terça-feira, 28 de maio de 2013

Poema-viagem sem sair do lugar: Meus Amores Expressos



Hoje eu trago um poema inédito de amor-viagem, um poema-trem com embarque nas loucuras das emoções-vertigens, passagem pelos momentos melancólicos nas frequentes idas e partidas nas estações do amor, um poema-sonho cheio da realidade cotidiana flertando com o impossível, o incabível, o que se está próximo e, mesmo assim, não se alcança, um poema-homenagem-quase-música para todos os momentos e sensações que a música “California Dreamin'”, do Mamas And Papas, sempre ligada no aparelho de som da personagem da atriz Faye Wong, ou "Dreamlover", de The Cranberries, interpretado pela própria Faye Wong, marcam a viagem de meus sentidos diante do excelente filme “Amores Expressos”, do cineasta Wong Kar-Wai, de Hong Kong (o filme citado não é o meu favorito de Kar-Wai, mas é um dos que melhor imprimiram as marcas mais pop-cults em mim), um poema-tributo-a-todas-garotas-de-ipanema-caipiras-que-trilham-nas-vertigens-de-nossos-olhos-camonianos-sedentos-e-febris-rumo-ao-clássico-popular-de-Villa-Lobos, um poema-música-café-trem-expresso-expressionista-com-passagem-por-uma-Minas-caipira-inventada-que-pode-não-ser-Minas-pra-ti-como-pode-ser-pra-mim-para-um-tu-que-poderia-ser-eu-mesmo.
Bem-vindos mais uma vez à Estação Poesia, amigos leitores! Boa viagem!  

Amores expressos

Quando ela passa
É um trem que te leva
Para nenhum lugar;
É um trem mineiro
Que, mesmo imenso,
Cabe em teus olhos tão fatigados;
É um trenzinho caipira
Que, em ti, delira
(Enquanto viajas pelo real e ordinário,
Trazes nos ouvidos o som clássico
De um concerto imaginário).

Quando ela desfila
É um expresso pedido
Na estação de nenhum lugar;
É um expresso indevido,
O ato de viver-se perdido
Nesse lugar que não há;
É um expresso bebido
Na xícara de vidro invisível
(A tua boca sensível
Beija o aroma do café impossível
Que acorda teu paladar iludido).

E, quando ela se aproximar,
Quase a te tocar,
Rápido, o trem te desembarcará
Na estação final de nenhum lugar,
E, mesmo perdido no nada que inventou,
Encontrarás o que não há
E sorrirás sozinho
Bebendo o conteúdo imperecível
Do delicioso expresso que ninguém vê
(E, sentado à espera do verdadeiro trem,
Novamente lerás o que ninguém lê:
Estação Amor,
Estação Ela que passa sempre linda por ti,
Estação que floresce em ti sem Ela perceber).

Então a realidade mais uma vez vem te ferir:
Ela entra em outro trem, no rumo contrário do teu,
Sem te dizer adeus,
Sem nem saber de ti...




segunda-feira, 27 de maio de 2013

Solidões serranas compartilhadas: O paradoxo suicida de Juliana Guida Maia

Juliana Guida Maia e eu vivemos um amor nômade. Por ela morar em Valença/RJ e eu, em Teresópolis/RJ, nos revezamos entre essas duas cidades; num fim de semana, vou para a cidade onde ela mora (por sinal, Valença é uma de minhas musas favoritas, mãe de quase toda a minha poesia), em outro ela vem para cá. E, devido à distância entre as duas cidades, passamos parte de nossas vidas em trânsito, em ônibus, rodoviárias, etc, fatores bastante desgastantes se analisarmos horários, viações incompetentes de transporte coletivo, quilômetros, tempo, engarrafamento, stop and go, etc. Desde que passei para o cargo de professor em Teresópolis e me mudei pra cá, Juliana adquiriu uma relação de ódio e fascinação com as belezas naturais de Teresópolis (ou seja, com a Serra dos Órgãos) que vemos constantemente durante as cansativas viagens de ida e volta para a cidade.
Compartilho hoje minhas solidões poéticas com a fodástica e grandiosa mini-crônica-prosa-poética de Juliana Guida Maia, criada na última viagem de vinda para Teresópolis/RJ.
Pulemos nossos olhos para essa grandiosa impressão de viagem pela região serrana do Estado do Rio de Janeiro, amigos leitores!

Impressões serranas
do paradoxo suicida 


Subir a Serra dos Órgãos em uma manhã de sol me sublima a uma comunhão perfeita com o paradoxo... Como pode o tédio ser tão profundamente belo, como pode a beleza ser tão intensamente entediante. Olhando todos esses penhascos fica inevitável o pensamento suicida...  Como se pular fosse simplesmente algo tão óbvio. A vontade de mergulhar no verde É tão imensa quanto é imenso o próprio verde... O suicídio por aqui me parece um ato ecológico.  

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Rock Poema na Garagem: Espalhando minha arte bad religion

Mais uma vez eu, representando as Solidões Coletivas, espalhei minha “bad religion”, minha adoração à arte rock poética pela região!
O vídeo abaixo mostra minha participação no Rock na Garagem, organizado pelo Feira Moderna Zine, no Metallica Pub, São Gonçalo/RJ, na noite do dia 27/04/2013.

Declamei "Minha religião é terrível", poema-homenagem a Bad Religion, e "Lobotopoeticotomia", poema-tributo à fodástica banda Lobotomia (ambos os poemas podem ser encontrados em postagens anteriores aqui no blog). A declamação contou com a participação de Rafael A. (Banda Inércia) na guitarra.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ave Solidões Coletivas: Voando como águias no Identidade Cultural & Movimento Culturista


A postagem de hoje envolve voos poéticos realizados em abril deste ano. A convite de Janaína da Cunha, organizadora do Identidade Cultural & Movimento Culturista, Juliana Guida Maia e eu adiamos as férias do Sarau Solidões Coletivas (na verdade, fazemos arte mesmo de férias do sarau rs) nos envolvemos no último evento do Identidade Cultural, no Bar e Restaurante Amarelinho da Cinelândia, Rio de Janeiro/RJ, no dia 27 de abril.
O tema era “O voo da águia” e Janaína da Cunha me enviou o fodástico poema abaixo de autoria da própria organizadora, um convite para uma grande parceria:

