domingo, 4 de dezembro de 2011

60 segundos para a glória extrema ou a vergonhosa derrota


Hoje é o dia mais tenso do Campeonato Brasileiro 2011. Únicos com chances de título nessa última rodada do Brasileirão, Vasco e Corinthians precisam superar seus respectivos arquirrivais Flamengo e Palmeiras. Do lado de baixo da tabela, Atlético Paranaense e Cruzeiro precisam também superar os seus respectivos maiores rivais Coritiba e Atlético Mineiro (ambos com memórias recentes do rebaixamento e da impertinente zoação da torcida adversária diante do triste episódio) para permanecerem na difícil 1.ª divisão do campeonato. 
Jogos eletrizantes, nervos à flor da pele, sempre tensos, afinal, num jogo decisivo de 90 minutos, os times podem colocar todo seu planejamento anual a perder ou a ganhar. É assim no futebol, é assim na vida, é assim em qualquer busca de conquista – 1 minuto, 60 segundos podem ser tudo ou nada.
Essa constatação acabou me recordando de aventuras e desventuras de minha adolescência: o ato de, ainda tão inexperiente (segundo o radical e polêmico escritor Nelson Rodrigues, quando somos jovens, mal sabemos falar), se aproximar da pessoa amada (o famoso chegar) e conseguir ou não a almejada conquista amorosa. Nesse quesito, minha adolescência foi desastrosa: fui campeão em levar foras (tocos) e provei - muito mais do que eu esperava - o azedo gosto do som da palavra “não”.  
Inspirado nos 60 segundos que definem um campeonato inteiro, que podem resultar ou na extrema felicidade da vitória ou na mais depressiva vergonha da derrota, pensando em toda tensão que o tempo decisivo nos traz, pra ganhar ou pra perder, aí vai meu poema, premiado em primeiro lugar no II Concurso Internacional de Poesia Contemporânea de Santos/SP (o poema , pelo menos, foi glorioso rs):

60”

Um segundo e uma segunda intenção persegue minha mente dois segundos e o desejo já contamina meu corpo três segundos e o mundo desaparece quando me oferto pra ti quatro segundos e te levo pro quarto cinco segundos e ainda estamos aqui seis segundos e me percebo delirando há dois segundos atrás sete oito nove dez segundos e me mantenho sereno onze doze treze segundos e uma palavra ameaça o silêncio quatorze quinze dezesseis segundos e tua voz alcança meus ouvidos dezessete dezoito dezenove vinte segundos e tua negação parece uma cena de cinema vinte e um vinte e dois vinte e três segundos em câmera lenta vinte e quatro vinte e cinco o quarto vazio vinte e seis vinte e sete vinte e oito adeus delírios...vinte e nove trinta o tempo não pára (trinta e um trinta e dois trinta e três trinta e quatro trinta e cinco trinta e seis) pra meu desconserto trinta e sete trinta e oito trinta e nove e não sei por que não procuro outro lugar motivo palavra quarenta quarenta e eu um segundos quarenta e sem nós dois segundos quarenta e três passos pra trás quarenta e quatro quarenta e cinco quarenta e seis me desculpa eu só queria tentar quarenta e sete e não cedes quarenta e oito quarenta e nove cinqüenta e estás longe cinqüenta e eu sempre um segundos cinqüenta e sempre sem nós dois segundos cinqüenta e três é demais cinqüenta e quatro cinqüenta e cinco e desapareces cinqüenta e seis cinqüenta e sete e sinto muito cinqüenta e oito cinqüenta e noves fora o mundo nas minhas costas nos meus segundos meu coração part
indo em sessenta segundos completos

Se tu soubesses quantas emoções se passam num minuto que me rejeitas...  

2 comentários:

  1. Eu adoooooorooooooooooo esse poema!

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  2. Muito bom. Bem para teu consolo, segundo Freud, esses "não"s ajudam o adolescente falicizar-se.

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