segunda-feira, 4 de março de 2013

Solidões rockeiras compartilhadas: Ágatha Barros, uma menina fora do padrão, abençoada pelo rock nacional


Hoje o blog inicia sua semana de comemorações e homenagens ao Dia Internacional da Mulher. Por esse motivo, as postagens, a partir de hoje, trazem aqueles encantos únicos que só as grandes poetas (e os olhos fascinados pelo encantamento poético dessas sereias nos encontros das águas dos mares oculares dos leitores e dos poetas, é claro) sabem dar.
Pra começar, compartilho pela primeira vez  as minhas solidões poéticas com a fodástica poetamiga Ágatha Barros, jovem escritora de Valença/RJ. Conheci a talentosa poeta através da amiga Bia e de Luciane, mãe da poeta. Após alguns desencontros (computador que pifa, etc) e alguma insistência, finalmente meus olhos tiveram a oportunidade de prestigiarem a veia poética de Ágatha Barros. Descobri que temos muita coisa em comum: amamos o mesmo estilo musical – yeah, viva o rock nacional! – e atualmente ela faz o ensino médio no mesmo colégio onde cursei os últimos anos do ensino fundamental e o ensino médio também: o histórico Colégio Estadual Theodorico Fonseca.
Ágatha Barros, ao contrário de muitos outros jovens, nada contra a corrente daquilo que chamamos ‘cultura de massa’ (os populares e alienantes tchê tchê rê rês) e coloca seu eu lírico em defesa da literatura e do rock nacional. É notável a quantidade de recursos expressivos e estilísticos que a jovem poeta usa na construção de seu poema, Traz nos seus versos o ritmo rockeiro nacional em rimas bem arranjadas, que, apesar de não serem consideradas ricas (rima rica é quando são usadas palavras de diferentes classes gramaticais com os sons finais iguais para a construção do ritmo), casam bem com o estilo das bandas de rock nacionais das décadas de 1980 e 1990. Além disso, Ágatha usa bem as anáforas (repetições de palavras e/ou expressões em diversos versos do poema) para transformar o seu poema em um hit hipnótico para o leitor; utiliza ironias para destacar suas críticas à alienação, faz uso da aliteração (repetição de sons) em diversos momentos (a repetição do melancólico som do /m/ nos primeiros versos e a repetição do sonoro /l/ no verso “ler livros deveria ser lei”) e lapida alguns versos com o uso (um tanto incomum em jovens poetas) do hipérbato, que é a inversão da organização natural de uma oração (como no penúltimo verso “Sou eu apenas uma menina”, que inverte a ordem natural da organização da oração, que seria ‘Eu sou apenas uma menina’), prova de sua consciência quanto à necessidade do jogo das palavras para aprimoramento do ritmo eletrizantemente suave do poema.
Em tempo: Ágatha Barros estreou e brilhou no mais recente Sarau Solidões Coletivas In Bar, no Mineiru’s Bar, do dia 16 de fevereiro, declamando o poema que compartilho hoje, e me prometeu retornar no próximo Sarau Solidões Coletivas In Bar Especial da Mulher, do próximo sábado, dia 09 de março, na Cantina Água na Boca, na Praça XV de novembro, 452, no Centro de Valença/RJ (na rua atrás da Catedral Nossa Senhora da Glória), às 19h.
Aplaudamos de pé esse novo talento, amigos leitores! E mais uma vez gritemos: Viva Ágatha Barros!!! Viva o Rock Nacional!!!

Uma menina fora do padrão

Em um país onde as músicas
são baseadas em tchê tchê rê rê
e mulheres são nomeadas como frutas,
ler livros deveria ser lei
e um poeta deveria ser rei.

Em um país em que a pobreza
não importa tanto quanto a Copa
e beleza significa mais que caráter,
quem sou eu?

Uma menina fora do padrão
que ama Paralamas, curte Los Hermanos,
acha Cássia Eller sem igual;
que curte as músicas do Barão
e adora Capital Inicial.

Sou eu apenas uma menina
Que ama hoje e sempre o Rock nacional!

Um comentário:

  1. so vc msmo gatinha ...
    t amo amo amo sdds e parabéns pelo sucesso ai ta rsrs

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