sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Meus poemas femininos: Lugar de mulher


O texto inédito escrito nesta manhã é em homenagem a um evento musical interessante, no qual pretendo estar hoje à noite, e cujo nome me chamou a atenção: “Lugar de mulher é... no vocal”. Lembrando de tantas e tantas cantoras (Rita Lee, Jane Duboc – quem não conhece a participação roqueira dessa cantora na banda Bacamarte não sabe o que é música de verdade -, Elis Regina, Pitty, etc) que venceram as barreiras do machismo no universo retrógrado de nosso mercado musical e hoje brilham nos palcos do mundo artístico, “desfazendo amélias” e cantando “todas as mulheres do mundo”, contra o “arrastão” do preconceito, fiz esse poema-rabisco-de-canção-sem-melodia, usando (ou melhor, sendo usado por) um eu lírico feminino que desfaz a ideia idiota de que lugar de mulher é na cozinha, pilotando fogão. Não há lugares exatos nem pra homens, nem pra mulheres; não somos objetos pra sermos designados pra ambientes estáticos. Nosso lugar é o mundo, em constante reciprocidade de ações e reações. Espero que gostem:   

Lugar de mulher

Ah, garoto tolo, me confinas no fogão
Tentas conter meu fogo na tua cozinha de ilusão
E não percebes o calor de minha boca escancarada
Quando o preconceito requentado de tuas palavras
Recebe a fúria velada do meu não.

Não, homem negação, eu canto a minha afirmação
Contra o palpite infeliz da tua antiquada opinião
Não me leves a mal, mas lugar de mulher é no vocal
Contra a estupidez sem fim do teu sexo desigual
Sim, garoto ruim, eu canto a mulher em mim
À procura do homem que ainda não existe em ti
Assim entendes o teu mal: o meu lugar é no vocal
À procura de alguém melhor pra mim,
À procura de alguém menos banal...

Hey, garoto bobo, teu machismo está na mesa
Fatiei os teus instintos e te ofereço a solidão de sobremesa
Alimenta-te com teus amigos na tua frágil fortaleza
Cantarei, enquanto isso, pras minhas amigas, pra lua cheia,
Os meus verdadeiros encantos, a minha real beleza.

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