sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O último dia do novembro do final dos tempos (ou Nem mesmo uma chuva fria no último dia de novembro)


Hoje encerro as postagens de novembro com uma homenagem à música que mais me lembra esse mês: “November rain” (ou, em português, “Chuva de novembro”), dos Guns n’Roses. A letra da música, composta pelo líder da banda Axl Rose, traz a confissão de um eu lírico angustiado, declarando o fim de uma relação amorosa, devido a dificuldades de convivência, etc. O interessante da letra que, mesmo percebendo claramente o inevitável fim da relação, o eu lírico ainda nutre uma esperança de futura reconciliação.
“E quando seus temores se acalmarem
E as sombras ainda permanecerem
Eu sei que você pode me amar
Quando não houver mais ninguém para culpar
Então não se preocupe com a escuridão
Nós ainda podemos encontrar um jeito
Porque nada dura para sempre
Nem mesmo a fria chuva de novembro”
A letra reflete o relacionamento de Axl e sua esposa Erin Everly, com quem se casou em 28 de abril de 1990, mas de quem se separou 10 meses depois após muitas brigas e discussões, com a anulação do casamento vindo em janeiro de 1991.
Minha (sub)versão, feita na solidão dos dias de cansativo trabalho de fim de ano letivo em Teresópolis, desta vez não se prenderam ao ritmo da canção, e sim ao eu lírico angustiado com a solidão anunciada. Também trouxe para o meu poema-tributo a tentativa de sintonia entre clássico e alternativo que a melodia sugere, as imagens que me marcaram do clipe da canção “November rain”, exaustivamente assistido por mim na minha ‘aborrecência’ (deixo o clipe, pra quem ainda não viu, logo abaixo do poema.
Para lembrarmos dos versos “Everybody needs somebody”, ou seja, “Todos precisam de alguém”. Ah, que dezembro acabe com essa saudade que me consome, Juliana!

O último dia do novembro do final dos tempos 
(ou Nem mesmo uma chuva fria no último dia de novembro)

Você já me imaginou tocando guitarra
sobre um piano
como se o alternativo e o clássico
se beijassem intensamente?
Pode parecer estranho,
mas são essas imagens que me vêm
nos sonhos do fim ano.
Já estou tão louco nesses tempos
que vivo delirando
no sono,
na sonífera realidade
desse fim de expediente
que parece não acabar mais.
Sabe o homem com a guitarra
carinhosamente delirante
sobre o piano?
Sou eu sobre você,
o alternativo e o clássico copulando.

Mas não, você não me imagina mais
como nos remotos tempos...

Você não me imagina acordando entediado
diante de um universo completamente azul
como se um blues tocasse insistentemente
no coração triste?
Pode parecer estranho,
mas é essa tristeza que me vêm
nesse novembro agonizante.
Já estou tão cansado nesse período
que sobrevivo rastejando
até o trabalho,
até a casa infeliz
sem você aqui.
Sabe o cara acordando entediado
depressivamente cambaleante
diante de um universo todo blue?
Sou eu acordando seminu,
despido de sua presença...

Por isso que nenhuma chuva cai
no último dia de novembro,
por isso que os sonhos bons me machucam
a todo momento,
por isso que o fim dos tempos agoniza
em meus pálidos movimentos:
você não está aqui pra me realizar dezembro,
você não está aqui pra ressuscitar
esse corpo que está morrendo
neste final dos tempos...


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Um pouco de Caliban


Pra introduzir esse poema, escolhi nenhuma introdução. Talvez nem me seja um poema; apenas um desabafo (só um esclarecimento: Caliban é um personagem da peça “Tempestade” de Shakespeare, mal visto, ele se contrapõe ao Ariel, considerado o bom moço. Caliban também foi usado na poética de Álvares de Azevedo como representação de seu lado mais obscuro e obsceno, em oposição ao outro, mais romântico e ingênuo):

Às vezes, um gênio ruim toma conta de mim
Talvez um Caliban, um resto de poesia adolescente
Que me defende desse ser adulto que me sugerem.
Dói ser maduro, planta pronta para apodrecer,
Dói fingir de mudo quando o mundo faz gritar - dói muito...
Mas emoções não entram em academias.
Desculpem-me: não sou gênio literário,
Nem poeta modelo para questões do vestibular.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma longa experiência de Jimi (com Hendrix, pra queimar em eterna paz!)


