terça-feira, 23 de outubro de 2012

Solidões a dois: Outubros e outubros, por Gilson Gabriel e por mim e por todos nós

Gilson Gabriel e eu,
nos traços de João Paulo Maia

Passadas algumas eleições (algumas localidades do Brasil ainda encararão o segundo turno) e nada ou quase nada muda: os mesmos eleitos, as mesmas caras, as mesmas muitas suspeitas de compras de votos por muitos políticos eleitos, tudo que nos deixa com aquela sensação de que todo outubro de eleição nos fornece quatro anos de iguais desolações; ainda somos os mesmos e ainda votamos como nossos pais votavam, quando podiam fazê-lo (lembrando que eles conviveram com a ditadura, muito amiga de vários candidatos e partidos eleitos atualmente).
Com base nessa reprise, o fodástico poetamigo Gilson Gabriel e eu, ambos ainda esperançosos de um futuro outubro realmente vermelho e diferente, escrevemos a quatro mãos o poema abaixo (a parte vermelha foi escrita por Gilson Gabriel, a branca por mim mesmo, em resposta às duas estrofes do poetamigo), realizando a nossa primeira coligação lírica anti-política atual.
Que outros outubros venham para nós, amigos leitores, antes que seja tarde demais!

Outubros e outubros

Lá se vai novo outubro com seus dias de escolhas
E avança a procissão aos santos bizarros e de pau oco
Uni duni tê joga no quadradinho
(não vale, é marmelada, esse já ganhou!)
Ilude-se quem joga que o jogo é limpo
E que a mesa não tem vícios.

Lança a moeda da sorte no número mais azarento
Repete a escolha de antes, não arrisca nova parada
Muda pra ficar igual, não busca original
Se espera em vão o milagreiro que não vem
E de pronto o milagre que hora alguma se faz.
Que deus qualquer nos proteja e mantenha aceso o farol
Que nosso outubro inda chega!

Olhando pra trás, se vê os outubros passados, as mesmas encolhas,
Os mesmos ombros curvados, a mesma palidez do povo
Uni duni tê os donos do jogo acham-nos divertidos
(de um até o infinito, é tudo da bancada, nós perdemos as fichas, o mestre levou)
Ilude-nos o senhor de terno em desalinho;
Parece conosco, mas não passa de um cínico.

Faz a sesta de lorde diante de nosso lerdo desenvolvimento,
Repete a refeição de outrora, somos de novo carne fatiada
Em seu curral eleitoral, somos novamente o seu prato principal
Esperamos em vão a piedade que o rico açougueiro não tem
E de novo somos presas expostas no banquete do predador voraz.
Que deus qualquer nos enrijeça e mantenha teso nosso corpo antes do corte final
Que nosso outubro inda chega antes da facada fatal! 

2 comentários:

  1. Novas parcerias virão! Outubros, com certeza!

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