O VOO DA ÁGUIA BOÊMIA

Minha alma é águia boêmia...
voa alto sem dimensões explicáveis
e medo de onde vai chegar.
Minha alma é a noite onde cruzam
as esquinas do coração.
É morada das estrelas mais brilhantes,
a luz do meio-dia e a melancolia da solidão.
Minha alma é viajante...
manhã de campos floridos
e amores indefinidos.
É fome insaciável de vida,
sede interminável de justiça
e o dedo que cutuca as feridas!
Minha alma é morada de sentimentos
além do bem e do mal.
É chama ardente,
sopro de rebeldia, água cristalina
e vento que se transforma em vendaval!
Ela é um mar febril e selvagem
onde navega desejos e paixões fugazes.
Minha alma é um grito mudo,
a voz do silêncio.
É a santa que reza e a puta que peca!
Minha alma é mãe, amante, filha
e os acordes inacabados de uma sinfonia.
Ela é cruel e bondosa, fútil e sutil,
é iluminada e sombria,
doce e amarga... ácida e gentil!
Minha alma, em sua essência,
é mentira e verdade...
É um porão de pesadelos obscuros
e sonhos inalcançáveis.
Minha alma é imperfeita...
mas luta para alcançar a perfeição.
É águia boêmia que atravessa
horizontes elusivos
em busca do desconhecido.
Desliza solitária num céu embriagado
entre derrotas e vitórias.
Minha alma voa, voa... mas voa tão alto
que perde-se no infinito.
Mas, não importa...
não importa nada como ela esteja:
ferida e cansada, feliz e realizada
ela sempre encontra o caminho
de volta pra casa!
Janaína da Cunha

Diante do fodástico poema, me ficou o desejo intenso de cumprir a parceria. Inspirado no livro “A Águia e a Galinha”, de Leonardo Boff, que minha prima Marcella Carolina me emprestou na época da faculdade, somado ao som do Eagles (a banda, cujo nome significa Águias em português, é a autora do eterno hit “Hotel Califórnia”) e a minha idolatria à outrora gloriosa Escola de Samba Portela, fiz o meu poema sobre o voo da águia:

A águia e a galinha

Não voamos mais como outrora, águia moça...
Do gozo libertário nos restou apenas
o ar aparentemente cabisbaixo
de quem conhece o gosto do sol,
mas sabe que a chuva demora a passar.
Impossível voar com as asas molhadas
de lágrimas e sangue, águia garota:
há tristeza e violência demais no céu de agora
e por isso guardamos nosso voo pra outra hora;
é melhor nos recolhermos na paz de nossos ninhos
a nos entregarmos aos olhares dos predadores.
E eu queria trazer pra você, águia menina,
um poema no ritmo elétrico ou acústico
bem “Hotel Califórnia”
ou um samba enredo da Portela histórica
tão gloriosa,
mas há tempos que o violão e a guitarra desafinam,
há tempos que minha escola não faz história,
por isso esse lirismo de asa recolhida,
por isso esses versos de efêmera despedida...
Não podemos voar mais como outrora, águia ferida,
mas os últimos trovões estão passando;
em breve, o céu será nosso
e voaremos de novo, águia querida,
nos veremos de novo, águia poesia,
e teremos nossas asas com vida
pra sempre mais uma vez!
Carlos Brunno S. Barbosa

Então dia 27 chegou e Juliana e eu voamos para o Rio de Janeiro e mais uma vez participamos do fodástico evento Identidade Cultural & Movimento Culturista, como vocês podem ver no vídeo abaixo, que registra a minha participação e a de Juliana Guida no evento organizado por Janaína da Cunha.
Nesta apresentação, Juliana perdeu a vergonha e declamou diversos poemas dela. Eu fiz parceria poética com Janaína da Cunha, declamei poemas 'covers', de outros autores - "Dimensões Metállicas", de Karina Silva, e "Ronco D'Água", de Andréia Sineiro - e li o poema de sua autoria "Poema cortante", em homenagem à organizadora do Identidade Cultural e a Maycon Arcanjo.
Que nossos voos poéticos sejam eternos, amigos leitores!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Aniversário se comemora com rock, metal e MPB: A Festa do Sarau Solidões Coletivas In Bar 13


Devido a um bug do blogger, eles demoraram, mas finalmente chegaram ao blog (já estavam há tempos no youtube e levei uma coça de informatiquês pra colocá-los aqui pra vocês): os vídeos do “Sarau Solidões Coletivas In Bar 13: Astronautas de mármore, donzelas metállicas, passagens pra Saigon, armas químicas e poemas”, em tributo ao rock gaúcho, ao heavy metal e a Emílio Santiago, comemorando 1 ano do Sarau Solidões Coletivas In Bar oficial!
O evento aconteceu na noite de 20 de abril, na Boite Mr. Night, em Valença/RJ, e contou com um grande público, muita música, poesia e diversão!
Abaixo posto os vídeos do evento para os amigos leitores verem (ou relembrarem, caso tenham ido nessa festa lírica) o que rolou na Festa do Sarau Solidões Coletivas:


Neste primeiro vídeo do Sarau Solidões Coletivas In Bar 13, declamei um poema ac/dciano com o músico Breno Meirelles; há o stand-up comedy retrospectiva de Ronaldo Brechane; Wagner Monteiro, Fred Ielpo, Breno Meirelles e Davi Barros interpretando clássicos do rock nacional; eu declamando “Extraño”, letra de música de Nenhum de Nós; a encenação do Grupo Amor e Arte, fazendo um jogral com o poema “Rosinha de Valença”, de Déia Sineiro; o retorno de Erick Ramos; o poema “Promessas desfeitas”, declamado por mim; “Segunda-feira blues”, dos Engenheiros do Hawaii, interpretado por Juliana Guida Maia.



Neste segundo vídeo do Sarau Solidões Coletivas In Bar 13, declamei a letra de música “Piano Bar”, composta por Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii; a composição de Raquel Leal em homenagem aos artistas do Sarau Solidões Coletivas; Patrícia Correa declamando poemas de sua autoria; eu declamando o poema “Animais selvagens”, de Luiz Guilherme Monteiro, acompanhado da guitarra louca de Bruno Luís; Rabib declamando “Se a chuva”, poema de minha ex-poetaluna Alcione Souza; a estréia de Marina Montenegro declamando “Ismália”, de Alphonsus Guimarães; a poesia guerreira de Wagner Monteiro; Luan Barros declamando a letra de música “Telhados de Paris”, de Nei Lisboa; eu declamando “Sob um céu de blues”, da saudosa banda gaúcha Cascavelletes, acompanhado do violão blues de Zé Ricardo; o show rep de Paulo Roberto com o Graveto Old Style.



Neste terceiro vídeo do Sarau Solidões Coletivas In Bar 13, declamei o poema em homenagem ao aniversário de Cíbila Farani; o poema interativo de Gilson Gabriel, uma “ode ao coletivo”, com a participação animada do público; o Acoustic Project em versão elétrica – Gabriel Carvalho e Emanuel Coelho mandando composições elétricas de autoria própria; a prosa poética de Raquel Leal para Cíbila Farani; o poema de Leonel declamado por Patrícia Correa; o retorno de Alexsandro Ramos declamando poemas de Erick Ramos e de Castro Alves; eu declamando Ana (diplose), em homenagem a musa Ana, de “Refrão de Bolero”, dos Engenheiros do Hawaii; a estréia do rapper Diego acompanhado da guitarra de Gabriel Carvalho; a “Miss Tatoo” de Gilson Gabriel; o tributo a Emílio Santiago feito por Erick Ramos e Juliana Guida Maia; mais poemas de Patrícia Correa; a segunda parte do stand comedy de Ronaldo Brechane.