Hoje Jimi Hendrix faria 70 anos e, como devo um poema em homenagem a esse revolucionário artista do rock desde o ano passado, faço a ele um tributo poético duplo – um, de introdução, inspirado no famosa regravação de “Hey, Joe” (pra quem não sabe, a primeira versão da canção não é de Jimi Hendrix, e sim da banda The Leaves, porém a música se tornou hit apenas quando o deus da guitarra a tocou), lamentando a ausência de ritmos de paz nos dias atuais; e outro poema-tributo, inspirado na mais-que-fodástica-e-incendiária “Purple Haze”, sugerindo que o deus da guitarra retorne para colorir com tons de púrpura eternidade as nossas vidas cinzas.
Que a névoa púrpura nos cubra e nos re-descubra com todo amor!
  
Uma longa experiência de Jimi
(com Hendrix, 
pra queimar em eterna paz!)

I
Hey, Jimi!



Hey, Jimi!
O que você faz aí parado
com essa guitarra aí nas mãos?

Hey, Jimi!
Esse silêncio abafado
em nossos tempos precisa de uma nova canção!

Meu irmão, são tantos desejos
e nenhum solo surreal vindo de Seatle;
os sonhos agora dormem silenciados
pelos despertadores do mundo sitiado no real.

Hey, Jimi!
O fogo no azul é só chuvisco...
Depois de você, nunca mais vi verão no infinito.
Hey, Jimi!
Cadê seu solo em sol pra nos queimar,
cadê seu amor pra nos incendiar?

Meu irmão, as flores estão murchando
e acho que vão morrer...
talvez se sua guitarra estivesse viva
eu não veria todo o jardim desaparecer...

Você tocava
como se atirasse flores coletivas contra as inimigas cercas egoístas.
Você nos tocava
como se matasse de amores e folia toda a nossa rotina violenta e vazia.

II
Púrpuro negro



Púrpuro negro, como vai você?
Demorou tanto para colorir essa gente e agora quer desaparecer!
Tantas manhãs pra você borrar e agora quer apagar?
Prepara a tinta, o jogo não terminou, temos outros sets pra pintar.

Púrpuro negro, ando tão mal
Que já acho o cinza uma cor natural.
Como alguém pode ser feliz assim?
Então vamos pintar o sete, vamos sair!

Me leve!
O leve em nós!

Púrpuro negro, eu não me aguento mais!
Quero-me em tons mais suaves, estou carregado demais!
Preciso de um show de luz, prefiro as cores que ardem,
V’ambora, colorir essa noite, o amanhã, até a eternidade!

Por nós
Me leve
Pra pintar;
Pelo bom tom
Da cor
Do som,
Me leve,
Eleve-me!





segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Solidões compartilhadas: A insustentável leveza do lirismo de Nélio Fernando Gonçalves Ferreira


Hoje tenho o prazer de compartilhar minhas solidões poéticas pela primeira vez com o fodástico artista Nélio Fernando Gonçalves Ferreira, morador do Rio de Janeiro/RJ, nascido em Igaratá/SP. Conheci esse grande artista através de Janaína da Cunha, no evento Identidade Cultural & Movimento Culturista, organizado por ela. Lá pude assistir à fantástica performance de Nélio para um poema de Brecht, se não me engano (Nélio dá uma interpretação tão visceral e personalizada ao poema, que me lembro mais do ator que do autor – não era mais Brecht; era Nélio Fernando Gonçalves Ferreira transformando palavras estáticas em movimentos poéticos acrobáticos, intensos, vibrantes!). Sim, foi admiração, fascinação, deleite poético à primeira vista. Passei a acompanhá-lo virtualmente pelo facebook, tentando assim romper as distâncias geográficas com pontes virtuais de calor e amor pela arte que em nós emana.
Acompanhando o status de Nélio no facebook, eis que me deparo com um poema breve tomando a eternidade nas atualizações instantâneas da rede virtual, um poema cujo conteúdo e forma é de uma simplicidade sublime e de um insustentável leveza lírica, que torna a obra do artista inconcebível pra que seja condenada a uma efêmera atualização de status que simplesmente passa. Não, o poema não poderia passar – já havia tornado meus olhos reféns do culto pela beleza daqueles versos. Ainda contagiado pela surpresa, perguntei se o poema era dele e ele simplesmente me respondeu: “É meu, mas não sei até quando.” Nélio já liberava o poema-pássaro-filho-pródigo para voar sozinho com sua asa insustentável de pesada leveza.
E eis abaixo o poema, amigos leitores, um leve chumbo disfarçado de carregada pluma, um desgraçado adeus cheio de graça lírica. Voemos, insustentáveis como ele, por todo adeus dado por nós sem se despedir de nosso íntimo; pela eternidade de um adeus sem adeus, voemos insustentáveis, amigos leitores.

