sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Poema cinza: Árvores que morrem


Hoje é só um dia triste, daqueles que parecem derrubar todos os seus sonhos, daqueles que parecem testar seus nervos e cortar invisivelmente seus pulsos. Por isso o poema de hoje não sorri; não há por que sorrir hoje. Como diria Renato Russo, “hoje a tristeza não é passageira”. Amanhã talvez melhore, mas não me diga isso, pelo menos hoje não me diga isso.
O poema que posto hoje é um antigo lamento diante da violência de nosso próprio universo, diante de uma melancólica falta de esperança. Foi escrito há muito tempo atrás, em minha juventude, foi publicado em meu terceiro livro “Note or not ser”, e, por mais triste que seja, apesar de seu aspecto cinza e sem sentido claro, ainda me faz muito sentido.
Lamento, leitores, hoje o céu não é azul, nem negro. Hoje o universo é decepcionantemente cinza.

Árvores que morrem

Às vezes, me sinto oco
mas meu amor próprio é tão grande
quanto meu orgulho
bobo
e desse sentimento me sustento.

A cada flor que nasce
é uma criança que morre,
a cada edifício que se levanta
são mil árvores que morrem,
a cada noite que vivo
é um dia que morro,
a cada vício que levo
são mil virtudes que morrem.

Acordo e continuo com sono...
A cama continua desarrumada...
Mas imagens me movem;
meu corpo perambula a casa
e a alma continua distante...

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