sábado, 15 de dezembro de 2012

Solidões compartilhadas a quatro mãos: "A verdade do fim", de Karina Silva e Raquel Leal


Hoje o blog começa a contagem para o próximo fim do mundo (data atualizada pelos antigos maias: 21 de dezembro!). E se é pro mundo acabar, que ele acabe em música e poesia! E que essa poesia venha de grandes talentos, como Karina Silva e Raquel Leal.
As duas fodásticas poetas, com estilos bastante opostos, resolveram unir suas veias poéticas num único movimento de caos no abstrato, comprovando que forças opostas se atraem e formam um poema fodástico, de acabar com o mundo sem graça que nós vivemos e transformá-lo na mais pura e fantástica obra lírica!  Interessante destacar nas estrofes de Karina Silva a citação de duas canções dos Titãs (“O Anjo Exterminador” e “Epitáfio”. Interessante ver a dança inicialmente melancólica e desesperada de Karina, que Raquel acompanha em suas estrofes, retomada pelos acordes intensos dos versos de Karina, até chegarmos a movimento suave de fim e ressurreição de Raquel Leal. Fodástico demais o poema! O mundo nem acabou direito e as duas poetas já promoveram sua transformação completa!
Para que o leitor melhor compreenda de quem é cada estrofe, coloquei em vermelho os de autoria de Karina Silva e de amarelo os de Raquel Leal (referência à cor do cabelo de cada uma das poetas rs).
Bem, amigos leitores, que comecem os jogos imortais desse fim de mundo que nunca acaba!
Em tempo: as duas fodásticas poetas estarão no Sarau Solidões Coletivas In Bar 9: ENTRE MOSKAS, TITÃS, RIOS SEVERINOS E PEDRAS ROLANDO: AS ÚLTIMAS DOSES LÍRICAS ANTES DO FIM DO MUNDO, que vai rolar nesse sábado, dia 15 de dezembro, a partir das 19h, no Bar e Restaurante Cantinho do Churrasco, na Rua Vitor Hugo, 20, Bairro de Fátima, em Valença/RJ (na descida para a FAA, em frente ao Bar Porão). Venham conferir de perto essa beleza de fim de mundo!

A verdade do fim

Vejo o fim do mundo
dançando a melodia triste do ato final.
Esperança de sonhos sepultada
Com lágrimas e lástimas.

Desgraçada desesperança,
Dança à morte de meu sonho
Num túmulo entreaberto
Com um suspiro preso na garganta...

Ventos pairam sobre epitáfios,
Trazendo um sentimento
Do último segundo ainda vivido.
Solidões incandescentes de realidade
Criam a nova identidade desse caos.

O fim dos tempos anuncia novidades,
Transmutando ventos acordados na eternidade
De um tempo sem fim, sem final aparente,
Que refaz união do canto pungente"

O doloroso som
Desperta quem há muito adormecia,
O ser que já caíra
Retorna com toda a sua ira:
O anjo exterminador desperta!

A dor dançando todo tom da melodia,
Gritando com ironia a desesperança desfeita,
Pela carne ressurgida do túmulo entreaberto,
Libertada pela voz de toda ira,
É o fim dançando a nova lira,
A voz da vida na boca do poeta,
Despertando o fim nosso de cada dia
E renascendo em nós a pontualidade de um fim
Que não há.

2 comentários:

  1. Bom dia,

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  2. O eu lírico de Karina é um observador apaixonado em sua descrição do fim de mundo. Seu olhar pulsa pelo que se observa. Vejo através dele toda a ação última, o desenlace sem desespero, apenas com o olhar fatídico do inevitável. Super intenso ele, gostei desse eu lírico.

    Agora o eu lírico da Raquel, considero insatisfeito com o fim do mundo, não acabou para ele, ficou atravessado na garganta e ele ve pela fresta de seu túmulo possibilidades de um novo recomeço em detrimento da desesperança que toda animada não percebe o ressuscitar dentro do túmulo e o aniquilamento do tempo passível de término e o apogeu do tempo eterno onde o fim não existirá. Vai poeta, recria esse novo mundo com a melodia das almas existentes para que cada uma tenha sua nota específica e sejam reconhecida por esta nota. Lembrei tanto de Tolkien que em sua criação do mundo, usa a música como a matéria primordial que desperta a essencia e a existência das coisas.

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