quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Poema valenciano: "Amor e Arte, Arte-Ofício"


Apesar de barrado das festividades do aniversário de Valença (amanhã a cidade que eu amo fará 188 anos), mantenho minhas homenagens a minha principal musa inspiradora.
Posto hoje o poema “Amor e Arte, Arte-Ofício”, escrito em homenagem a dois grandes grupos teatrais de Valença e publicado em meu quinto e mais valenciano livro “Eu e outras Províncias”:

Amor e Arte, Arte-Ofício
           
Não venho aqui pra mentir
Apenas pra dizer a verdade de outra forma
uma reforma, meu trabalho é combater o ouvido dogmático
da real-idade das Divinas Mentiras
d’antes, Dantes de sobrenomes sem lirismo
Os versos beatos desta minha cidade
ainda rimam com a aristocracia do café
fé na tradição, no moinho emperrado
no silêncio triste dos ex-escravos
Eu venho recontar a história através da vitória dos derrotados
mostrar as costas marcadas que resistiram às suas chibatadas
desconcertar as engrenagens de sua máquina falida
Venho ressuscitar a crise do café
e ascender a manifestação dos oprimidos
Meu coração é negro, democrático, coroado
vermelho, moleque, maluco, faceiro
Não quero ser dono da verdade
apenas torná-la domínio público
nos lábios dos mestres amadores
dos amantes populares
- Que cada um leve sua verdade pra casa
sem precisar escondê-la debaixo do travesseiro
Venho trazer o mudo ao palco do mundo
nos teatros de pequenas rosas
(a vida é bela e cheia de espinhos)
Trazer o mundo pras ruas, as ruas pro mundo
surpreendendo o distraído, distraindo o atento
com um atentado de emoções novas
Renovar a rotina monótona
mostrar que além do dó, existe o só, o sol, o sei lá
sem ré - é preciso seguir em frente
Não sou músico, mas busco ritmo
Este é meu amor, minha arte, meu ofício
Não venho aqui pra fingir
apenas pra representar uma realidade
que vale a crença
Valença a pena
a-
creditar!

2 comentários:

  1. Que lindo, "vale a pena acreditar", rsrs, tb acho... Eu, no meu romantismo, fiz um poeminha pra Valença tb, uma declaração de amor de um amante solitário e às vezes covarde rsrsr, a luta às vezes é tímida, mas não deve deixar de existir, não devemos desistir... Abraço.

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  2. Li o seu poema, Elayne, muito, muito bom. Compartilhamos o mesmo amor nem sempre correspondido rs A Valença que criamos artisticamente nem sempre é compreendida pela Valença real, que ás vezes nos sufoca...

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