segunda-feira, 16 de julho de 2012

Solidões Compartilhadas: Tempo de voltar à poesia com Rabib Jahara


Hoje compartilho minhas solidões poéticas com o poetamigo valenciano Rabib Jahara. Professor de História, leitor inveterado, Rabib nos mostra aqui uma face que poucos conhecem desse múltiplo professor e escritor: o poeta, com suas paixões, angústias e uma bagagem lírica, extensa e, às vezes, até pesada de se carregar dentro de si. Afinal, Rabib sabe como é difícil suportar um lirismo querendo explodir, libertar-se, se as atribulações / encargos do nosso dia a dia nos sufocam! Sim, a arte escrita de Rabib traz esse desespero, esse desejo de desapegar-se, de ser eu lírico livre, ao mesmo tempo em que constata a necessidade de implodir-se (explodir liricamente apenas dentro de si), suportar a realidade, cumprir as tarefas, tentando não perder os sonhos poéticos que carrega. Por isso, sua poesia traz idas e voltas, um eterno partir-se inteiro, um constatar-se para um novo desconhecimento. E é numa dessas idas e voltas que se insere o poema rabibiano que posto hoje: o “Tempo de voltar” nos mostra esse encontro em desencontros, esse ter que sair do conforto do lar, ter que enfrentar o tempo, o jogo da ilusão e realidade, pra, finalmente, poder reencontrar-se.
Então, leitores, é tempo de voltarmos à poesia com Rabib Jahara. Nos reencontremos, amigos.   

Tempo de voltar

Às vezes eu rio no seu sofá
Nem percebo que a hora passou
Parece uma eternidade estar aqui com você
Parece que o tempo para. Parece que ele voou.

Nem sei porque. Acho que é ilusão
Tempo pare, por favor! Estou aqui com você

E me despeço, até mais ver
É mais um final de semana longe mim
Me encontro em caos e confusão
Só não sei por que é assim

Não sei o porquê. Nem quero saber
Tempo ande, por favor. Você já não está mais aqui.

E só espero o reencontro
Poder sorrir, poder te ver
Poder esquecer o tempo e da hora
E de todo o resto que puder esquecer.

(Rabib Jahara - 17/10/1999 - 22:55h.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário