sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Velhos poemas juvenis: O resgate do vampiro caipira


1996. Eu tinha entre 16 e 17 anos. Era um tempo de poesia selvagem, rebeldia, diversões com os amigos, rock’n roll, underground, paixões e muito tédio. Meu grupo de amigos e eu éramos jovens fantasmas atormentando a cidade pacata. Frequentávamos as ruas de madrugada, invadíamos o cemitério da cidade para filosofarmos e bebermos no silêncio, longe da multidão de seres (mal)ditos normais, longe dos olhos que nos condenavam como seres anormais. Já trabalhávamos, conhecíamos os crimes e castigos da rotina, das contas e da responsabilidade e não devíamos nada aos adultos que nos censuravam. Éramos tão jovens, contentes em sermos nós mesmos e não aquelas imitações baratas que perambulavam o centro da pequena Valença; éramos esquisitos, éramos nós mesmos.
Foi nessa época que me surgiu esse poema. Outrora planejado para um livro que se chamaria “Vampiros caipiras em busca do eclipse total”, cujos poemas, com o passar do tempo, foram espalhados; alguns, pelos diversos livros que lancei; outros, como o poema que posto hoje, estão guardados para as futuras produções.
Agora estamos em 2013 e muito tempo passou, mas a intensidade do brilho artificial da lua e a busca por diversão e vida nos fins de semana continuam os mesmos. Seja ontem ou hoje, ainda buscamos (interessante como Presente e Pretérito Perfeito se confundem quando os verbos são conjugados na 1.ª pessoa do plural), ainda buscamos luz para nossas escuridões.
Deixo para os amigos leitores mais um de meus velhos poemas juvenis, mais um brilho de minhas escuridões passadas. Caminhemos com nossos vampiros caipiras pela cidade pacata em busca de agitação para nossas vidas.
Dedicado a Anderson Vasconcellos "Teco", Ronaldo Brechane "The Wall" e Márcio "Rato".

Vampiros caipiras

Vinte e quatro horas se passam
E ainda longe de casa...
No meio de tanta gente esquisita,
O esquisito sou eu.
            (E quem sou eu?)
Um vampiro caipira,
Um turista que se guarda nas cinzas
Deste sol que não é meu.

Elas passam – quem são elas?
São testemunhas de minha busca
Por um novo amor
Pois o antigo já morreu.
            (E quem sobreviveu?)
O caçador eterno,
O nômade que passeia no deserto
Atrás do abrigo que a chuva não me deu.

O batom vermelho lhe passa
Uma segurança que não é sua
Mas nos meus olhos
Ela é apenas como eu.
            (E quem somos nós?)
Dois nomes comuns,
Duas noites que procuram a luz
Atrás da lua que o sol escondeu.



Um comentário:

  1. Esses vampiros caipiras têm muita história pra contar rs rs rs e o Teco é o porta voz principal dessas sagas rs rs rs, adoro ouvir as histórias dele sobre essa época e o poema, apesar de bem mais melancólico q as histórias é FODÁSTICO!
    Ps. Queria ter te conhecido na época dessa foto!

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