sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Solidões compartilhadas in memoriam: O porradeiro e o natural de Adriano Gonçalves


Ninguém vai realmente me explicar por que os dias continuam nublados. Ninguém sabe realmente explicar por que tantos artistas enlouquecem e escolhem sua própria partida quando estão com 27 anos (Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Amy Winehouse, Janes Joplin, Jim Morrison, Brian Jones e, agora você, Adriano Gonçalves). Ninguém sabe me dizer por que o sol se mostrou intenso quando o músico Fabio Arieira cantava “Natural” (música do Adriano com a qual Fabio e Zé Ricardo disputaram o Festival de Música de Rio das Flores de 2012) no enterro do Dri. Ninguém vai realmente conseguir me explicar o que realmente aconteceu (não consigo mais discernir nem o que é real ou ilusão nesse momento). Mas não há máquina do tempo pra resgatar o artistamigo. Só há uma coisa a fazer: mantê-lo vivo através da arte, com a qual Adriano Gonçalves sempre se expressou e brilhou. Um artista só está realmente morto quando não é mais lembrado. Por isso, o próximo Sarau Solidões Coletivas In Bar, programado para o dia 19/01/2013, às 19h, no Bar e Restaurante Cantinho do Churrasco, no Bairro de Fátima (Na descida para a FAA, em frente ao Bar Porão), em Valença/RJ, mudou seus homenageados, acrescentando o fodástico Adriano Gonçalves, compositor que já participou e sempre foi lembrado nas edições do sarau, principalmente pelos músicos Zé Ricardo e Fael Campos. Por isso, também, que o blog, a partir de hoje, lembra e compartilha mais uma vez e sempre suas solidões poéticas com o músico, artesão e compositor Adriano Gonçalves.
Adriano Gonçalves e eu
no Improviso Poético
Começo resgatando uma das músicas mais engraçadas que já ouvi e uma das primeiras que o Dri tocou pra galera: a “Porradeiro”, que nos relembra os tempos dos fliperamas em que nós, aborrecentes, passávamos o dia inteiro lá jogando o viciante “Street Fighter 2”. O vídeo com a música tocada ao vivo foi uma gravação descontraída, registrada pelo Lucimauro Leite, após o Improviso Poético que fizemos no Jardim de Cima, em Valença/RJ, no dia 19/04/2008.
Também trago um outro vídeo, também em clima descontraído na casa da Juliana e do Zé Ricardo, com o próprio Adriano, junto de Paulinho (fazendo percussão numa lata de tinta!), tocando algumas canções, entre elas a Natural”, composição que ele fez na época em que pertencia à banda de reggae Dezabutinados, de Nova Iguaçu/RJ. Foi com essa canção que começamos a compartilhar solidões poéticas com ele no blog (na época, coloquei 2 versões da música – uma com Fábio Arieira e Zé Ricardo e outra com Zé Ricardo e Fael Campos, eis o link da postagem: http://diariosdesolidao.blogspot.com.br/2012/06/solidoes-compartilhadas-o-natural-de.html ), é com essa canção que continuamos seguindo o Sarau Solidões Coletivas, é com essa canção que seguimos em frente, sem minuto de silêncio, e sim com música, com a trajetória musical de todo bom artista, como Adriano Gonçalves deve ser sempre lembrado, como o artista fodástico que ele sempre foi e sempre será.


Porradeiro (Hadouken)

Quando eu comecei a doideira de vilão
Sabia que no fliper ia gastar o meu tostão
E quando chegava lá era aquele porradeiro
De hadouken
Hadouken, às vezes ‘Tchap-tchap-tchap-tchurug’
‘Róriuguen’, ‘Róriuguen’
Hadouken, às vezes ‘Tchap-tchap-tchap-tchurug’

Depois dos doze anos só vivia pra jogar
De touca e tatuagem minha mãe não vai gostar
Chegando na larica eu como até pão com ovo
É pão com ovo pra caralho
Então volto pro meu jogo
De hadouken
Hadouken, às vezes ‘Tchap-tchap-tchap-tchurug’
‘Róriuguen’, ‘Róriuguen’
Hadouken, às vezes ‘Tchap-tchap-tchap-tchurug’


Natural


Acorrentaram minhas mãos
Como se eu fosse um animal
Sendo ou não sendo irracional
Sou criação de um mesmo deus

Não adianta vir me debulhar
Não devo nada pra ninguém
Eu não pareço com você não dá pra mim
Já chega, já chegou ao fim

Os meus amigos sempre estão
Os que não entendem nunca vêm
É coisa de irmão para irmão
É natural pra mim também

Não adianta, eu não vou me calar
Você pode ate ser rei
Eu não pareço com você não da pra mim
Já chega, já chegou ao fim

Eles podem calar minha voz
Mas não vão me impedir de pensar em nós
Se cantarmos numa só voz
A liberdade inspira arte dentro de nós




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