sexta-feira, 19 de julho de 2013

Pros que estão no Hotel York, longe de casa

Há mais de um ano atrás, após um show de Hélio Sória em comemoração ao Dia do Rock em São Gonçalo/RJ, alta madrugada, fui para Niterói em busca de um hotel para descansar. Devido ao horário, parei no primeiro que vi: Hotel York. Madrugada insólita, amigos leitores: um homem com sotaque estrangeiro me atendeu, cobrou um valor que não condizia com o quarto sem estrelas no qual fiquei, sem água, com luzes foscas, barulhos estranhos nos quartos vizinhos, uma cama redonda e dura, um espaço um tanto aterrador, talvez o último local em que um ser humano são teria a ousadia de buscar para descansar. Passei a madrugada em claro; meu único propósito, o descanso, não foi concluído naquele espaço.
Tempos mais tarde, Hélio Sória e Janaína da Cunha me contaram que estiveram nesse mesmo hotel extremamente underground e assustador e ficaram também com as lembranças de uma noite estranha e terrível.
Depois de um ano do acontecido, a poetamiga Janaína me sugeriu que fizéssemos um poema sobre essa desventurosa aventura. Lembrar do Hotel York me fez lembrar de um verso da canção da década de 1980, “Pros que estão em casa”, da banda underground carioca Hojerizah, da qual fazia parte o fodástico Toni Platão: “Vi Nova York internada”. Inspirado na canção de Hojerizah e nas lembranças toscas que tenho do lugar, segui a sugestão de Janaína e fiz o meu poema.
Para todos que já conheceram o lado mais hard e tosco da vida underground, amigos leitores!

Pros que estão no Hotel York, 
longe de casa

Estranha madrugada
Em um espaço apertado
Via láctea da ressaca
Quarto sem estrelas
Sussurros nas janelas
Trevas iluminadas
O inferno para o descanso
Paraíso só para os demônios
Eis minha carne cansada
No Hotel York internada
(inter – nada!)

E mais uma vez não durmo nada
Outra insônia, a cara amassada
O Hotel York se distancia
Cruzo a avenida, de volta à vida
Mexo nos bolsos – desta vez não perdi nada
Talvez apenas um pedaço de minha alma

Dilacerada.


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