sexta-feira, 21 de junho de 2013

Motivos do meu desaparecimento (ou Por que Soneca não participou do protesto)

Como podem perceber, amigos leitores, mais uma vez andei desaparecido. Confesso que tenho andado mais cansado que o normal, tenho trabalhado demais, amo demais todas as turmas às quais dou aula nesse ano, mas o meu corpo tem sentido o peso da carga horária triplicada. Tanto que eu, logo eu, que sempre desejei ver nosso povo acordado protestando, logo eu, que sempre gostei de ver o circo de horrores pegando fogo e dando lugar ao protesto caótico e organizado dos amigos brasileiro enlouquecidos pela lucidez, logo agora, nesse momento revolucionário de nossa história, logo agora, eu dormi antes do momento da manifestação que aconteceu em Teresópolis/RJ, ontem, dia 20 de junho. É, amigos leitores, confesso com vergonha: o Brasil acordou enquanto eu dormia pavorosamente cansado. Acordei no fim da noite, meio arrasado, meio frustrado e ainda cansado: é aquela sensação de preparar exaustivamente o fogo, mas não ver a fogueira plenamente acesa e só acordar diante da fumaça. Assisto aos vídeos, vejo as faces revoltadas libertadas da alienação e – putz! – como eu queria ter estado lá! Mas não foi dessa vez, ai, ai, não foi dessa vez... Ah, mas no próximo estarei, com certeza estarei!
Enquanto isso me restou fazer um poema frustrado, sensação de alguém que viu a revolução passar e não participou. Fiz em terceira pessoa, tamanha a vergonha desse meu eu, cansado e dorminhoco.
Pra lembrarmos sempre de ligarmos o despertador nesses momentos de agonia e desejo de mudanças há tanto tempo adormecidas em nós, amigos leitores!

A agonia do adormecido
(ou Soneca não foi à passeata e lamentou a maçã envenenada da bruxa cansaço)

O mundo em chamas
Enquanto ele dormia...
A revolução que sempre sonhara
Finalmente acontecia:
Tudo como desejara,
Tudo como queria,
Porém ele dormira.

Restou-lhe observar a simpática fumaça
No amanhecer cinza do outro dia;
Sobrou-lhe a cara amassada,
Maltratada pela rotina vazia...

“Que a chama nunca mais se apague,
Por favor...”
Ele acende a vela que arde em sua face,
A nosso favor.

Com os fósforos nas mãos,
Ele deseja o próximo incêndio da multidão.
Com os fósforos nas mãos,

Ele espera que a insônia o acorde pra revolução.

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