sábado, 20 de outubro de 2012

Poema canino de sete estrofes em desordem (ou Ozzy, um labra-latas em minha vida)

Ozzy deitado ao meu lado na cama
(em breve, ele me dará uma patada
e tentará tomar meu lugar na cama)

O poema que posto hoje é uma paródia (releitura humorística) do “Poema de sete faces”, de Carlos Drummond de Andrade, especialmente dedicado ao Ozzy, o cachorro vira-latas, mestiço de labrador (tanto que engana bem e é tão destruidor e simpático quanto rs) de Isabel Cristina, mãe da minha namorada Juliana Guida Maia. Dedico esse poema desordenado, escrito na última madrugada (o danado do cachorro me acordou com uma lambida na cara) a esse amoroso cão selvagem que me morde, pula, arranha (tudo com muito amor e pouca ironia - tô falando sério) e é meu principal companheiro das minhas caminhadas pelo bairro São José das Palmeiras, em Valença/RJ.
Só quem tem um autêntico labra-latas entenderá esse poema-paródia em sua plenitude.

Poema canino de sete estrofes em desordem 
(ou Ozzy, um labra-latas em minha vida)

Quando Ozzy me deu a primeira mordida de amor,
um veterinário louco me disse: “T’aí, Carlos: o cachorro da sua vida!”

O labra-latas arrasta o homem
que arrasta o labra-latas.
A liberdade no passeio, talvez, fosse minha,
se não houvesse no labra-latas tanta força e desespero.

O labra-latas passa cheio de objetos:
panos pedras bermudas madeira livros chinelos.
Por que esse cão não sossega, meu Deus, pergunta a casa estilhaçada.
Porém minha afeição por ele
Finge que não vê a casa bagunçada.

O braço todo marcado pelas dentadas apaixonadas
é frágil, cheio de cicatrizes reabertas.
Quase grita de dor.
Tem muitos, múltiplos ferimentos
o braço todo marcado pela paixão incontida do labra-latas.

Meu Deus, pra quem esse cachorro tanto late,
se não há nenhum perigo na calçada calada,
se até a lua já se escondeu ensurdecida pelos seus latidos.

Mundo mundo mundo cão,
se o adestrasse como Cérbero
seria apenas um porteiro do inferno, e não esse inferno amoroso de canino heavy metal.
Mundo mundo mundo cão,
ao seu lado, eu mais pareço o seu animal de estimação.

Eu não deveria lhe dizer, Ozzy,
até porque você abusa dessas minhas confissões,
mas essa sua desordem,
mas esse seu amor descontrolado
deixam-me tonto e feliz como um pobre-diabo enamorado.



4 comentários:

  1. Mundo cão!
    Carlos até no Ozzy há inspiração!!!
    Quanto desiquilibrio amoroso e emocional!
    Bjoks

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  2. O Ozzy é mesmo tudo isso, e desperta mesmo muitas emoções e poesia, apesar e por causa do seu tresloucamento! RSRSRSRSR
    Amei, ri e vi o Ozzy direitinho no poema!

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  3. Realmente este poema é a cópia fiel do meu doce e amado cachorrinho Ozzy!!!!! rsrsrsrsrs

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  4. Mas Carlos, pelo menos ele assopra? rsrsr

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