quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Solidões compartilhadas de fim do mundo: Às vésperas do fim com João Júnior


No corre-corre para o próximo fim do mundo (é amanhã, agende-se!), compartilho mais um fodástico poema do valenciano João Júnior, vocalista da banda The Black Bullets (em tempo: caso o mundo não acabe, ele vai estar com a Old Brown Band (junto de Cristiano Ferreira Claudio Morgado, Felipe Martins e Renato Nunes) dia 22, sábado, ás 23:30h, no Pesqueiro Do Vitinho, tocando clássicos do rock: Led Zeppelin, Deep Purple, Beatles, Pink Floyd, Dire Straits, Rolling Stones, Creedence e muito mais.
Falo pouco desta vez, pois o poema fala por si só e a vida tem pressa:

ÀS VÉSPERAS

às vésperas do fim do mundo
entregue as vespas, a eternidade
ao invés da espera, a pressa
entre aspas, a vontade

se é dezembro nem se lembra
age como se fosse fevereiro
as flores da pele nascendo
a plenos pulmões gritando
a poucas horas do juízo final
a muitos quilômetros de casa

não há mais futuro
nem juras, nem muro
nem tempo pro sono
nem pras contas de luz ou telefone
só para o abandono
Oh vida, não me abandone

uns seguram rosário
outros saem do armário
uns confessam segredos
outros enfrentam seus medos
uns bebem absinto
outros vomitam o que sentem
uns com sede de sexo
outros com sede de sangue

como um bumerangue numa elipse
as coisas voltam pra você
enfim, não teve apocalipse
então você volta a viver
pra sua casa, suas rotinas, seus tédios
suas doenças, seus remédios
retorna às suas promessas
sem pressa pra cumprir
sempre esse marasmo
hora pra comer e pra dormir
acordar cedo pra trabalhar
acordar cedo pra cuspir
o filho pródigo retorna ao seu cotidiano
as vésperas de só mais um fim de ano.

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