terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma longa experiência de Jimi (com Hendrix, pra queimar em eterna paz!)


Hoje Jimi Hendrix faria 70 anos e, como devo um poema em homenagem a esse revolucionário artista do rock desde o ano passado, faço a ele um tributo poético duplo – um, de introdução, inspirado no famosa regravação de “Hey, Joe” (pra quem não sabe, a primeira versão da canção não é de Jimi Hendrix, e sim da banda The Leaves, porém a música se tornou hit apenas quando o deus da guitarra a tocou), lamentando a ausência de ritmos de paz nos dias atuais; e outro poema-tributo, inspirado na mais-que-fodástica-e-incendiária “Purple Haze”, sugerindo que o deus da guitarra retorne para colorir com tons de púrpura eternidade as nossas vidas cinzas.
Que a névoa púrpura nos cubra e nos re-descubra com todo amor!
  
Uma longa experiência de Jimi
(com Hendrix, 
pra queimar em eterna paz!)

I
Hey, Jimi!



Hey, Jimi!
O que você faz aí parado
com essa guitarra aí nas mãos?

Hey, Jimi!
Esse silêncio abafado
em nossos tempos precisa de uma nova canção!

Meu irmão, são tantos desejos
e nenhum solo surreal vindo de Seatle;
os sonhos agora dormem silenciados
pelos despertadores do mundo sitiado no real.

Hey, Jimi!
O fogo no azul é só chuvisco...
Depois de você, nunca mais vi verão no infinito.
Hey, Jimi!
Cadê seu solo em sol pra nos queimar,
cadê seu amor pra nos incendiar?

Meu irmão, as flores estão murchando
e acho que vão morrer...
talvez se sua guitarra estivesse viva
eu não veria todo o jardim desaparecer...

Você tocava
como se atirasse flores coletivas contra as inimigas cercas egoístas.
Você nos tocava
como se matasse de amores e folia toda a nossa rotina violenta e vazia.

II
Púrpuro negro



Púrpuro negro, como vai você?
Demorou tanto para colorir essa gente e agora quer desaparecer!
Tantas manhãs pra você borrar e agora quer apagar?
Prepara a tinta, o jogo não terminou, temos outros sets pra pintar.

Púrpuro negro, ando tão mal
Que já acho o cinza uma cor natural.
Como alguém pode ser feliz assim?
Então vamos pintar o sete, vamos sair!

Me leve!
O leve em nós!

Púrpuro negro, eu não me aguento mais!
Quero-me em tons mais suaves, estou carregado demais!
Preciso de um show de luz, prefiro as cores que ardem,
V’ambora, colorir essa noite, o amanhã, até a eternidade!

Por nós
Me leve
Pra pintar;
Pelo bom tom
Da cor
Do som,
Me leve,
Eleve-me!





Um comentário:

  1. Esse homem entendeu como ninguém o poder música ao seu redor. Bebeu nas riquíssimas fontes do Blues e hoje é uma lenda! Valeu, Brunno!

    Rafael Faraco

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