quinta-feira, 15 de agosto de 2013

E esta saudade eu sei de cor: Barcos de papel rasgados


Lamento mais uma vez a distância, amigos leitores; tem acontecido tantas coisas, tantos eventos, que não tive tempo para atualizar o blog neste período. Para compensar, trago um poema inédito, escrito neste momento, guardando as imagens as imagens que trago da praia de Itaoca, em Guimarães/MA, onde se avista o mar no qual o poeta romântico Gonçalves Dias foi levado para a eternidade. Como estou em ritmo de “Rock Brasília”, tema do próximo Sarau Solidões Coletivas In Bar, que acontecerá neste sábado, dia 17 de agosto, às 19h, no Mineiru’s Bar e Restaurante, em Valença/RJ, mas mantenho vivo na memória meus momentos no Maranhão de Gonçalves Dias e estou com uma saudade imensa de minha musa legionária Juliana Guida Maia, acabei misturando Renato Russo com o poeta romântico. O poema abaixo é um misto de “Os barcos”, da banda Legião Urbana, com “Ainda uma vez – Adeus”, de Gonçalves Dias, somados às informações históricas do naufrágio do navio Ville de Bologne, que naufragou e levou consigo os restos mortais do fodástico poeta romântico. Resumindo, é um poema romântico-moderno-balada-rock-brasiliense-gonçalvina-de-saudade-naufragada.
Que todos os trágicos naufrágios em nossas vidas sempre se transformem em mares de eterna poesia, amigos leitores!

Barcos de papel rasgados 
(E esta saudade eu sei de cor)

E esta saudade eu sei de cor,
Sei o caminho dos homens naufragados...
Conheço a praia onde espalhas em mil pedaços
Os meus barcos de papel rasgados
Pela violência da correnteza incerteza
De teus olhos marejados de águas mágoas que não percebi
E quanto mais mergulho meus olhos em ti
Mais me afogo em teu horizonte de indiferença
E nada vale a pena, sereia serena,
Se teus cantos são prantos sem encantos
Que permanecem me afundando
Cada vez mais, cada vez mais,
E nadar não vale a pena, assassina sereia,
Se as pedras de teu mar permanecem prendendo minhas veias poéticas
Cada vez mais, cada vez mais...
Eu vejo tua imagem acima, na superfície distante,
Teu olhar embaçado pelas espumas do antes,
Tua busca incessante por outro além,
Enquanto meus braços pernas palavras parecem se cansar
De nadar por nada, de nadar sem ter nada pra me salvar
E esta morte lenta eu sei de cor,
Sei o destino do teu oceano de dor e adeus:
Meus barcos de papel dissolvidos com o tempo
E eu profundamente perdido bebendo teu líquido veneno
E eu somente eu

E eu, somente... Adeus!


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