terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Poemas nocivos: Parabéns, Mickey Mouse!


Hoje descobri que Mickey, a grande criação que tirou o desenhista estadunidense Walt Disney da miséria absoluta para o império milionário da Disneylândia, fez 84 anos. E assim como Walt Disney ascendeu a um dos mais altos reinados da animação, os Estados Unidos também se tornaram uma potência mundial a ser constantemente e desastrosamente imitada pelo nosso soberano Brasil. Graças a essa submissão ao império norte-americano, hoje somos considerados a sexta maior potência econômica do mundo, apesar de todas as mazelas que assolam nossa terra gentil. 
Lembrei-me também que hoje é aniversário de meu amigo Teco, que adorava cantarolar a música “I started a joke”, da banda inglesa Bee Gees (depois, regravada pela banda Faith No More), cuja tradução dos versos iniciais é mais ou menos isso: “Eu comecei uma piada / Que fez o mundo inteiro chorar / Mas eu não vi / Que a piada era sobre mim”. Descobri que a canção favorita de meu amigo fez parte da trilha sonora da novela “Beto Rockfeller” (exibida de novembro de 1968 a novembro de 1969), de Cassiano Gabus Mendes, produzida pela extinta TV Tupi (nome mais brasileiro para uma emissora impossível rs), cujo personagem principal era um charmoso representante da classe média baixa que se fazia passar por milionário para penetrar na alta sociedade paulista. 
Pensando no império da Disneylândia, em Beto Rockfeller e na grande brincadeira internacional de tratar o Brasil como um país emergente e super-desenvolvido, deixando de levar em conta os alarmantes índices de pobreza, corrupção, desigualdade social e desvalorização dos profissionais da educação de nossa infame mãe gentil, fiz uma meio paródia com a música “I started a joke”, dos Bee Gees. Eis meu poema-piada-sem-graça em descomemoração aos 84 anos do simpático e milionário camundongo estadunidense Mickey Mouse, dedicado a todos os donos do poder, que continuam irreverentes com suas podres piadas governamentais:

Saudações emergentes ao velho amigo 
podre de rico Mickey Mouse
(ou Eu fiz uma piada muito sem graça)  

Mickey, eu fiz uma brincadeira contigo
e você levou a sério,
fingiu ser meu amigo
e agora a piada sou eu.

Ah, Mickey, eu era só um fanfarrão
e você politicamente correto,
conhecedor do mundo inteiro,
entrei pra sua galera
e agora todo mundo me trata bem,
tenho tantos amigos falsos quanto você.

É, Mickey, você está envelhecendo
e perdendo a graça,
mas continuam os mesmo tapinhas nas costas,
o mesmo jeito estúpido de ser
e eu sigo seus passos;
sou tão rato quanto você.

Mickey, eu sempre fui seu amigo,
enriquecendo em seu lixo,
imitando você
e todos me acham bonito,
então escondo meus podres como você.

Sim, Mickey, eu fui brincar contigo
e caí na sua ratoeira de ambição e prazer.
Nossos falsos amigos me felicitam:
“que lindo camundongo rico fizeram de você!”

Mickey, eu fiz uma piada comigo mesmo
e todo mundo gostou, inclusive você,
sou seu novo rato emergente,
irreverente e nocivo,
desenvolvido e fingido,
podre de rico,
roendo seus queijos corrompidos
sem convencer;
a mais nova piada dos buracos estreitos
de seu podre poder!

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