segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Réveillon de lirismo: Contemplando fogos de artifício


Encerro minhas postagens de 2012, pensando na continuidade do blog em 2013, 2014, até qual infinito me for concedido pelos olhos dos leitores, pelos deuses das artes e dos tempos. Para me encontrar com um bom amanhã, retomo momentos bons do passado: retomo nesta última postagem de 2012 um poema antigo, de minha autoria, escrito após o réveillon de 2001, ano que revelava a mudança de séculos (sim, pessoas da minha idade podem dizer com orgulho: atravessei dois séculos, o XX e o XXI!!!). A virada de 2000 para 2001 me trazia perspectivas fascinantes: há alguns meses havia voltado ao mercado de trabalho com carteira assinada (após um período de desemprego e empregos informais, comecei a trabalhar numa fábrica de papel de Santanésia, distrito de Piraí/RJ, onde fiquei por 6 anos, até ser chamado para lecionar) e assim tive a oportunidade de voltar a estudar, entrar na faculdade, fazer o tão sonhado curso de Letras que eu desejava fazer há tanto tempo, e também pude voltar a publicar, de forma independente, meus livros de poemas; a virada do século marcava a virada da minha vida e essa sensação acabou me inspirando o poema abaixo, escrito logo após a tradicional queima de fogos do ano novo. Primeiro, ganhou formato de um poema; depois achei melhor transformá-lo em prosa poética, como foi colocado em meu quarto livro “O último adeus (ou o primeiro pra sempre)” (2004) e como os amigos leitores podem ler agora no blog.
Outra curiosidade sobre o texto: escrito na casa do Ronaldinho, um tempo após a queima de fogos, o meu amigo - na época professor de Matemática - me desafiou a inserir temas geométricos no poema, por isso há, no final do primeiro parágrafo, termos da Geometria citados em linguagem lírica.
Que 2013 venha tão intenso e brilhante quanto os fogos de artifício que vemos na virada de cada ano. Brilhemos e sejamos eternos em nossa efemeridade, pois, como diz o poeta Chacal, “a vida é curta demais pra ser pequena”.
Feliz ano novo, amigos leitores!

Contemplação

            Fogos de artifício... A fumaça da madrugada recém-nascida desperta uma estranha histeria em meus olhos. A visão apressada contempla a travessia das luzes no céu negro, a constelação fugaz na noite festiva, a exótica auréola dos desejos nas mãos do fogueteiro. Meu coração é um cosmoporto temporário e a galáxia são estes fogos no céu, esta tentativa criativa e humana de criar um arco-íris no escuro: meu coração é perpendicular, uma superfície cuja intersecção com esta iluminação efêmera forma um ângulo reto, que é o mundo redondo e ilimitado dos meus olhos.
            O caos de luzes no céu saúda as intermináveis promessas do povo para o ano novo, enquanto o lado oculto da lua exausta guarda pra si os mistérios do futuro.
            Os últimos fogos de artifício arranham os arranha-céus com um pedido de paz sem dialeto, pois a paz é universal. Então as luzes se apagam: Bem-vindo ao século vinte e um.


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