assassinos
e me penetra inicialmente lenta,
sedenta,
depois constantemente acelerada,
à medida que me corta, mais veloz
e feroz...
Corta meu corpo, homem sofrido,
mostra-me todo amor perdido,
mas deixa minha voz intacta
para que eu possa lhe encantar com minha lábia
e tornar sua fúria minha aliada,
para que eu possa lhe cantar mil fábulas
que acalmarão sua espada...

Aprisiona-me em sua falta de paz,
alteza de todos os ais,
mas deixa-me gritar livre em seus ouvidos surdos
os prazeres mágicos desse tormento absurdo...
Penetra-me furiosamente com sua violência generosa,
príncipe louco,
mas deixa-me narrar todo heroísmo delicioso
de morrer consigo nesse perigoso calabouço...
Mostre-me toda a sua tortura
que eu lhe ofereço mil e uma noites de aventuras
nesta desventura;
mostre-me toda a sua crueldade
que eu lhe apresento mil e uma vantagens

de vivermos pra sempre assim - presos em liberdade!