quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Uma (sub)versão inquieta para "Easy"


Tudo bem, admito, o blog anda meio melancólico e o autor que vos fala não tem sido a pessoa mais positiva do universo (na verdade, nunca fui; mas tenho sido um pouco mais sorumbático que o normal). O tempo também não contribui (ou melhor, ajuda mais ainda a permanência da melancolia): da janela vejo um dia cinza e chuvoso, invernal, nem parece verão. Hoje deixo mais uma tentativa poética de respirar, ainda melancólica, mas ainda uma forma de encontrar ar pra continuar.
Anderson Teco (à esquerda) e eu
no Sarau Solidões Coletivas In Bar
Dia 10 de janeiro chuvoso, aniversário de meu amigo Anderson “Teco” (parceirão da boemia desde quando “ainda éramos tão jovens”), relembro uma canção que ele curtia demais e vivia cantarolando (na época, juntávamos com hippies, punks e loucos nas escadarias da Igreja Nossa Senhora da Glória, com um garrafão de vinho, um violão e a necessidade urgente de se divertir, sobreviver nossa liberdade de cantar de qualquer jeito, poetizar, sorrir); hoje, em homenagem ao Teco, construo uma (sub)versão da canção “Easy”, na versão do Faith No More (a original, dos Commodores teria uma estrofe a mais, suprimida no cover da banda de Mike Patton). Queria algo mais alegre, como o Teco, mas não consegui realizar esse desejo no conteúdo, apesar de a Juliana Guida Maia – para quem li o poema antes de publicar – ter achado a estrofe final meio esperançosa no estilo ‘Renato Russo’.
Que as chuvas de hoje molhem a terra com menos luto e mais vida:

Dizer

É tão estranho como essas chuvas ferem minha pele...
Tanta gota amarga numa doce manhã de verão...
Queria te dizer que nesse ano vamos ficar bem
Mas há sempre um desastre, um abalo...

E eu queria te dizer
Te dizer que nesse dia não haverá nenhuma nova morte...
E eu queria muito te dizer
Te dizer que, apesar do dia, talvez o sol nos retorne...

E eu procuro ar pra te falar
E eu queria fingir
Dizer todas aquelas tolices motivacionais
Eu já tentei fingir
Mas não consegui, oh, babe!

E eu queria te dizer
Te dizer que nesse dia talvez tenhamos mais sorte...
E eu queria muito te dizer
Te dizer que, apesar do dia mórbido, o sol não morre...


Um comentário:

  1. Esse é o problema de ficar tranquilo como uma manhâ de domingo.

    Ela só acontece aos domingos.

    Parafraseando Renato Russo, se vc ficar sorumbático por mais tempo, vão começar a dizer que isso até que lhe cai bem.

    valeu, fera!

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