sábado, 14 de setembro de 2013

Solidões compartilhadas: Cíbila Farani, tropic'alma, com flores de revolta nas mãos

Hoje tenho o prazer de compartilhar dois poemas da fodástica poetamiga valenciana Cíbila Farani. Desta vez, ele homenageia, de forma brilhante, dois movimentos culturais da década de 60, período em que o Brasil (sobre)vivia sob o jugo da Ditadura Militar: a tropicália e a canção de protesto.
Em tempo: os dois poemas aqui postados serão declamados hoje, às 19h, no SARAU SOLIDÕES COLETIVAS IN BAR 17 – PAZ, AMOR, PROTESTO E TROPICÁLIA – DAS FLORES ESPANCADAS DE VANDRÉ À POESIA CONCRETA ENTRE DUAS ESQUINAS DE SOLIDÕES COLETIVAS, que acontecerá no Mineiru’s Bar e Restaurante, no Jardim de Cima, no centro de Valença/RJ.   

Tropic'alma

Tropecei por acaso num coração caliente
Trópico olhar profundo e quente
Trôpega e tonta levantei febril
Troquei olhares e suspiros loucos
Troquei suores e delírios roucos
Tropical noite de lua cheia
Tropico drink cubano incendeia
Trópica música vibra em mim
Trópico beijo quente e sem fim
Trópico amasso suspiro e abraço
Na tropic’alma de um amor sem fim


Voltando a caminhar

Não caminhamos mais
Nem cantamos também
Corremos e gritamos nas avenidas movimentadas
Porque movimentada é a vida
Acelerada é a nossa capacidade de não enxergar o bem
Flores, já não levamos mais nas mãos erguidas.
A voz que outrora cantou e seguiu canções enaltecidas, hoje emudeceu
Um vento raro de desesperança, frio e cortante, varreu
E meu país varonil sob o jugo de homens cruéis se viu
Civil armado
Civil enganado
Civil pobre
Civil com fome
Civil sem saúde
Civil sem educação
Voltemos a caminhar
Caminhar é preciso
Navegar não é preciso
Caminhar e cantar
E seguir a canção
Ela vibra dentro de ti
Fecha os olhos!
Ouça-a!
Ela pulsa como o pulsar de teu coração.

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