Insustentável

Meu coração gela
venta meu peito
tento dizer sim
para descartar o Adeus

Lágrimas

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

É só hoje: Sexta-feira Negra, Baby!!!


Hoje deparei-me com uma velha novidade consumista: o Black Friday Brasil (sim, os brasileiros nem se deram ao esforço de traduzir o nome para o português – Sexta-feira Negra poderia ser um nome ruim para os negócios). No Black Friday, o Dia do Desconto, centenas de lojas te oferecem ‘preços especiais’ nos produtos comercializados por elas. Os vendedores te oferecem o mundo, outrora com o dobro do preço, pela metade do valor anterior, ou seja, você pode comprar o mundo pela metade do dobro do preço! E nós, já consumistas compulsivos, lotamos as lojas com a euforia doente de comprar todos os bens desnecessários possíveis. Sites lotados, consumismo delirante, calor infernal, queima de preço, chamas no cérebro, vendemos nossas almas sem nos preocupar, compramos sem pensar, compramos mais do que podemos pagar, compramos cada vez mais banalidades, enquanto a essência humana vai terminando de falecer na fila extensa de nosso consumismo irracional.
O poema de hoje é um tributo a nosso consumismo desenfreado, uma elegia a nossa humanidade cada vez mais esquecida no velório de nossos reais valores (não confundir com valores em reais; não barateie minhas ideias desbaratinadas, por favor!) . Recomendo que leiam ouvindo "Homem Primata", dos Titãs, e "3.ª Pessoa do Plural", de Engenheiros do Hawaii.
Liquidação de poemas liquidados!!! Aproveitem o quanto podem a leitura! Afinal é Sexta-feira Negra! É só hoje! Amanhã o lirismo nosso de cada dia estará caro demais novamente!

Sexta-feira Negra

Sexta-feira Negra, baby!
E meu corpo apalpa
A superfície suja
Dos objetos que compro
No mercado banal.

Quanta obscenidade existe neste pudico bacanal de preços super-faturados?
Quanta obscuridade existe neste claro carnaval de desejos forçados?

Sexta-feira Negra, baby!
E eu vendi minha alma
Pra comprar a sua
Pela metade do dobro
Do seu preço real.

Quantos reais valem ser nada no real?
Quantos reais valem ser tudo virtual?

Sexta-feira Negra, baby!
E o sol assalta
Minha carne vazia e estúpida:
Sou queima de descontos,
Sou um resto mortal.

Quanto vale esse conteúdo irreal?
Quanto vale esse capitalismo animal?

Sexta-feira Negra, baby...
E já não estou mais em mim,
Já não existe nada aqui.
Acabou, estou acabado,
Sou consumidor consumado:
Não existe mais nada pra vender ou comprar em mim
É o fim!

Amanhã é outro sábado de sol sem sal.
Amanhã também é escuridão total.

Sexta-feira Negra, baby!
Mas que cilada!
Hoje eu descobri
Que não valho nada...


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Oração heavy metal para o Cisne Negro: Em nome do pai, do filho e do Cruz e Sousa


