domingo, 5 de agosto de 2012

Solidões compartilhadas: Um falso solstício no poema de João Júnior


Hoje compartilho pela segunda vez as minhas solidões poéticas com o poetamigo valenciano João Júnior. Vocalista e um dos compositores da banda de rock The Black Bullets, João Júnior nos brinda com um falso solstício, ou seja, uma falsa impressão de que estamos num tempo em que o Sol está mais afastado do equador, parecendo ficar estacionário durante alguns dias, antes de voltar a aproximar-se mais uma vez do equador. O eu lírico do poema de João Júnior nos desilude: não é o sol que está longe, somos nós que estamos distantes, estacionários da humanidade que deveríamos ter.
João Júnior me contou que este poema será a letra de uma futura canção do The Black Bullets (torçamos, amigos leitores, pela eternidade da banda, para que nossos ouvidos possam contemplar essa futura composição, pra que não estagnemos na falta de perspectiva de nossos dias. Desejemos, amigos leitores, desejemos sempre uma humanidade melhor.

UM FALSO SOLSTÍCIO NA INDOLÊNCIA DOS DIAS


o sol não está tão longe como você pensa
essa frieza que sentes vem do coração
dessas pessoas do teu lado

o sol não está tão perto como você pensa
esse calor que tu sentes vem da ira
dessas pessoas do teu lado

internos, os infernos pessoais queimam a pleno inverno
quando o tempo fecha o clima esquenta
e chove sangue e ódio em tormenta

o sol não está se pondo como você pensa
essa escuridão aqui vem da solidão
que as pessoas te deixaram

o sol não está a pino como você pensa
essa intensa claridade vem da intolerância,
tão forte que te cega

apáticos, estrábicos cupidos já não nos acertam mais
se esforçam com suas asas cansadas
consertam suas flechas quebradas

E que diferença faz
se o grito é de pavor ou de euforia?
Ou que indiferença faz
se a lágrima é de dor ou de alegria?

5 comentários:

  1. Maravilhosa essa composição! Essa potência vocal do João Júnior pelo que observo não é o seu único dom.

    Realmente a humanidade vem se transformando assustadoramente (estamos contrariando o conceito de evolução) e cada vez amando menos, como em uma estrofe ele retrata lindamente: "apáticos, estrábicos cupidos já não nos acertam mais. se esforçam com suas asas cansadas consertam suas flechas quebradas".

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  2. João foi muito feliz em suas analogias, infelizmente, aliados ao corre-corre do dia estão o egocentrismo e o egoísmo que tornam a humanidade mais fria. :/

    Bjoks

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  3. Caramba! Não resisti, não bastou optar pelo fodástico. Tenho que dar meu pitaco. Que poema maravilhoso. Aguardarei a melodia que precederá a entrada triunfal dos versos pelo tapete vermelho ou seja lá que cor vão escolher. Que tom será? o forte/gritante para nos acordar no susto ou o sussurado para nos lembrar (como o daimon de sócrates) da "humanidade que deveríamos ter" e caminhar em direção a ela? Seja qual for o tom ou o ritmo, acho que vou gostar de ouvir.

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  4. Belissima poeisa joão... belíssima mesmo.

    Rabib Jahara

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  5. MARAVILHOSO!!!leitura nenhum pouco cansativa...ela é reveladora e até um pouco melancólica.Me deixa triste mas ao mesmo tempo pensativo!!TENHO QUE LER MAIS ALGUMAS VEZES!!!
    Abraço carlos!!!Te desejo uma semana de inspiração e poesia!!

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