quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Poemas cretinos: A pureza da indecência

Boccaccio
Bocage

Hoje o dia acordou ensolarado e mais casto, pois o dia 21 de dezembro marca a morte de grandes rebeldes da moral e do bom costume. Neste dia, faleceram Giovanni Boccaccio (1313-1375), Bocage (1765-1805), Kurt Tucholsky (1890-1935) e Nelson Rodrigues (1912-1980). 
O italiano Bocaccio é conhecido pela obra Decamerão, cujas narrativas são presenças frequentes em coletâneas de contos eróticos; Bocage foi um poeta português extremamente angustiado e, ao mesmo tempo, muito conhecido por seus ataques à sociedade nobre portuguesa, dedicando a ela diversos versos satíticos e eróticos; o alemão Tucholsky foi poeta, satirista e compositor de músicas de cabaré e o dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues, considerado subversivo por alguns, foi autor de grandes peças, como “Bonitinha, mas Ordinária”, “A Dama do Lotação”, “Beijo no Asfalto”, etc, que atentavam contra a moral da hipócrita classe média carioca e desnudava os instintos mais pervertidos do cidadão comum. 
Em homenagem póstuma a esses falecidos perturbadores da moral cínica humana, dedico o poema cretino “A Pureza da Indecência”, publicado no meu terceiro livro “Note or not ser” (2001). Para ser lido ao som de “Lágrimas de crocodilo”, de João Penca e seus Miquinhos Amestrados:   

A Pureza da Indecência

Não tenha medo... Relaxe!
Pois de você não quero nada
Apenas a sua companhia
E (quem sabe?) um bom bate-papo
(Bonita gesticulação dos lábios!)

Por que não vem conhecer meu apartamento?
Não tenha medo... Relaxe!
Pois de você não quero nada
Apenas mostrar-lhe um lugar mais confortável
Pra gente (quem sabe?) conversar...

Posso tocar no seu queixo?
Não tenha medo... Relaxe!
Pois de você não quero nada
Apenas observar um ângulo novo
Do seu rosto...

Posso descer a alça do seu vestido?
Não tenha medo... Relaxe!
Pois de você não quero nada
Apenas saber se foi à praia
(Desculpe... a mão escorregou!)

Posso tocar o seu corpo?
Não tenha medo... Relaxe!
Pois de você não quero nada
Apenas sentir sua vibração
(È que sou meio espírita, sabe?)

Posso tirar sua roupa?
Não tenha medo... Relaxe!
Pois de você não quero nada
Apenas livrá-la dessas vibrações negativas
(Já lhe disse que também sou ginecologista?)

Oh! Mas... por favor! Não me leve a mal!
De você não quero nada...
(Onde está a maldita caixa de preservativos?)
Por favor, não tenha medo...
(Achei!)
Relaxe!
Não vai doer nada
(Ou melhor... quase nada!)

Um comentário:

  1. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Ah que eu lírico ordinário e de multiplas personalidades, consegui identificar, possivelmente, 7 personalidades: o eu lírico solitário, o solícito anfitrião (quer sempre nos por a vontade, no melhor cômodo), o pintor (adora nos observar para pintar o sete), o dermatologista (toca, nesse particular, toda a área de nossa pele), o médium (quer possuir nossos corpos) e finalmente o ginecologista (esse quer adentrar nossos corpos e averiguar até onde os músculos suportam os estímulos, depois deliberará se se são proveitosos ou não).

    PS: LEMBREI AINDA DE NOSSOS QUERIDÍSSIMOS GREGÓRIO DE MATOS (O BOCA DO INFERNO) E O DRAMATURGO, PLÍNIO MARCOS, COM SUA OBRA BIZARRA "O ANÃO DO CARALHO GRANDE", ENTRE OUTRAS PÉROLAS QUE FICAM ESCONDIDAS PORQUE AFETAM A MORAL E OS BONS COSTUMES DA NOSSA IDIOTA SOCIEDADE QUE REPROVA PELA FRENTE E ADERE POR TRÁS.

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