Sabe aqueles dias em que você conta até três e tenta respirar fundo, mas o ar em volta parece escasso, lhe falta? Sabe aqueles dias em que parece que o universo de sonhos que você literariamente construiu parece se destruir aos seus olhos, pois tudo em volta ameaça conspirar contra ele (há preconceitos contra sua arte, pessoas que deveriam proteger qualquer universo literário insensivelmente atacam você de forma destrutiva, querendo colocá-lo pra baixo, destruir tudo que é diferente, sugar sua resistência, detonar tudo que é diferente dele – vide alguns comentários agressivos que já recebi por aqui, como no “Haicai terrível” e o de um certo Anônimo no poema do retorno do Coringa, fora as ofensas que recebo pelo face in box, fora os ‘homens de bom gosto’ que se pensam no direito de esculachá-lo porque você foge do padrão clássico deles)? Sabe aquele momento que você ora para todos os deuses, da mitologia grega, passando pelos orientais, afro-brasileiros, até os cristãos, e sua angústia não diminui, pois ela é concreta e acima de qualquer fé abstrata, por mais forte que esta seja? 
São nesses momentos que busco minhas influências, meus deuses ancestrais particulares do lirismo, são nesses momentos que busco poetas como Cruz e Sousa, que, como eu e vários outros, sofreram todos os tipos de ofensas e agressões na sua época. Cruz e Sousa passou por toda espécie de violência, contra sua cor (passou em concurso público e não foi convocado devido a cor de sua pele; teve seu nome rejeitado pela Academia Brasileira de Letras; era desclassificado pelos críticos de sua época com apelidos preconceituosos como ‘negrinho mau rimador’), alvo de toda tragédia (a loucura da mulher, a morte prematura dos filhos, etc), contra seu estilo literário (era influenciado pelo Simbolismo, estilo quase underground no Brasil de tão pouca visibilidade pelos ‘homens de bom gosto’ de sua época) e, mesmo diante de toda essa correnteza contra sua navegação poética, o ‘Cisne Negro’ (apelido carinhoso dado por um amigo do poeta) teve o corpo fechado para qualquer tipo de derrota completa iminente, resistiu, sublimou com o mais alto lirismo todo sofrimento pelo qual passou. Por isso, ele merece o mantra/reza lírica que hoje faço a ele, inspirada também na significativa canção do Metallica “Nothing Else Matters” (“Nada mais Importa”, em tradução pra nossa língua, sugerida pelo músico amigo Davi Barros, da banda Black Cult, de Valença/RJ.
Sabe esses dias tristes de chuva em que você reencontra a felicidade depois de perceber o arco-íris que se forma após a tempestade? É assim que me sinto após voltar a escrever e reencontrar as influências poéticas benditamente malditas que sempre amei. Compartilho com vocês hoje mais um poema meu inédito. Todos têm o direito de achá-lo uma merda, de me achar um poeta de merda, mas eu vou continuar, com a benção do Cisne Negro e do Metallica, eu sigo em minha guerra lírica pela paz de ser eu mesmo, de seguir a minha estética (feia ou bonita, o tempo dirá; mas jamais deixará de ser minha, queridos terroristas literários da arte estanque e do bom gosto):

“Nunca me abri deste jeito
A vida é nossa, nós a vivemos da nossa maneira
Todas estas palavras, eu não apenas digo
E nada mais importa

Confiança eu procuro e encontro em você
Cada dia para nós é algo novo
Mente aberta para uma concepção diferente
E nada mais importa

Nunca me importei com o que eles fazem
Nunca me importei com o que eles sabem”
(trecho traduzido da canção “Nothing Else Matters”, de Metallica)

“Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A Terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tu'alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.”
(trecho de “O Assinalado de Cruz e Sousa)

Oremos pelos rios líricos e protetores navegados pelo Cisne Negro, amigos leitores, e, com a resistência heavy de um Metallica, sublimemos nossas dores, nossas firmes incertezas contra os homens sabe-tudo de nossos obscuros tempos.

Em nome do pai, do filho e do Cruz e Sousa
(Cisne negro, não deixe que eles me ceguem...)

Tua Cruz pesa em minha alma,
Meus versos em busca de tua calma,
Tu adormeces meu triste olhar,
Cisne negro, não deixe que eles me ceguem...

Eu sinto o barulho que eles fazem,
Querem abençoar as trevas e as tempestades,
Eles me dizem como eu deveria ser,
Cisne negro, não deixe que eles me ceguem...

E o teu negro passado é o meu claro futuro,
Condenado pelos mesmos seres obscuros,
Homens sem humanidade de olhares duros,
Cisne negro, não deixe que eles me ceguem...

Eu quero a mesma força do teu aflito blues,
Eu quero insistir no lirismo da palavra Amor,
Eu quero ver a tua dolorida luz sem dor!!!

Tua Cruz eleva minha calma,
Meus versos em busca de tua alma,
Tu me proteges com teu brilhante luar,
Cisne negro, não deixe que eles me ceguem...