Neste quarto vídeo do Sarau Solidões Coletivas In Bar 13, declamei o poema de Rabib Floriano em homenagem ao heavy metal; o show do Black Cult, com Davi Barros, Eddie Mendonça e Uli Barros, voltando às origens black metal e com a presença ilustre do lendário Metal; o poema “Oração heavy metal ao Cisne negro”, em tributo a Cruz e Sousa e Metallica, declamado por mim, acompanhado da guitarra de Eddie Mendonça e a batera de Uli Barros; a dama entre a guerra e o poema Raquel Leal declamando poema em homenagem ao meu diálogo poético com Aquiles Peleios; novos poemas de Patrícia Correa; o poema “Dimensões Metallicas”, de Karina Silva, declamado por mim e por ela; o poema “Sociedade Maldita”, de Luiz Guilherme Monteiro, declamado por mim, acompanhado da guitarra de Karina Silva. 

Neste quinto e último vídeo do Sarau Solidões Coletivas In Bar 13, declamei o meu poema “Trando folga do sistema”, em homenagem à banda System of Down, acompanhado do violão de Breno Meirelles e a batera de Uli Barros; o show de José Ricardo Maia, mandando Charlie Brown Jr., Legião Urbana, entre outras canções, acompanhado da bateria de Uli Barros. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Ensaio sobre a cegueira dos bêbados (de amor)


Sexta-feira, dia em que homens e mulheres solteiros se preparam para a caçada noturna de todo fim de semana: a busca em bares e boites por um remédio contra a solidão: o amor, que cada vez parece mais escasso na cidade. E, às vezes, encontramos esse alguém, mas o alvo de nossos desejos não percebe o que nosso olhar pede, entramos na friendzone, nos tornamos amigos de quem desejamos, então bebemos, bebemos, bebemos; apenas o olhar mantém o desejo que ninguém além de nós mesmos consegue ver. Mas a poesia vê, o poema nos vê além de nossas máscaras.

O meu poema de hoje, inédito ainda, foi construído inspirado na colega Bárbara, que nutria desejos por um amigo meu, com o qual quase sempre ela esbarrava nas noites de sexta-feira e, com ele, bebia até tarde, mas raramente algo acontecia entre eles. Um poema que fala o que os lábios calados deveriam gritar.
Pra ser lido ouvindo “Preciso dizer que te amo”, de Cazuza, ou “Por que não eu?”, do Kid Abelha.

Ensaio sobre 
a cegueira dos bêbados 
(de amor)

Não vejo suas palavras...
O que vejo é a sua timidez
trancada pelos gritos
contidos nos ingredientes alcoólicos
dessa mistura que nos embriaga.

Mas não se cale; isso é apenas um olhar...
Continue falando o que não vou escutar.
Enquanto isso, bebo seu sorriso sério,
sua mímica lírica que me hipnotiza,
seus signos mudos que beijam meus olhos surdos.

Não sinto seus toques...
O que sinto é a sua distância
desviada pelos caminhos
infinitos nos atalhos viciosos
desse líquido superficial.

Mas não pare; isso é apenas um olhar...
Continue apalpando o que não vai me sensibilizar.
Enquanto isso, percorro sua estrada impossível,
suas trilhas oníricas que me iluminam,
seus passos no escuro que alcançam minha cegueira brilhante.

E a conta está sobre a mesa
com valores que nos saltam aos olhos!

Mas não pule; isso não é nada!
Eu pago tudo e partimos!
Enquanto isso, você se despede de minha máscara polida,
dos bolsos vazios em meu olhar sozinho...

Então eu lhe digo:
Até mais, a gente se vê...


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Solidões compartilhadas: A vingança nos olhos de lince ferida de Cristina Lebre


Ainda falando em artes que envolvem o tema vingança, amores e desamores, compartilho hoje minhas solidões poéticas com a fodástica poetamiga carioca Cristina Lebre. Conheci a escritora Cristina Lebre na edição de maio do ano passado do Identidade Cultural & Movimento Culturista, por intermédio da organizadora Janaína da Cunha e de Lucilia Dowslley, organizadora do evento Brinde à Poesia. Na época, Cristina Lebre estava lançando seu primeiro livro, o intenso “Olhos de Lince” (recomendo que visitem o blog da escritora no link: http://crislebre.blogspot.com.br/ ).
Quando adquiri uma edição da obra de Cristina Lebre e li seu conteúdo, fiquei extasiado com alguns poemas, entre eles o sinistro e fodástico “Novembro negro” e o neo-simbolista, um misto de Hilda Hilst com Cecília Meireles, o tenso e mais-que-fodástico “Vingança”, poema que tenho o prazer de compartilhar hoje no blog. Destaco a riqueza de imagens, a tensão sonora em aliterações - uso de palavras diversas cujas letras trazem os mesmos sons - com vocábulos de sons fechados, as rimas internas e externas, somados a reversões de significados a partir de versos parecidos, mas com algumas palavras intencionalmente e genialmente trocadas (é o caso do verso “Procuro o bem no meio do mal” que reaparece na estrofe final como “Encontro o mal no meio do bem”). A “Vingança” é cruelmente bem elaborada, trazendo-me novos significados a cada momento e estado em que os leio; o eu lírico de Cristina Lebre conseguiu: nossos olhos terminam a leitura compartilhando de sua dor vingativa pelo “caminho que ainda não se abriu”.
Seja o mal em meio ao bem, seja o bem em meio ao mal, que a vingança de Cristina Lebre nos seja sempre mortalmente maravilhosa, amigos leitores! 
    
Vingança

Acima da névoa, abaixo do céu
busco o caminho que ainda não se abriu
os punhos fechados na dor cruel
o corpo frustrado de quem não viu,
não sentiu.

Chego cansada, sou flechada
pela chaga do tempo.
Maldoso punhal sombrio
saudade que voa sem vento
afia a lâmina, enfia macio
sangra a carne embolada na noite
agoniza as vísceras
parte a testa queimada de frio.

Me tira o medo que a treva contém
matando meus sonhos calados
ai, quem me dera tirá-los
matando pesadelos, também.

Procuro o bem no meio do mal
Somente ali posso achá-lo.
Menino sem rosto, me deixa no areal
somente ali posso amá-lo.
Planície sem nuvens, dunas sem sal
me leva voando pro topo do mundo,
luz no fim do túnel, irrita meus olhos,
somente assim acordá-los.

