terça-feira, 10 de julho de 2012

Solidões compartilhadas: Os poemas sem palavras de Lorraine Ferreira Restart


Sabe aqueles desenhos que, na adolescência, fazemos nos espaços vazios ou nas folhas finais dos cadernos escolares (às vezes, quando concluímos os exercícios, outras vezes, no meio de uma aula chata – neste segundo caso, hoje, como professor, me cabe censurar, afinal como a aula vai ficar interessante se continuarmos a hostilizá-la?)? É, sabe aqueles desenhos feitos com tanto esmero e fervor juvenil? Pois é, ninguém liga pra poesia contida naqueles desenhos. Por isso o blogueiro que vos fala resolveu, a partir de agora, valorizar a poesia sem palavras contida em cada um desses desenhos – a partir de agora, os desenhos da adolescência tem vez e, assim, suas solidões e incompreensões unem-se à coletividade do blog! É uma forma de resgatar muito da minha arte incompreendida por alguns professores da minha adolescência (se não fossem as professoras de Português Ieda e Selma Monteiro, mais o poeta-mestre Moacir Sacramento, o poeta que vos fala não existiria – lembrando que comecei desenhando; minha mãe guarda alguns dos meus traços tortos até hoje rs), é uma forma de sobreviver o adolescente em mim, nas minhas solidões coletivas (com pretensão que ele sobreviva nas tuas também, amigo leitor), é uma forma de não enlouquecer envelhecidamente por completo, é uma forma de reformar a forma. Por isso, aqueles desenhos não serão mais aqueles; serão esses, pois eles estão e sempre estarão aqui; sempre que se destacarem aos olhos adolescentes, sempre que trouxerem o diferencial potencial, os desenhos adolescentes serão poemas sem palavras com muito pra dizer. Lembro também que grandes artistas, como John Lennon, começaram assim (o caderno de desenhos juvenis do ex-beatle valem uma fortuna após seu falecimento!).
E recomeço essa nova solidão compartilhada do blog com os desenhos de Lorraine Ferreira, que inspiraram a introdução dessa postagem. Aluna do sétimo ano, a teresopolitana Lorraine é corinthiana e amante das artes e do rock (seja o happy rock do Restart – que eu confesso não gostar, mas gosto não se discute no momento em que compartilhamos com o coletivo plural e artístico – ou o hard rock de Guns n’ Roses). Abaixo posto dois desenhos da jovem artista: o desenho que ela fizera de um integrante da banda Restart – reparem na aliança da bandeira do Brasil com o símbolo da banda no fundo, somados à preocupação da artista com detalhes do muso inspirador (tatuagens, etc.) – e um outro, extremamente terno e romântico, com inspiração nos traços do mangá (dos quadrinhos japoneses). Boa leitura, jovens leitores e que a chama de nossos olhos nunca percam aquele ‘restart’ (em português, ‘reiniciar’, ‘recomeçar’) adolescente:  




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