Eu quero a mesma força que em ti reluz,
Eu quero resistir com lirismo a toda dor,
Eu quero ver o retorno de teu verso Amor!!!

Me leve ao infinito iluminado contigo,
Me leve leve
Antes que eu morra como eles,
Antes que eles me ceguem,
Me faz de novo ver o Amor, Cisne Negro, por favor...




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Contos mortais de solidão: Amor é fogo que arde sem se ver


Hoje, seguindo pedidos da leitoramiga e blogueira Helene Camille, publico um dos microcontos de meu sexto livro “Diários de Solidão” (2010): o “Amor é fogo que arde sem se ver” – que reinterpreta o verso de Camões de uma forma completamente louca, insólita como a vida daqueles que vivem em terrível solidão. Uma solidão que mata...
Lembrando aquele dito popular: se o mundo tá pegando fogo, tem chamas de sobra pra acender o seu cigarro.

Amor é fogo que arde sem se ver

            Cego pela solidão que se arrastava pelos móveis, espalhou álcool sobre a mesa fria, sobre o sofá antiquado, sobre a biblioteca de livros empoeirados, sobre o guarda-roupa de sobretudos guardados para encontros que não se consumaram.
            Acendeu o fósforo e, com olhos de criança travessa, observou as chamas consumirem a casa.
            Pela primeira vez, o triste homem sentiu calor. Feliz com o sentimento inédito, acendeu um cigarro e deitou-se de olhos fechados no chão incendiado.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sarau Solidões Coletivas In Bar 8: Tributo a Bram Stocker, Cruz e Sousa e Led Zeppelin


17 de novembro de 2012, Bar e Restaurante Costelão, Bairro Getúlio Vargas, Valença/RJ - O Sarau Solidões Coletivas In Bar chega a mais uma edição neste terceiro sábado de novembro, cada vez mais coletivo e mais consistente! A edição desta vez, chamada de “Dráculas, Acrobatas da Dor e Escadarias Para o Céu”,  homenageou o mestre do terror Bram Stocker, o poeta simbolista brasileiro Cruz e Sousa e a fodástica banda Led Zeppelin!
Abaixo vejam os vídeos de mais uma festa lírica das Solidões Coletivas:

Nesta primeira parte, temos Carlos Brunno declamando “Violões que choram”, Cruz e Sousa, acompanhado de Zé Ricardo tocando “Across the Universe” no violão; o stand-up comedy de Ronaldo Brechane, o retorno de Rabib Jahara com seu tributo ao Drácula de Bram Stocker; Patrícia Correia e Cíbila Farani declamando poemas de Aquiles Peleios; Juliana Guida Maia com o “Acrobata da Dor”, de Cruz e Sousa; Cíbila Farani &  Zé Ricardo interpretando a canção “Doce vampiro” de Rita Lee; Alexandre Fonseca e seu Zeppelin de Shiva; Karina Silva, Carlos Brunno e Juliana homenageando o Drácula com poemas do próprio Carlos Brunno e de Raquel Leal; Karina Silva, Luana Cavalera e Clarice Raquel Starling.