Encontro o mal no meio do bem
ai, quem me dera encontrá-lo
machucando teus olhos também.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Agora é minha vez de abusar de MC Anitta (na ficção): Minha (sub)versão para a Menina Má


Ontem meus alunos-escritores, da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, de Teresópolis/RJ, mostraram seus talentos narrativos, recontando a história do clipe “Menina má”, de MC Anitta. Hoje, inspirado neles, chegou a minha vez, é o momento de apresentar minha (sub)versão da história do clipe de MC Anitta!
A minha (sub)versão da história é contada em primeira pessoa, como aconteceu em vários contos que eu publiquei ontem, mas o meu narrador-personagem não é a menina má, nem o rapaz que a esnobou na infância; resolvi recontar a história, com algumas alterações nos acontecimentos, na visão de um personagem que passa quase despercebido pela sua condição de objeto no clipe, narro minha história através do cara que a menina má utiliza para fazer ciúmes no rapaz que a esnobou na infância. Sim, aquele personagem secundário do clipe, em meu conto, é o narrador-protagonista, uma das estrelas dessa saga de amor, ódio e vingança.
O título do meu conto faz referência ao romance “Presença de Anita” (1948), de Mário Donato, que foi transformado em uma minissérie brasileira de 16 capítulos, exibida pela Rede Globo, de 7 de agosto a 31 de agosto de 2001.
Para lembrarmos que todos somos protagonistas de nossas histórias, por mais secundários que pareçamos, amigos leitores.




Presença de Anitta 
(ou A vida inteira em um beijo seu)

            Anitta era uma garota muito linda, a menina mais linda do 5.º ano C. Estudávamos na mesma sala, ela na primeira carteira do canto direito, eu na última do canto esquerdo. Ficava admirando-a de longe, razão pela qual o professor Sócrates sempre me chamava a atenção:
            - Sempre aéreo, Platão! Como vai passar de ano distraído desse jeito?
            Mas eu não estava preocupado com o ano, que, aprovado ou não, me passaria velozmente de qualquer jeito. Queria era gastar o tempo todo admirando a linda Anitta. Pena que ela só tinha olhos para o babaca do Homero, do 8.º ano A. Cego pelo ego, Homero só amava a si mesmo, vivia admirando sua própria musculatura e esnobando as garotas da escola.
            Eu seguia Anitta na entrada da escola, no recreio, na saída, em todos os momentos. Era como uma câmera de reality show que registrava cada instante da participante favorita. Tanto que eu estava bem perto dela, na saída da escola, quando vi Anitta tomar coragem, se aproximar de Homero e entregar-lhe uma carta. Assisti revoltado à cena: Homero leu a carta de Anitta em voz alta, com tom de deboche, na frente de todos, na frente dela! Vi o semblante doce de Anitta ganhando contornos de tristeza, vergonha e raiva. Homero e os amigos riam, enquanto Anitta se transformava em alguém irreconhecível; era o fim da garota doce, era o início da menina má. E eu não fiz nada... apenas senti o furacão furioso do corpo de Anitta passar por mim e partir.
            Depois disso, nunca mais a vi naquele ano. Disseram que a mãe dela a trocou de escola. Já Homero virou uma lenda entre os alunos: “Lá vem o garoto mau que espantou a pirralha da Anitta”. Ouvi tudo calado, reparei como Homero se sentia envaidecido com o mito criado, mas eu nada podia fazer, afinal também era considerado um pirralho. Mas desejei ardentemente que Homero, um dia, pagasse por seus crimes.
            Os anos seguintes passaram arrastado, sem Anitta, sem motivos para sorrir, nem para sonhar. Homero completou o nono ano e, sem aptidão para os estudos, abandonou o ensino médio e abriu uma oficina ao lado de minha casa, com patrocínio de seu pai, um senhor arrogante que vivia cantando as mulheres da vizinhança. Passei minha adolescência e início de juventude tendo que aturar a presença inconveniente de Homero como uma espécie de vizinho. Pra piorar, minha mãe começou a se engraçar com o pai de Homero:
            - Não me olhe assim, Platão! O pai do Homero é viúvo e eu estou separada de seu pai. Não há nada de errado nisso, rapaz!
            Jovem, descobri que o crime compensa: o pai de Homero passou a freqüentar minha casa e a oficina de seu filho prosperava. Pra se livrar de minha presença incômoda, o pai de Homero fez seu filho tornar-me aprendiz de mecânico na oficina.
            - Não é assim, seu burro! Presta a atenção, pô! – passei o resto de minha juventude aturando a ignorância de Homero, meu “irmão por consideração”, predicativo que minha mãe dava a ele e que eu negava veemente.
            Nesse período, os anos se arrastaram sem brilho e com muita graxa. Minha existência teria sido medíocre, se não fosse o retorno triunfal de Anitta.
            Era um dia de sol intenso, muito trabalho na oficina, Homero e eu ralávamos incansavelmente, apesar do forte calor. Foi quando ela entrou na oficina e o mundo pareceu ter parado para contemplá-la: Anitta estava na nossa frente, mais madura, maravilhosa, trajando um vestido transparente, mais linda e sensual que nunca! Apesar de seu olhar frio e hipnótico, diferente de outrora, reconheci logo minha musa de infância. Já Homero não; continuava sendo o mesmo babaca de antes, o mesmo idiota que só repara em si mesmo.
            No rádio da oficina, tocava um funk. Sem dizer palavra, ela começou a dançar e a provocar Homero. Pensando ter encontrado uma presa fácil para seus encantos ‘irresistíveis’, ele fechou a porta da oficina, olhou aquela deusa provocante lhe dando condição e me empurrou:
            - Vai lá pros fundos limpar as peças, Platão! Vaza daqui!
            Antes de sair, olhei para trás e vi Anitta continuar sua dança provocante e empurrar Homero na cadeira, próxima à mesa onde fazíamos os orçamentos para os clientes.
            - Ah, você gosta de bancar a mandona, cadelinha? Uh, vai me amarrar também! É isso aí, cadelinha, manda que o teu macho obedece! – definitivamente ficar nos fundos da oficina ouvindo as bobagens de Homero, imaginando-o com Anitta, depois de tudo que ele fez, era o fim. De costas para tudo, cerrei os punhos e pensei em finalmente tomar uma atitude, ou, pelo menos, sair daquele cenário de terror.
            Foi quando senti o toque ardente de Anitta em minhas costas. Me virei, nossa, ela estava linda! Mesmo suada, senti seu perfume provocante, nossos corpos próximos. Anitta trazia um sorriso maligno, mas permanecia fascinante pra mim:
            - Vem comigo, Platão! – pensei em lhe perguntar se ela lembrava de mim ou citava o meu nome porque ouviu Homero falar comigo, mas seus olhos não pediam dúvida, apenas obediência. Como na infância, apenas a segui.
            De volta à área principal da oficina, vi Homero amarrado na cadeira, se debatendo e praguejando. O som alto do funk no rádio abafava os xingamentos dele. Anitta colocou o dedo indicador da sua mão direita nos lábios dele, recomendando que se calasse. Desolado e intimidado pelo olhar de Anitta, Homero só pôde obedecer.
            Então, na frente dele, Anitta me puxou de encontro ao corpo dela e me beijou na boca. Senti meu corpo afastar-se da Terra e transformar cada segundo daquele beijo numa eternidade. “Ah, Anitta estava me usando pra se vingar de Homero; eu era um mero objeto de seu plano”, minha consciência condenava minha passividade diante da garota, mas, ah, bem que eu estava gostando! Ah, uma vida inteira em um beijo!
            Acordei do êxtase quando Anitta afastou seus lábios dos meus e suavemente me empurrou. Olhei nos olhos dela; éramos cúmplices de uma vingança bem feita. Não havia mais ódio em seu olhar, apenas um brilho satisfeito de justiça. Então ela desciou seu olhar para a porta. Não era mais uma menina má; era novamente a doce Anitta, que precisava partir, seguir em frente.
            Busquei ser cavalheiro, abri a porta da oficina e fiz uma leve mesura, indicando-lhe a saída. Anitta tocou de leve o meu rosto, fez uma breve carícia, deu o sorriso mais lindo que já vi em toda minha vida e foi embora, sem olhar pra trás, deixando ainda mais desolado o estúpido e amarrado Homero.
            Fora em alguns sonhos esporádicos, nunca mais vi Anitta. No dia seguinte à sua visita, Homero e eu continuamos os trabalhos na oficina. Ele não me demitiu, nem me dirigiu mais nenhuma ofensa. Homero parecia estabelecer com isso um contrato de silêncio sobre o vergonhoso episódio. Imagino a cara que ele vai fazer quando ver essa nota publicada no meu facebook e em outras redes sociais! Nunca gostei dele mesmo e, caso me demita, até que me faria um favor. Anitta mudou sua história. Está na hora de eu fazer o mesmo com a minha vida.    

