segunda-feira, 6 de maio de 2013

Solidões tatuadas compartilhadas: A Miss Tattoo de Gilson Gabriel



Ah, as mulheres tatuadas! Toda mulher tem seu charme, sua arte enigma sedução, mas as mulheres tatuadas, ah, elas trazem no corpo um verso de mistério a mais, uma tinta nova de arte enigma sedução! Sou fascinado por mulheres tatuadas, confesso que viajo nas danças dos desenhos tatuados passeando na pele do corpo em movimento. Por essa razão, somada ao talento sublime do fodástico poetamigo valenciano com quem compartilho minhas solidões poéticas hoje (minha poética chega no dedo mindinho dos pés poéticos desse papa da poesia), publico o mais-que-fodástico poema “Miss Tattoo”, do escritor-mestre Gilson Gabriel. O poema é viagem vertigem pelos corpos femininos tatuados que desfilam nos olhos fascinados do eu lírico voyeur, a imagem externa provocando delírios no olhar interno do admirador. O poema abaixo é mais uma obra-prima de Gilson Gabriel, cujos versos grudam na pele, no coração, no compartilhamento da admiração pela arte que ronda os corpos de quem se tatua.
Em tempo: o poema foi declamado pelo próprio Gilson Gabriel no Sarau Solidões Coletivas In Bar do dia 20 de abril, na Boite Mr. Night (em breve, os vídeos estarão disponíveis aqui no blog; assim que minha conexão da internet – mais conhecida como “lerdanet”- finalizar o envio dos arquivos para o youtube).
Viajemos, amigos leitores, pelas superfícies fascinantes das musas poéticas de Gilson Gabriel!

Miss Tattoo

Ela tatuou asas nas costas.
Imaginaria ela ser um anjo?
Seria mesmo a criatura um ser de luz?
Voaria ela por aí a nos guardar?
Ou suas asas encobririam um ser que não se pode mostrar?

Ela tem laços tatuados em suas pernas.
Seria ela uma figura embrulhada
Ou para algum incógnito amante terno presente?
E sem os laços se solta e flana livre por aí?
Ou com os mesmos se embaralha e se amarra eternamente?

Ela tem flores por todo o corpo tatuadas.
Seria ela o adorno do entorno do castelo
Que colore e perfuma quem passa por suas estradas?
Ou incorpora astral jardim em pétalas e espinhos
Com os quais disfarça dores presentes e passadas?

Ela traz nos braços e pernas traços tribais.
Compõe assim, pictoricamente, seu traje de guerreira?
Faz assim sua ligação com seus deuses e deusas?
Fortifícasse entre curvas e pontos a ponto de impor-se a quem lhe enfrente?
Ou compõe, a um amado, uma sinfonia que toca, se a toca?

Ela transcreveu na pele as notas que por aí entoa.
Aguarda ela que seu pássaro encantado lhe ouça
E reconheça nela o amor eterno que ainda espera?
Ou quer ser lida feito partitura onde declaração maior inspire
E possa ser solfejos, cantos líricos, hinos de guerra?

Ela pintou, de alto a baixo de seu corpo, um amor dragão
Que vez ou outra se transforma em borboleta.
Será que vai um dia, enfim, ter asas como tanto sonha?
E vai poder assim planar, subir aos céus, ser livre então?
Ou vai fugir daqui em disparada, buscando um mundo que a ela não se oponha?


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