Nesta segunda parte, temos Carlos Brunno declamando o poema de Fernando Alves Carneiro, acompanhado pelo violão de Eddie Mendonça; o retorno de Chico Lima declamando o poema do teresopolitano Fernando Vieira, Alexsandro Ramos e sua visão lírica do vampiro; a estreia de Isabel Cristina Rodegheri declamando seus próprios haicais acompanhada pelo violão de seu filho Zé Ricardo (mandando Love of my life instrumental), Cíbila Farani mandando versos de Cruz e Sousa e um poema blues com Zé Ricardo; Carlos Brunno e Davi Barros misturando Cruz e Sousa, Metallica (Nothing Else Matters) e uma prece ao Cisne Negro; a homenagem de Gilson Gabriel a Alexandre Fonseca e um poema blues dele com Zé Ricardo; Patrícia com o poema "Amanheça-me na tua noite" acompanhada por Eddie Mendonça; a homenagem de Alexandre Fonseca a Gilson Gabriel; Carlos Brunno em parceria com Gabriel Carvalho; Juliana Guida Maia declamando poema de Clarice Raquel Starling.
Nesta terceira parte, temos a estreia super-especial de Helene Camille, de São Gonçalo, autora do blog "O Mundo Mental de Maria", declamando poema de Fernando Alves Carneiro e conto de Carlos Brunno S. Barbosa; as deliciosas ilusões de Jaqueline Cristina; o retorno de Osvaldo Fonseca; o poema de Rabib Jahara com sua mulher Beatriz; mais um poema fodástico de Gilson Gabriel; Cíbila Farani mais uma vez declamando poema de Cruz e Sousa e o show fodástico do Vibra Ação, composto por Fael Campos (gaita e voz) e Zé Ricardo (violão), mandando canções próprias e cover de Legião Urbana. 
Nesta quarta e última parte, temos a apresentação da fodástica poeta Raquel Leal acompanhada pelo músico Eddie Mendonça; Carlos Brunno S. Barbosa em parceria com Karina Silva e declamando o poema "Moço e moça"; Juliana Maia emocionando a todos; Juliana Guida Maia declamando "Esperança e Sofrimento", a homenagem de Nana B. Poetisa a Bram Stocker e também nos brindando com seu poema premiado no Festival de Poesias de Conservatória; Cíbila Farani e seu poderoso poema "Tempestade" e o poema "Heavy Metal", de Wagner Monteiro, em nova versão, acompanhado por Eddie Mendonça tocando "Fear of the dark", do Iron Maiden.Nana B. Poetisa a Bram Stocker e também nos brindando com seu poema premiado no Festival de Poesias de Conservatória; Cíbila Farani e seu poderoso poema "Tempestade" e o poema "Heavy Metal", de Wagner Monteiro, em nova versão, acompanhado por Eddie Mendonça tocando "Fear of the dark", do Iron Maiden.




domingo, 18 de novembro de 2012

Solidões compartilhadas: Clarice Raquel Starling detonando Don Juan

Hoje compartilho pela segunda vez minhas solidões poéticas com Clarice Raquel Starling, misteriosa poeta que se declara liricamente casada com Sigmund Freud. Em sua segunda participação, Clarice manda uma carta ao Dom Juan e desfaz o feitiço sedutor do fictício personagem sedutor, tornando-o um apenas, um 'just', um out, um recado para os machos que se consideram eternos deuses da conquista, um golpe demolidor ao mito do eterno conquistador.
Cuidado, prezados amantes latinos, vocês estão na mira poética de Clarice Raquel Starling!

Cartas ao Don Juan: 
Você é apenas um “apenas”

Apenas, você é um apenas, um somente.
Você é o “Just” de uma frase qualquer, solta ao vento
Relembrada no fim de uma ilusão qualquer,
No fim de um beijo que não o da sua boca, beijo.

E você ainda pensa que pode viver sem mim
Rio de você interminavelmente
Rica, rica vida, que rio ao rir de um fim que não existe, mas que insiste em querer o viver de APENAS algum amor que para sempre, será um eterno “apenas”.

Nessa sua vida vazia
Nessa sua cama que com outra, reza o meu nome, e não o de alguma que deve estar agora do seu lado
Tem tudo, só não tem, nem terá o meu eu que já quis você.

Vá! Viva que tiver pra viver, enquanto eu vivo com apenas alguns outros que não são o “somente” você.

sábado, 17 de novembro de 2012

Solidões compartilhadas: As almas de Fernando Vieira


É com prazer imenso que compartilho minhas solidões poéticas com o professor e poetamigo teresopolitano Fernando Vieira. Conheci Fernando na E. M. Alcino Francisco da Silva, onde lecionamos. Certo dia, ele me informou que escrevia umas ‘poesiazinhas’ de vez em quando; então pedi que Fernando me enviasse suas obras poéticas. Depois de algum tempo, abro minha caixa de e-mails e me deparo com as ‘Poesias completas’ de Fernando, baixo o arquivo, começo a ler junto da poeta e companheira Juliana Guida Maia e - PQP! – é POESIA BOA PRA CACETE, DO CARALHO! As ditas ‘poesiazinhas’ de Fernando Vieira são algumas das maiores obras-primas poéticas que já havia lido de autores contemporâneos dos últimos tempos, de raríssimo lirismo, simplicidade sublime e sensibilidade e razão extremamente bem medidas. É raro, nesse universo de comedidos ‘homens de bom gosto’, que prezam pela mesmice tediosa, encontrar poetas fodásticos, que seduzem as palavras com o lirismo mais apurado, como ele.
Em tempo: o fodástico poema que posto hoje me lembra a poética simbolista de Cruz e Sousa e será lido no Sarau Solidões Coletivas In Bar de hoje, dia 17 de novembro, no Bar e Restaurante Costelão, no Bairro Getúlio Vargas, em Valença/RJ, às 19h. Não percam!