terça-feira, 14 de maio de 2013

Usando e abusando de MC Anitta (na ficção): Histórias de meninas más e garotos maus


Como em toda comemoração do Dia Internacional da Mulher, uma semana antes dessa data especial, pedi que meus alunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, votassem na artista mulher que eles desejavam que eu destacasse em 2013. Em 3 salas das 4 nas quais leciono, MC Anitta ganhou a eleição de artista mulher destaque. Confesso que primeiro fiz careta, mais por desconhecimento da fodástica artista que por desprezo ao valor artístico da artista, porém cumpri o prometido e estudei a vida e arte de MC Anitta.


Apesar de eu não ser muito fã do ritmo funk carioca, admito que me rendi ao som e estilo de Anitta, bastante diferente da postura de outras musas do funk de outrora. Anitta criou uma nova persona para a funkeira: ela é a menina má, meiga e abusada, que não permite que os homens a tratem como objeto de seus desejos; ao contrário, os eus líricos das canções de Anitta usam e abusam dos rapazes e, se eles não se portarem bem, são descartados e, dependendo da ofensa, humilhados pela menina má. Trabalhei com os alunos, principalmente, a canção “Menina má”, sucesso nas 4 salas em que apliquei a atividade. A partir daí, tecemos comparações com a Menina Má, do livro “Travessuras da Menina Má”, do escritor ‘nobel de literatura’, o peruano Vargas Llosa, e com a “boneca má”, de uma canção da banda carioca de rock Leela.
De todas as atividades, a que mais deixou os alunos vidrados foi o clipe oficial da canção “Menina má”, cujo enredo conta-nos a história de uma menina que, após ser rejeitada e humilhada pela sua paixão de infância (todo garoto e garota, entre 8 e 16 anos, já passou por isso em algum momento de sua vida escolar rs), torna-se uma garota má e, com o passar do tempo, vinga-se do ex-amor. Percebendo a fascinação dos alunos por Anitta e pelo clipe “Menina má”, pedi que eles produzissem um conto, recontando ou recriando, cada um à sua maneira, a história de amor e vingança do vídeo dado.
Abaixo tenho o prazer de compartilhar com vocês alguns desses fodásticos contos de garotos maus e meninas más. Mostrando talento e dedicação, os alunos-escritores dos oitavos e nonos anos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva trazem grandes releituras da história do clipe “Menina má”: alguns mantiveram a história original do clipe, modificando o foco narrativo – uns interpretando o papel da menina má, outros do rapaz, vítima da vingança da menina má -; outros construíram uma história completamente diferente do clipe, porém mantendo a essência de amor, desprezo e vingança; outros associaram a canção de Anitta a músicas de outros cantores (como “Baba, baby, baba”, de Kelly Key, e “Eu me apaixonei pela pessoa errada”, do grupo de pagode Exaltassamba); outros se basearam em episódios de séries de sucesso como "Todo mundo odeia o Chris"; outros modificaram o final da história, alteraram nomes, mudaram espaços ou inverteram os papéis do roteiro original (há, por exemplo, “Um menino mau”, de José Vitor e Rafaela Ribeiro, que lembra aqueles contos cruéis do premiado contista paranaense Dalton Trevisan; já “A menina má de Athirson” faz o protagonista de gato e sapato do começo ao fim; enquanto em “O aprendizado de Rayssa”, inspirado em fatos reais, segundo a escritora, termina com uma reflexão, e não uma vingança), seja como for, todos mostraram talento e genialidade para construírem narrativas envolventes de amores, dores e vinganças. A coletânea ainda inclui um poema inspiradíssimo na canção, feito por Wanessa e Lizandra, sem preocupação de receber pontos extras pela atividade!
Preparem-se, leitores, pois vocês estão prestes a conhecer grandes contos de fortes emoções e terríveis vinganças contra aqueles que rejeitam o amor da infância!
(E não percam: amanhã trago a minha releitura da Menina Má, um conto inspirado nas obras fodásticas dos meus alunos-escritores!)


