sábado, 8 de outubro de 2011

Poemas noturnos: Serenata alucinada

Mais uma noite de sábado que se aproxima... O poema abaixo "Serenata alucinada", selecionado como finalista em concurso literário da Revista Il Convivio (Sicilia-Itália) e publicado no meu quarto livro "Eu e outras províncias" (2008), é dedicado a todos os fã-náticos boêmios e soturnos da verdadeira noite:



Serenata alucinada

A noite... Ah! A Noite - Bela e Sensata.
A noite dos poetas: por eles sempre cantada
Em versos bêbados de sangue, álcool e amor.
A noite aceita as estrofes,
Os espaços aflitos,
As metáforas nervosas,
Os eufemismos famintos de abrigo e calor.
A noite acomoda a febre do criador,
Pois é musa vadia e carinhosa;
A noite é mãe sem pudor.
Mas não procures loucuras na noite.
Os alucinados somos nós,
Os desejos somos nós,
As ilusões somos nós;
Quem Prometeu as chamas fomos nós,
Quem colocou São Jorge na lua com os dragões fomos nós.
A noite é crua – escura e fria.
Se duvidas, pergunta ao mendigo que dorme nela:
Ele te dirá que o fogo e a febre vêm da cachaça que bebe,
E não da noite que o abraça,
Porque a noite não abraça,
Não te abraça, adoradora das sombras.
Ela apenas te aceita como aceita qualquer um.
O que te abraça é essa noite estranha e inesperada,
Essa nebulosa poética que temos em comum;
É essa serenata selvagem de mitos urbanos, 
Essa canção cheia de harmonia e distorção:
Melodias que fecham teus olhos,
Que abrem tua boca,
Que penetram em teu corpo bem devagar...
A noite... Bah! A Noite noite é nada
Comparada à noite que levas pra cama,
A noite que trazes insana dentro de ti;
A noite que eu quero encontrar,
A noite que eu quero possuir.



Um comentário:

  1. "A noite que trazes insana dentro de ti" é aquela noite pela qual uivo, uivo sem parar, sem parar, sem parar de doer dentro de mim; é essa noite que há noites escurece dentro de mim... Maravilhoso poema. A noite é o tempo dos poetas. E das almas selvagens...

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