AS ALMAS

Eram alvas
E calmas
As auras
Das almas...

Brilhavam como
Estrelas-d ’alvas
E se abriam
Como as valvas,
E curavam
Como as malvas...

Eram salvas
Pelas palmas
Do Criador.

Hoje são trevas,
São calvas
De auras.
São penadas almas
Sem luz,
Sem brilho,
Sem nada.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Solidões macabras a três: Noite mórbida, de Karina Silva, Luana Cavalera e Davi Barros

Tempo nublados, noites frias, o blog ainda traz resquícios o Sarau Punk Rock Noise Horror Show, realizado no dia 03 de novembro (veja os vídeos em postagens anteriores). Hoje compartilho minhas solidões poéticas com três fodásticos poetas valencianos que se uniram pra iluminar mais trevas pras nossas já obscuras noites: Karina Silva, Luana Cavalera e Davi Barros (líder da banda Black Cult) se uniram para nos mostrar sua poética e assustadora "Noite mórbida"!
Em tempo: o fodástico trio é presença confirmada no Sarau Solidões Coletivas In Bar de amanhã, dia 17 de novembro, no Bar e Restaurante Costelão, no Bairro Getúlio Vargas, em Valença/RJ, às 19h. Não percam!


Noite mórbida

Nas sombras da noite,
escuto ruídos de angústia e desespero
saídos dos jazigos, feitos no chão...
Onde epitáfios, são presos por magia,
guardados por fantasmas da solidão.

Noite mórbida e escura
liberta condenados do desassossego,
que vagam pela escuridão sem fim
procurando uma vítima afim!

Noite dos pesadelos,
noite dos morcegos,
noite dos horrores,
noite das dores!

Mas a noite irá acabar...
Condenados terão de esperar
a próxima, mórbida e triste escuridão,
pra se libertar.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Solidões orientais compartilhadas: Os haicais inéditos de Isabel Cristina Rodegheri

Yeah, amigos leitores, as Solidões Coletivas comemoram mais um talento surgindo na arte de fazer haicais (poemas de três versos, onde o primeiro e terceiro versos possuem 5 sílabas poéticas e o segundo possui 7 sílabas poéticas). Mérito de Marilda Vivas, poetamiga de Valença/RJ, que, através dos saraus e facebook, iniciou essa onda de paixão por essa fodástica forma poética. Hoje compartilho minhas solidões poéticas pela primeira vez com a poeta inédita Isabel Cristina Rodegheri, de Valença/RJ, mãe da poeta Juliana Guida Maia e do músico Zé Ricardo (assim, desvendamos de onde eles herdaram tanto talento!). Em surpreendente produção febril, descobrimos as novas 'brincadeiras' de Isabel Cristina: nesses dias nublados de novembro, a artista recém-descoberta nos revela seus haicais, ricos em síntese filosófica e emoção cativante (sim, ela consegue equilibrar razão e emoção como poucos poetas malabaristas conseguem) e iluminados pelo mais alto e raro lirismo. Sim, existe um arco-íris lindo sorrindo no céu, após as chuvas tristes, e o tesouro contido nele está na poética de Isabel Cristina Rodegheri. 
Encontramos o tesouro no final do arco-íris, amigos leitores, e ele está logo aí abaixo em dourados haicais:


Ventos que sopram...
Esparramadas no chão
Folhas que caem.

******

Escura noite...
Vagando pelas ruas
a vil criatura.

******

A chuva caindo
Na vidraça da janela:
Fria solidão.

******

Perfumes e cheiros,
Lembranças de tempos idos.
No ar, minha infância!

******

Lágrima que cai
No rosto de uma criança:
Sonho que se vai...

