segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Solidões Compartilhadas In Memoriam: O reggae e a rebeldia de Adriano Gonçalves Dezabutinado


Hoje compartilho minhas solidões poéticas mais uma vez com o fodástico artistamigo Adriano Gonçalves, falecido há pouco tempo, mas eterno em suas composições.
Desta vez, trago mais uma vez a sua face reggae, estilo musical que ele mais cultivou, ora com a banda Dezabutinados, de Nova Iguaçu/RJ, da qual ele fez parte (como podemos ver no vídeo de “Sei lá”), ora em seus momentos solos (como podemos ver no último vídeo do Sarau Solidões Coletivas In Bar de outubro de 2012, já postado aqui no blog).
Também trago a sua face mais rebelde, anti-hipocrisia, como podemos ver na composição “Lá vem os cana”, com linguagem bem coloquial, letra ácida, contestando a lei preconceituosa brasileira (a letra é baseada nas experiências de Adriano Gonçalves, pego algumas vezes com ‘flagrantes’ em duras da polícia. Relembrarmos a trajetória musical do artista não quer dizer transformá-lo em um anjo da moral; significa trazer sua arte na íntegra e o envolvimento intenso com drogas afetou a arte dele e, possivelmente, influenciou na decisão final do Dri de viajar daqui e nunca mais voltar...). Para mostrar o quanto Adriano Gonçalves influenciava os músicos valencianos trago duas versões de “Lá vem os cana”: uma com Fábio Arieira e outra com a Punk Carioca, banda formada, meio que em cima da hora para o Arte Valença realizado em maio de 2010, com Zé Ricardo (guitarra e vocais), Fael Campos (bateria e vocais) e Giovanni Nogueira (baixo).
Que a arte de Adriano permaneça na eternidade, pra gente poder se encontrar, pra ver se o dia passa devagar...    

Sei lá

Sei lá!
Um dia a gente pode se encontrar
Pra ver se o dia passa devagar.
Oh, Jah!
(Passa devagar...)

Amanhã eu vou viajar
Pro Nordeste ou pra Jamaica
Ou pra onde o vento me levar.

No Brasil, aonde tudo acontece
A gente planta flor que ela cresce
Ao mesmo tempo a gente tem que trabalhar
E seguir a nossa estrada

Objetos no caminho,
Pessoas regredindo,
Sujando o chão da terra de vermelho,
Vermelho, vermelho,
Sangue, vermelho!

Sei lá!
Um dia a gente pode se encontrar
Pra ver se o dia passa devagar.
Um dia a gente pode, pode se encontrar
Pra ver se o dia a dia passa, passa devagar
Um dia a gente pode, pode se encontrar
Pra ver se o dia passa, passa!

Objetos no caminho,
Pessoas regredindo,
Sujando o chão da terra,
Plantando a semente do mal.

Sei lá!
Um dia a gente pode se encontrar
Pra ver se o dia passa devagar.
(Passa devagar...)


Lá vem os cana

Lá vem os cana
‘Dichava’ essa bagana
E se adianta, meu ‘cúmpadi’,
Se tu marcar pra ver
Os ‘home’ chega, até te bate
Levar tapa na cara
Não é bom para ninguém;
Não vou mentir pra ti,
Porque eu já levei também
E se tu esculachar trabalhador,
Dreadlock ou estudante
Tudo isso nada importa
Se você tem um flagrante,
Se você tem um fragrante...
Se você é natural,
Sociedade marginal,
Preconceito irracional,
Estamos no Brasil
E isso nunca foi tão normal:
Político ladrão,
Polícia traficante,
Onde isso vai parar?
Meu Deus do Céu, é irritante!



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