sexta-feira, 8 de junho de 2012

Poema de saudade para os dias frios: De encontro ao nada

Hoje é o Dia Mundial da Saudade! Homenageio esse dia especial com um poema publicado em meu quarto livro "O último adeus (ou o primeiro pra sempre)" (2004), cuja seleção poética foi escolhida a partir do tema 'saudade', palavra única da língua portuguesa, sem tradução para outras línguas (os estrangeiros precisam formar frases imensas pra especificar um sentimento que conceituamos com apenas uma palavra). Pra ser lido ao som da canção "Em algum lugar do tempo", de Biquíni Cavadão, eis um poema de saudade para os dias frios e as madrugadas insones:

De encontro ao nada

Cavalga a madrugada... como os cavalos...
nas estradas de areia... vermelha...
A madrugada galopa em teus cabelos... como o vento...
nas folhas de outono... verdes... amareladas...
A madrugada leva o teu nome...
e o nome de quem ousar levá-la...
A madrugada te leva...
enquanto tento te acompanhar... de encontro ao nada...
mas o medo... a madrugada não leva...
Teus artifícios... aflitos... artificiais...
diante da força do vento... o tempo...
as cinzas do amanhecer... o beijo com sabor de distância...
Teus lábios estão gelados... como neve...
mas não há neve na minha cidade... outono hibernado...
O sol iluminando... tua decisão... de encontro ao nada...
Adeus... não consigo dizer... queria te dizer até mais...
ou volte sempre...
Todo adeus... é uma eterna continuação...
Saudades são reticências disfarçadas de ponto final.



Um comentário:

  1. Maravilhoso poema grande poeta
    as saudades é um cintilante sentimento
    é castelo de areia que o mar leva e deixa
    o contorno na mente,que novamente construimos
    outro castelo de areia.
    Saudades,o sentimento que atormenta
    ao mesmo tempo emociona.
    Maravilhoso poema,caro amigo

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