segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Poema apático: A alma de nossas faltas


Hoje acordei muito gripado, efeito de uma semana corrida e de uma certa apatia diante dos movimentos da rotina. Fim de campeonato brasileiro, corinthianos comemoram o títulos, outros comemoram vagas em Libertadores, Sul Americanas e continuação da primeira divisão; outros choram chances perdidas ou rebaixamentos para a segunda divisão.Sejam campeões ou derrotados, todos seguem a sua repetitiva caminhada: rumo ao trabalho, rumo ao fim de mais um ano, rumo ao de sempre buscando sabores diferentes. Mais um ministro do governo Dilma cai (já virou rotina também), o Egito luta por um país realmente democrático (e amanhã outro país lutará pelo mesmo fato, enquanto os países democráticos estudam novas leis pra coibirem a liberdade total de seu eleitorado, até todos percebermos – ou nos mantermos alienados – o fato de que nunca existiu um regime realmente democrático), a doença se apossa de meu corpo, meu lirismo está gripado e, com o nariz entupido, é quase impossível respirar novos ares, novos poemas, novas esperanças; lamento a má vontade, leitores, mas hoje é segunda-feira, o céu está nublado e nenhum vento refresca minha cabeça. Diante disso, posto um poema, publicado no meu quarto livro “O último adeus (ou o primeiro pra sempre)” (2004) sobre nossa eterna insatisfação enquanto nossos corpos trafegam os dias da semana num eterno delírio para o mesmo lugar:

A alma de nossas faltas

Todos saem para as ruas
É sábado!
E a guerra começa
Enquanto o divertimento torna-se
A alma de nossas faltas.
(A cidade não para)

Todos enlouquecem
É domingo.
Mas a guerra continua
Enquanto o tempo torna-se
A alma de nossas faltas.
(A cidade de ressaca)

Todos torturados
É segunda-feira...
E a guerra adormece
Enquanto o falso enriquecimento torna-se
A alma de nossas faltas.
(A cidade trabalha) 

Um comentário:

  1. Adorei essa má vontade: "meu lirismo está gripado e, com o nariz entupido,".rsssss

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