    
Chagas no coração

            Eu me lembro quando estudava na 3.ª série. Gostava muito de um menino chamado Jonathan, Era bom, pois, pelo menos, ele falava comigo; achava que eu gostava dele só como amigo.
            Um dia eu tive coragem e escrevi tudo que sentia por ele. Pedi a uma amiga para que entregasse a carta e fiquei vendo de longe como ele iria reagir. Quando ele abriu e leu a carta, rasgou-a, depois se aproximou de mim e disse:
            - Nunca vou querer você! Você é muito criança pra mim, vê se enxerga!
            Então saí correndo para o banheiro com o coração cheio de chagas. Eu o amava e ele só me ignorava. Cansada de ser desprezada por ele, resolvi fingir que não gostava dele, mas não deu certo.
            Quando eu estava na 6.ª série, finalmente me curei da paixão doentia que sentia por Jonathan. Foi quando ele reapareceu, chegou até mim e me pediu perdão por tudo que me fez sofrer, me levou até flores.
            Mas era tarde demais: eu estava namorando um menino maravilhoso e que sabia me dar valor. Jonathan, arrependido, me liga até hoje e não me deixa em paz. Mas virei uma menina má para ele e não volto atrás!
(Michaela Pacheco e Tainara Francisco – 8.º Ano A)

O aprendizado de Jakeson

            Aos 8 anos de idade, Jakeson descobriu que gostava de uma menina chamada Vitória, mas ela, sempre acompanhada de suas amigas, nunca dava ideia para ele.
            Certo dia, ele acordou com um pressentimento. Ele pensou que conseguiria ficar com ela se lhe presenteasse com um buquê de rosas vermelhas. Jakeson procurou emprego, mas não conseguiu nenhum. Então resolveu juntar sua mesada, comprou o buquê e deu o presente para Vitória, junto com uma carta. Ao ler a declaração de amor, ela e suas amigas ficaram caçoando dele. Jakeson viu tudo aquilo triste e foi embora.
            Com o passar do tempo, Jakeson pensou em se vinga dela. Numa balada, ela finalmente o notou e quis ficar com ele, mas Jakeson lembrou do episódio passado e deu um fora nela também. Mostrou para Vitória que não havia apenas ela no mundo. Depois da infância, Jakeson viu que havia muitas mulheres melhores que ela.
(Renan Branco, Felipe e Jeferson – 8.º Ano A)

Triste fim de Joselinda

            Havia um menino que se chamava Josecrédio, que gostava muito de uma menina chamada Joselinda. Ela era muito linda, mas nunca dava bola para Josecrédio. Ela era muito linda, mas nunca dava bola para Josecrédio. Ele nunca desistiu. Mesmo sempre tentando, ela não perdia a oportunidade de dar um fora nele.
            O tempo foi passando e ele cada vez tomando mais raiva dela, pois ela chegava perto dele, chamava-o de feio, nojento, colocava-o pra baixo e se colocava lá em cima, poderosa e bonita.
            Eles ficaram mais velhos: Josecrédio se tornou um rapaz legal, maneiro e Joselinda a mesma nojentinha de sempre. Só que ele tinha vários amigos e uma namorada muito mais bonita que ela. Joselinda até ficou um pouco feia, de tão nojenta e egoísta. Tanto que acabou ficando sem ele, sem amigos, sem ninguém.
(Jhekson William de Almeida Ramos, Caio de Oliveira Garcia e Nathan Machado Souza – 8.º Ano A)

O troco

            Quando João era pequeno, gostava de uma menina chamada Maria, que não gostava dele.
            Um dia, João escreveu e entregou uma carta para Maria. Ela, para zoá-lo, começou a mostrar a carta para suas colegas, que começaram a rir dele.
            O tempo passou, João cresceu e virou um grande artista, muito famoso.
Um dia, Maria e João se reencontraram em uma festa. Maria pediu para ficar com ele, mas João, no meio de tantas pessoas, esnobou Maria, colocou-a pra baixo e todo mundo ficou rindo dela. Após isso, ele ainda disse:
- Esse é o troco!
(Patrick Lorran e Cristian – 8.º Ano A)

O menino bom e o menino mau

            Joãozinho era um menino muito legal, que gostava muito de Maria. Ele ia falar com ela, mas Maria nunca dava confiança para Joãozinho.
Mesmo ela o desprezando, ele não perdia as esperanças, tanto que, um dia, tomou coragem e entregou uma carta de amor para Maria.
Ela foi correndo com suas amigas para ler a carta e ele foi atrás delas escondido para ouvir o que Maria acharia de sua declaração. Quando começou a ler as coisas que Joãozinho escreveu, Maria achou tudo horrível.
Então ele a odiou como nunca havia odiado alguém antes.
Alguns anos se passaram e Maria se esqueceu de Joãozinho. Mas ele não se esqueceu de Maria.
Ele ia fazer da vida dela um inferno!
Conforme os anos se passaram, Maria se esqueceu como João era e não sabia que o jovem de quem ela gostava era Joãozinho.
Então ele a desprezou do mesmo jeito que ela o desprezou no passado.
(Rodrigo da Silva Pimentel – 8.º Ano A)


O aprendizado de Rayssa

            Rayssa era uma menina doce e meiga, até que, um dia, apareceu um menino pelo ela qual se apaixonou. O menino falou que também gostava dela, mas depois começou a namorar outra pessoa. E deixou Rayssa de lado.
            Depois de um tempo, ele largou a namorada e disse que estava apaixonado por Rayssa e que ela era o amor da vida dele. Rayssa já estava feliz sozinha e lhe disse não.
            Foi nesse momento que ela aprendeu que não se deve acreditar em qualquer pessoa, nem em qualquer “eu te amo”. Dizer “te amo” qualquer um diz, mas amar de verdade são poucos os que amam.
(Lorraine e Rayssa – 8.º Ano B)

A menina má de Athirson

            Athirson era muito bonito. Com 10 anos de idade e morando na Volta do Pião, ele gostava de uma menina muito bonita chamada Daiara, que tinha 9 anos e era sua vizinha.
            Certo dia, Athirson enviou uma carta pra ela, dizendo que a amava. Ela pegou a carta e foi ler com as amigas. Elas ficaram zombando dele.
            Então eles cresceram, ficaram adultos e ela continuava não dando a mínima pra ele.
            Um lindo dia, Athirson estava passando em frente á casa de Daiara e ela o chamou pra entrar. Empolgado, ele entrou e lá Daiara o amarrou na cama dela. Ela ficou provocando-o, dançando na frente dele só de calcinha e sutiã! Athirson ficou babando! Mas ela achava graça em ver ele babando por ela.
            Daiara ficou sendo pra sempre uma menina muito má com Athirson.
(Athirson – 8.º Ano B)

Claro que não!

