segunda-feira, 25 de março de 2013

Sarau Solidões Coletivas In Bar 12: Só os loucos sabem o quanto ralamos


Foram momentos iniciais tensos, mas, no final, gratificantes, emocionantes e vibrantes. No último Sarau Solidões Coletivas In Bar, marcado para o dia 16 de março, às 19h, tivemos sérios problemas com o bar / espaço onde foi marcado o evento. Sem nos avisar previamente, a dona do estabelecimento simplesmente manteve as portas fechadas e nos disse, somente no momento do evento, que não abriria, gerando aflição nos participantes (principalmente neste blogueiro que vos fala) e aquela sensação desesperada: “E agora? O que faremos: vamos ficar sem o sarau do terceiro sábado de março?”
Não é a primeira vez que passamos por sufocos como esses; apesar de não cobrarmos cachê, nem todos os bares que nos cedem o espaço são leais a nós; desmarcam os eventos quando bem entendem, mostrando incompreensão pra um evento, que, apesar de toda alegria, possui uma proposta séria: gerar uma tradição cultural de saraus na cidade. Tem momentos que acho que alguns comerciantes devem nos achar um bando de artistas à toa que fazem o sarau simplesmente por hobby e cujo evento eles podem desmarcar a qualquer hora, apesar de lucrarem bastante com o movimento artístico e a gente não levar um centavo desse lucro. Mas nenhum deles havia dado um golpe tão certeiro: a dona do bar, onde estava marcado o evento do dia 16 de março, simplesmente não desmarcou antecipadamente; deixou a divulgação e a movimentação acontecerem e, quando chegamos ao local, estava fechado, declaradamente fechado! Cogitou-se não fazermos o sarau do terceiro sábado de março, cancelarmos; mas e a tradição cultural que havíamos defendido? Como assim ficarmos sem o evento de março com todos ali, a aparelhagem de som, os poemas, as músicas, os sonhos? Por intermédio de Ronaldo Brechane, conseguimos remarcar em cima da hora o evento com o dono da boite Mr. Night, que, sensibilizado com a nossa situação, resolveu abrir as portas pra gente.
E foi demais!!! Mesmo com a mudança de local em cima da hora, tivemos um bom movimento de pessoas; todos os artistas se uniram pra levar público e dar o melhor de si neste décimo segundo sarau. Foi demais mesmo!!! O “Sarau Solidões Coletivas In Bar 12: Mr. Tambourine Man e Chorão numa Temporada no Inferno On the Road – Tributo a Bob Dylan, Charlie Brown Jr., Rimbaud e à Geração Beat” foi um dos mais emocionantes, como vocês podem conferir nos vídeos abaixo. Após os vídeos, publico o depoimento da artistamiga Cíbila Farani, participante constante do sarau, relatando este evento recente. Vale muito a pena ler pra tentar nos entender (sim, chegamos a um ano de vida e continuamos ignorados por alguns e bastante incompreendidos por muitos na nossa manifestação). Faço das palavras de Cíbila Farani as minhas e as do Sarau Solidões Coletivas In Bar. Lamento informar aos alienadores de plantão, mas vamos continuar. Arte sempre!!!








Sartrando com o Sarau Solidões Coletivas In Bar 12, por Cíbila Farani "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você." Jean Paul Sartre Sartre estava certo. E Nietszche também, quando disse que "nada pertence mais a nós mesmos do que os nossos sonhos." Ambas as reflexões desses dois grandes homens que um dia pisaram nesta terra, hoje me serviram de apoio e de matéria-prima para o que ontem presenciei. Um acontecimento interessante, uma situação que tinha tudo para terminar da forma mais indesejada possível, mas que acabou dando certo no fim, e uma prova concreta de que essas duas frases, ditas por dois homens sábios em lugares e épocas distintas, são tão perfeitamente aplicáveis ainda nos dias de hoje.O Sarau Solidões Coletivas, para quem ainda não sabe bem do que se trata, ou, nem ouviu falar, é um evento que transcende à declamação de poesias e à apresentação de peças musicais. Já deixou de ser isso há tempos. O Sarau Solidões Coletivas se transformou num grande ser humano, e adquiriu características de todos os que ali estão presentes, desde o amigo que verifica a regulagem do som ao idealizador do evento. Somos todos um. E somos cada vez mais fortes, mais coletivos, menos solidões.
O episódio peculiar acontecido no dia 16 de Março de 2013, me fez refletir sobre as frases que escolhi para iniciar este texto. O bar onde realizaríamos o evento deste sábado, simplesmente não abriu suas portas e não comunicou a ninguém ligado à realização do Sarau esta decisão. Ficamos parados à frente do bar, buscando locais alternativos, em cima da hora, para a realização do evento, e um dos organizadores conseguiu, junto ao dono da Boate Mr. Night, que pudéssemos então transferir para lá o nosso Sarau Solidões Coletivas in Bar.O que poderia ter dado errado, acabou dando certo. Sendo assim, antes de mais nada, este texto é um profundo agradecimento. Um agradecimento às pessoas que acreditam naquilo que fazem, às pessoas que acreditam nas pessoas e em seus sonhos, ao Universo que conspira para que consigamos realizar o que sonhamos. Um agradecimento à oportunidade de aprendizado proporcionado pela falta de respeito a um evento sério, apesar de realizado com a descontração que só a poesia e a música trazem em si e irradiam à nossa volta; um aprendizado importante causado pela falta de ética profissional e pela falta de dignidade da palavra e da atitude simples de apenas dizer "não, obrigado, mas não queremos mais". Nós queremos mais! Queremos sempre mais, e ontem, tivemos todas as provas de que enquanto quisermos mais, o mais não nos será negado.Ao comerciante que fechou suas portas para a Arte de forma desrespeitosa, o meu desejo de que algumas lições sejam aprendidas, assim como foram ensinadas.
Ao Sarau Solidões Coletivas, o meu salve, de joelhos prostrados na Mãe Terra e a certeza de que a Arte não morre jamais, nem será calada, intencionalmente ou não, porque aqui estaremos para mostrar aos outros que não importa o que façam conosco, mas sim o que nós fazemos com o que fazem conosco. Nossos sonhos são nossos, mas podem ser todos os sonhos num só e pertencer a todos nós, simultaneamente.

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