******

Na pálida luz,
Uma vida fragmentada
Com pedaços meus.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Luz, Câmera... Alcino! apresenta "Insight" de Dani Carmesim


Teresópolis, 2012 - O Grupo Teatral "Luz, câmera... Alcino!", da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, em Teresópolis/RJ, continua com tudo! Inspirado no projeto "Faces do Brasil", da Secretaria Municipal de Educação de Teresópolis, o "Luz, câmera... Alcino!" continua o projeto "Brasil Musical", que consiste numa série de clipes musicais, criados e interpretados pelos alunos da escola. A canção escolhida dessa vez pertence ao gênero rock alternativo e vem da Região Nordeste do Brasil: é a fodástica canção "Insight", da pernambucana Dani Carmesim (quem quiser conhecer um pouco mais dessa sensacional artista, vai aí o link do blog dela: http://www.danicarmesim.blogspot.com.br/).
Sob direção do professor-poeta-pateta que vos fala e com roteiro criado coletivamente com os alunos, construímos uma história de inveja, suspense, terror e traição, com pitadas de humor negro, inspirada em filmes clássicos antigos de suspense e terror de 1920 como "O médico e o monstro" e "O Gabinete do Dr. Caligari". O clipe foi filmado em intervalos de aulas e contou com excelente atuação de alunos atores de diversos anos da E. M. Alcino Francisco da Silva.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Solidões vampirescas compartilhadas: A resposta de Raquel Leal ao Drácula 2012


Hoje faz 20 anos que o fodástico filme “Drácula de Bram Stocker”, dirigido por Coppola, foi lançado. Em homenagem a isso, compartilho mais uma vez minhas solidões poéticas com a poetamiga valenciana Raquel Leal, que atualmente reside em Volta Redonda/RJ. Raquel produziu um poema em resposta ao que eu havia escrito, com o foco na vítima, oposto ao meu que focava o vampiro, e deixo a vocês essa belíssima obra poética. “Quando assisti ao filme pela primeira vez, adorei, mas fiquei com medo, era bem novinha, hoje adoro!”, confessa Raquel Leal.
Para os fãs de vampiros e vítimas de verdade, muito mais excitantes que a geração ‘Crepúsculo’:

Para Drácula 2012

A vida que não passa contigo
Por mim é admirada
Me seduz tua falta de cor
Me excita tua boca gelada

A ti entrego meu pescoço
Meu sangue renovado e quente
Meu seio casto e carente
Minha vida cheia de tua falta

Entra em mim, sei que vai doer
Sentir tua dor será um prazer
Pois minha alma anseia
Pelo passeio sem paz
De tuas mãos ancestrais
Nas curvas carnais do meu corpo mortal

Sugue minha vida
Encharca-te com minha excitação
E permita que eu penetre
Na inexistência do teu coração

Assim morrerei mil vezes
Nos braços do teu sonho falecido
Vestida de noiva, na noite de núpcias
Te entrego meu corpo, por ti despido...

Haicai das chuvas de novembro em mim


Mais uma vez as chuvas vem molhar passados ainda não cicatrizados em Teresópolis/RJ. A cidade já sofreu demais com elas em janeiro do ano passado e permanecem como grandes ameaças, pois os governos que por aqui passam e passaram nada fizeram (vão dizer que fizeram, mas basta olhar ao redor e ver que os feitos governamentais representam um valor tão ínfimo que a palavra nada fica envergonhada de ser citada pelo poeta que vos fala) pra tirar da população esse clima de medo de novas tragédias. A chuva não para, ouço músicas de bandas do rock 80 (“tudo pelo dinheiro/ tudo pelo poder/e sempre foi assim”, me dizem Paulo Ricardo & RPM, em voz melancolicamente lúcida, acompanhado de guitarras revoltadas); me lembro do bairro Campo Grande, onde participei do ‘Cultura nos bairros’ em 20 de novembro de 2010, vai fazer dois anos da única e última vez que estive lá, o mesmo bairro Campo Grande destruído pelas chuvas de janeiro de 2011, há tempos evito assistir ao vídeo que fiz lá; as guitarras continuam, as canções de protesto no aparelho de som, a chuva lá fora, agora uma balada melancólica de um eu lírico cansado de buscar soluções pro mundo estagnado numa mesa de bar, ah, ouvir as bandas de rock 80 nessas chuvas intermináveis de novembro me trazem sempre uma estranha vontade de chorar...
O haicai de hoje sai meio dolorido, talvez meio sem sentido, talvez sentido demais...  

Haicai das chuvas de novembro em mim

Estranha vontade
de chorar no fim da tarde
outra tempestade...