            Havia na escola uma menina linda que eu conheci no ano retrasado. Uma vez, tomei coragem e pedi uma chance de namorar com ela, que me respondeu assim:
            - Claro que não!
            - Por que eu sou feio ou sou muito chato ou babaca?
            - Não. Você não é babaca, chato e feio. Você só não faz o meu tipo de menino!
            Mas ela não saía da minha cabeça. Só pensava nela e não conseguia me concentrar nos deveres, nem nas aulas direito.
            Passados alguns dias, ela permaneceu muito má comigo. Pedi de novo. Desta vez ela disse:
            - Claro que não! Você é muito feio e babaca!
            Eu saí de perto dela triste e todos os meninos começaram a rir de mim. Fiquei envergonhado, saí de perto de todo mundo e fiquei sozinho chorando.
            Nesse momento, passou uma menina e me disse:
            - Tadinho! Quer ficar comigo?
            - Claro que sim! – eu respondi.
            Tempos depois, me casei com ela e a menina que eu gostava não se casou. Um dia, ela me falou:
            - Larga dela pra ficar comigo!
            E eu respondi:
            - Claro que não! Lembra que eu te pedi pra ficar comigo e você disse “Claro que não!”? Agora é minha vez de falar: Claro que não!
            Eu me tornei um menino muito mau e saí rindo da cara dela.
(Caio Xavier Damião – 8.º Ano B)

A virada de Jenniffer

            Jenniffer era uma menina que não gostava de ninguém. Mas, quando viu Diego, se apaixonou.
            Depois de um tempo, ela se declarou. Mas ele nem lhe deu ideia. Ela foi crescendo, porém não esquecia o que lhe aconteceu na adolescência.
            Certo dia, Jenniffer reviu Diego. Ele estava careca, com os dentes tortos e Jenniffer estava perfeitamente linda. Diego ameaçou cumprimentá-la, mas Jenniffer virou o rosto e continuou andando. E nem deu ideia.
(Jenniffer – 8.º Ano B)

O arrependimento

            Um dia, à tarde, uma moça gentil e apaixonada por um rapaz, resolveu se abrir para ele, enviando uma carta de amor.
            Ele respondeu com outra carta, dizendo que não gostava dela, que ela era feia e que ela nunca iria ser alguém na vida.
            A moça gentil cresceu e se tornou uma mulher famosa. O rapaz, arrependido do que fez, agora loucamente a quer. Só que agora quem diz não é ela. Agora ela arrumou outro homem.
(Emmanuel e Cleisson – 8.º Ano B)

Dar valor depois que perdeu... Bobagem!

            Num dia de sol, no Colégio Tatalha, o único menino negro fazia suas tarefas como sempre, até que começaram a surgir cartas com uma letra feminina. As cartas eram todas declarações de amor de uma menina doce, que às vezes chegava a ser bobinha. O nome dela era Kelly, conhecida por muitos como Ganibalda. Ele ainda não sabia quem era, mas em sua mente sempre vinha a imagem de uma menina bela.
            Em uma dessas cartas, estava escrito o número dela com a seguinte frase: “ligue pra mim”. O menino então rapidamente ligou pra ela. Quando ela disse “Oi”, ele ficou enlouquecido com a sua voz. Então eles começaram a conversar frequentemente.
            Chegou um dia em que ele resolveu conhecer em pessoa a tal de Kelly. De pronto ela aceitou. No outro dia, ele chegou um pouco mais cedo ao fliperama e esperou, esperou, esperou... Quando percebeu, lá vinha ela com um óculos fundo de garrafa, roupa de freira e trança frouxa. Então ele disse de cabeça baixa:
            - Meu Deus, não sabia que era tão feia assim!
            Quando ele disse isso, ela, decepcionada, saiu chorando.
            No dia seguinte, o corredor da escola estava muito cheio e ele foi ver o que era. Quando chegou, ficou estático; era a Kelly, só que toda arrumada e bonita, igual a uma top model. Então ele foi rapidamente se desculpar, só que levou um fora e foi xingado em 15 idiomas diferentes. E o que sobrou foi lamentar sobre o leite derramado. Só soube dar valor depois que perdeu, mas, então, como sempre, foi humilhado por todos da escola.
(Maiara e Stephany – Turma 8.º Ano B)

Um menino mau

            José Vitor era muito mau, rejeitava todas as meninas que mandavam cartas para ele. Um dia, ele encontrou uma de suas vítimas na rua:
            - Por que você não quer ficar comigo?
            - Por que eu não quero me apaixonar por ninguém agora.
            Mas ela ficou muito traumatizada com a rejeição e insistiu:
            - Eu gosto muito de você!
            Ele respondeu:
            - Mas o nosso amor não pode ser correspondido como você deseja.
            Algum tempo depois, veio a vingança: ela ficou com outro garoto na frente dele.
            José Vitor nem ligou, porque não gostava dela. Mesmo assim, estranhamente, sentiu um pouco de ciúme...
(José Vitor e Rafaela Ribeiro – 8.º Ano B)

Menina Má

            No começo, eu era jovem, gostava da vida, da família, dos amigos e, principalmente, de um garoto. Com o tempo, pra mim, só existia ele; tudo era ele, ou seja, ele se resumia a uma palavra: tudo.
            Mas ele nem ligava pra mim, nem me dava ideia. Mesmo assim, finalmente tomei coragem e me declarei pra ele. O garoto que eu mais amava, mais do que tudo, me deu um fora na frente dos amigos! Passei o maior mico da minha vida; todos ficavam rindo de mim, mas o dia deles chegaria.
            O tempo passou, eu cresci e todos aqueles que me esnobavam agora rastejam aos meus pés.
            O garoto que eu mais amava quando eu era criança, agora me deseja. Mas agora sou eu rejeito. Assim me vingo, pois agora sou uma menina má.
(Alana Gabriel e Victória Karollyne – 9.º Ano A)

A vingança de Anita

            Na minha época de escola, tinha uma menina chamada Anita, que gostava muito de mim; só que ela era muito feinha. Por isso, eu não dava bola pra ela.
            Certo dia, estava indo embora pra casa e, no meio do caminho, ela me puxou pelo braço e me entregou uma carta. Peguei a carta e fui ler com os amigos. Como eu a achava feia, não dei bola e li a carta dando risadas com os meus amigos. Só que ela estava escutando e eu não sabia.
            A Anita cresceu com muita raiva de mim. Ficou muito linda, ela seduzia todos com o seu charme. Eu me arrependi de tê-la esnobado quando éramos pequenos. Quando ela passava em frente a minha oficina, eu ficava doido diante de tanta beleza.
            Certo dia, ela entrou na oficina e começou a me seduzir. Achei que ela ia ficar comigo, mas não: só queria me seduzir. Ela dançava pra mim e eu ficava maluco. Na hora em que fui tentar ficar com ela, Anita saiu da minha oficina me zoando, rindo da minha cara. Ela fez a mesma coisa que eu antes fiz com ela. Me arrependi de tudo que fiz até hoje. Agora sou eu que choro arrependido...
(Bruno Folly e Vinicius Oliveira – 9.º Ano A)

Vergonha

            Seu nome era Luly. Ela era muito apaixonada por João e fazia de tudo para estar ao lado dele. Mas João tinha vergonha dela. Passado certo tempo, a relação continuava a mesma coisa.
            Por coincidência do destino, eles foram estudar na mesma faculdade. Na convivência do dia a dia, João foi percebendo que Luly estava ficando muito linda e que todo mundo a desejava.
            Certo dia, ele chegou até ela e disse que estava gostando dela. A partir daquele dia, fazia de tudo para ela ficar com ele: João mandava flores, bombons, cartas e tudo o que uma mulher gostaria de ganhar. Mas ela lhe disse que não queria ficar com ele, porque, quando ela gostava dele, ele não dava bola a ela.
            Agora é tarde demais para João...
(Daiana Rosa e Karolainy Cruz – 9.º Ano A)

