quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Poemas carnavalescos: Carnacarência


Hoje deixo aos leitores um poema pré-carnavalesco, publicado em meu terceiro livro “Note or note ser” (2001) e cheio daquele nosso velho sentimento moderno de todo mês de folia: a ‘carnacarência’ (Por sinal, o carnaval é uma época significativa pra minhas primeiras celebrações da carne, afinal, foi num período desses que tive minha iniciação sexual – e olha que jamais fui muito fã desse momento festivo).
Inspirado na leitura do livro “Carnaval”, de Manuel Bandeira (o seu “carnaval sem nenhuma alegria” da fase pré-modernista do poeta pernambucano), o poema que posto às vésperas da folia, foi um dos primeiros poemas meus publicado em jornais locais, escrito em 1995, numa época em que o carnaval pra mim era um período de muita agitação e angústia pelos momentos festivos acompanhando a solidão da multidão:

Carnacarência

Nesse carnaval
Eu quero com confete, muito confete.
Não me olhe assim
Como se eu fosse um chato
A vida me fez assim
Um coração mimado
Pelas carências do novo século.
Eu preciso que você me abrace
Que não me largue nesse carnaval
Mas você quer o palco
Um desfile de escola de samba
Só pra sua passarela
E não entende que só quero você
Antes que a quarta-feira de cinzas
Consuma toda a minha felicidade.

O carnaval de aparências continua na Apoteose
Enquanto a tevê encobre os blocos humanos
Que não foram convidados pra festa
E você continua
O seu desfile econômico
Oferecendo muito menos do que este sambista
Esperava de sua escola... 

Um comentário:

  1. O bom do carnaval e da carnacarencia é que sempre há reinicios.

    ResponderExcluir