sábado, 8 de dezembro de 2012

The Real Dream is not over: Vida, morte e ressurreição dos morangos mofados


Na noite de 8 de dezembro de 1980, quando voltava para o apartamento onde morava em Nova Iorque, no edifício Dakota, em frente ao Central Park, John foi abordado por um rapaz que durante o dia havia lhe pedido um autógrafo em um LP “Double Fantasy“, em frente ao Dakota. O rapaz era Mark David Chapman, um fã dos Beatles e de John, que acabou disparando 5 tiros com revólver calibre 38, os quais 4 acertaram em John Lennon. A polícia chegou minutos depois e levou John na própria viatura para o hospital. O assassino permaneceu no local com um livro nas mãos, O Apanhador no Campo de Centeio de J.D. Salinger. John morreu após perder cerca de 80% de seu sangue, aos quarenta anos de idade. Logo após a notícia da morte de John Lennon, que correu o mundo, uma multidão se juntou em frente ao Dakota, com velas e cantando canções de John e dos Beatles. O corpo de John foi cremado no Cemitério de Ferncliff, em Hartsdale, cidade do estado de Nova Iorque, e suas cinzas foram guardadas por Yoko Ono.
O assassino foi preso, pois permaneceu no local, esperando os policiais chegarem. Ao entrar na viatura, pediu desculpas aos policiais pelo "transtorno que havia causado". Em seu julgamento alegou ter lido em "O apanhador no Campo de Centeio" uma mensagem que dizia para matar John Lennon. Acabou sendo condenado à prisão perpétua e até hoje é mantido numa cela separada de outros presos, devido às ameaças de morte que recebeu. Segundo Chapman, o motivo do crime foram declarações de Lennon consideradas por Chapman como blasfêmia, como se declarar mais popular que Cristo e dizer em suas letras de músicas coisas como não acreditar em Jesus e dizer que todos imaginassem que os céus, em sentido espiritual, não existissem.
Após a morte de John, foi criado um memorial chamado Strawberry Fields Forever no Central Park, em frente ao Dakota.
32 anos depois da morte de John Lennon, faço meu poema sobre o acontecido. Os morangos de outrora parecem mofarem, mas outros morangos, filhos dos frutos aparentemente mofados, mais resistentes à violência travestida em trevas coloridas de nossos tempos, ainda virão.

Vida, morte e ressurreição 
dos morangos mofados

Nos campos de centeio, o louco apanhou e cultivou o teu nome
A sete palmos do chão...
Queria mais cereais de Cristo e menos morangos pagãos;
Era um louco que te amava e sonhava com super-homens
Que matavam homens
Por amor, por devoção
E hoje os morangos já nascem podres no parque dos jovens,
E hoje os morangos restantes são pisados pelos senhores selvagens
Que se comem e se matam
Por falta de amor, por excesso de falsa devoção.

Preso em cadeia perpétua, o louco conserva o silêncio culpado
Daqueles que, perdidos em si, estão trancafiados...
Os sonhos assassinos que ele trouxe à vida
Agora são pesadelos vividos em toda esquina;
Sem o fertilizante de amor do cultivador por ele assassinado,
Hoje os morangos estão mofados
E hoje as fantasias coloridas de casais apaixonados
São fotos desbotadas, baleadas pela violência do passado
Que não pode ser apagado.
E, mesmo eternizado o cultivador assassinado,
Os encantos de paz e amor antes cultivados
Parecem jazer no parque desolado.

Mas, quando o mundo parece confuso e sem lembrança
Dos tempos sãos que o louco levara pra sua eterna prisão,
Eis que ressurge no meio do povo aquela tua antiga canção
Mais uma vez renovada,
Como sol que sempre nasce depois que toda noite se apaga:
Será como começar de novo – começar de novo,
Ressuscitar o amor morto,
Cultivar um morango novo, imune à aridez desse novo chão.

Em teu corpo em decomposição, crescem as sementes da ressurreição... 


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