Mudanças (Baba, baby, baba)

            Quando eu era mais jovem, era apaixonada por um garoto; só que ele não me dava ideia.
            Uma vez eu lhe escrevi uma carta. Quando fui entregar, ele começou zombar de mim. Ele estava com uns amigos dele, com os quais foi pra um lugar perto da cachoeira. Eu os segui pra ver se ele iria ler a carta. Chegando lá, escutei um monte de gargalhadas. Cheguei mais perto para ver do que eles estavam rindo: descobri que estavam rindo da minha carta! Fiquei com muita raiva, saí dali correndo e chorando com muito ódio.
            Cheguei em casa, fui direto pro meu quarto e fiquei um bom tempo sem sair de lá.
            Mas o tempo passou, eu cresci e mudei.
Hoje sou mais madura, tenho mais conhecimento sobre as coisas. Agora é ele quem chora por mim; provoco e não fico. Agora baba, baby, baba!
(Caroline de Almeida – 9.º Ano A)

A ex-boba esnobada

            Havia uma garotinha chamada Anitta que era apaixonada por um garotinho chamado Guilherme, que sempre a esnobava. A garotinha ficava muito triste com isso.
            Quando ela fazia cartas ou algo do tipo, ele mostrava para os amigos e todos riam da cara dela.
            Então a garotinha cresceu e decidiu parar de ser uma boba esnobada. Finalmente ela resolveu se vingar. E agora ela não é mais aquela garotinha esnobada, e sim uma menina muito má.
            Um dia, ela chegou ao trabalho da sua antiga paixão, Guilherme, e se vingou dele. Ela o provocou, dançando na sua frente e negando beijá-lo. Ela o amarrou e o obrigou a vê-la ficando com o amigo dele. E agora ele corre atrás dela e ela não está nem aí pra ele.
            Durante a vingança que Guilherme recebeu, ele relembrou do que fazia com Anitta e agora está vendo como dói ser esnobado.
            Anitta se tornou uma menina bonita, rica e poderosa.
(Larissa e Yohana – 9.º Ano A)

A festa da vingança

            Bia era uma menina boa, meiga e apaixonada por um lindo rapaz que se chamava Ricardo. Mas ele a achava uma pirralha, por ser nova demais e ele ser mais experiente que ela. Os dois estudavam na mesma escola; só que ele estava numa série mais avançada que a dela.
            Com o passar dos anos, Bia se transformou em uma menina má, meiga e abusada. Decidiu se vingar daquele palhaço que a desprezava. Dia após dia, Ricardo notou a transformação dela e começou a se apaixonar por ela. Quando ela percebeu isso, fez ele de gato e sapato.
            Algum tempo depois, Ricardo fez uma festa e chamou as meninas mais bonitas da escola, incluindo a Beatriz. Nessa festa, a Beatriz foi linda, perfeita e maravilhosa, não tinha menina mais bonita que ela. Bia usou e abusou de Ricardo e ele ficou igual a um cachorrinho atrás dela. E ela, para se vingar dele, pegou o menino mais bonito da festa e foi para um canto da casa com o rapaz. Ricardo foi atrás e a viu com o garoto, na maior pegação na frente dele. Ricardo sentou-se em uma cadeira e começou a chorar. Bia largou o menino, veio para perto de Ricardo e fez ele lembrar todos os momentos que ele a humilhou na infância.
            Bia foi embora sorrindo, enquanto Ricardo continuava chorando.
(Luciele, Larissa e Vitória – 9.º Ano B)

Sentimentos opostos

            Bruna, aos 10 anos, se encantou por Matheus, um garoto de 14 anos. Bruna era uma menina doce, meiga e muito romântica. Já Matheus era um garoto mau, esnobe e egoísta, que não ligava para os sentimentos que a garota sentia.
            O tempo foi passando e Bruna foi se transformando em uma mulher muito atraente, sedutora e vingativa, a ponto de planejar uma vingança contra o seu primeiro amor que tanto a rejeitou.
            Bruna então começou a mandar mensagens para Matheus, provocando-o muito. Ele, como não era bobo de rejeitar aquele mulherão, marcou um encontro com ela.
            No dia do encontro, Bruna se vestiu tão bem que ficou mais bonita e atraente do que ela já era e foi para o local à espera de Matheus. Quando ele viu Bruna, se apaixonou perdidamente, mas ela disse coisas horríveis para Matheus.
            Magoado, Matheus decidiu ir embora, com a esperança que algum dia iria reconquistá-la.
(Marliane dos Santos Silva, Neliane dos Santos Silva e Greiciane Matias Silva – 9.º Ano B)

Eu me apaixonei pela pessoa errada!!!

            Anita era uma menina estudiosa, alegre, uma garota exemplar. Numa sexta-feira, chegou um aluno novo chamado Igor para a escola onde ela estudava. Foi amor á primeira vista! Como Igor era do 9,º ano e Anita do 7.º ano, ele não dava nenhuma importância para a menina.
            Anita tinha algumas amigas do 9.º ano, que andavam com ela. Um dia, Igor passou perto delas e ficou olhando para Claudia, uma das garotas do 9.º ano. Como Anita era apaixonada por ele, achou que Igor estava olhando para ela. Anita ficou toda alegre e, ao chegar em casa, fez uma carta para Igor, dizendo que o amava muito.
No dia seguinte, entregou a carta para Igor. Ele começou a ler a carta e, percebendo o engano, falou com Anita:
            - Naquele dia, eu não olhei pra você; eu olhei para a Claudia! Não quero uma pirralha como você; me esquece!
            Anita saiu correndo, chorando muito, foi pra casa, se trancou no quarto e começou a pensar:
            “Por que eu estou chorando, se ele não me ama? Nunca mais vou chorar por homem nenhum! O Igor vai ter o que merece!”
            Anita cresceu, ficou bonita e famosa. Igor agora trabalhava numa fazenda. Numa tarde, Anita foi fazer uma visita a ele. Lá, ela levou-o para um canto, ligou o som e começou a rebolar pra ele. Distraído, Igor nem notou que Anita amarrara os seus braços.
            “Agora eu vou me vingar
            Sou menina má”
            E Anita foi embora, deixando Igor amarrado, lembrando de quando ele a humilhou na escola.
(Ana Cristina, Ana Cláudia e Igor Murta – 9.º Ano B)

A vingança da menina má

Desde pequena
recusada
Desde pequena
maltratada

Foi ignorada
pelo seu grande amor

Sofreu, chorou...

Cresceu e a vingança
no seu coração maior ficou

Hoje, se vinga, às vezes chora,
no seu coração agora
não há
mais

O amor!!!
(Wanessa e Lizandra – 9.º Ano B)