domingo, 11 de setembro de 2011

Poema nas trincheiras: Quando eu voltar


Hoje faz 10 anos desde os atentados de 11 de setembro, uma série de ataques suicidas coordenados pela Al-Qaeda aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. Na manhã daquele dia, 19 terroristas da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais a jato de passageiros, destruíram as Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova Iorque, além de outros prédios e regiões estadunidenses, e deixaram um triste total de 2.996 pessoas mortas pelos ataques. Tal atentado terrorista foi respondido pelos Estados Unidos, então governado pelo impopular presidente George W. Bush, com mais violência. O governo estadunidense criou um contra-ataque violento e sanguinário com o famigerado nome de “Guerra ao Terror”, com um número incalculável de vítimas no Afeganistão e no Iraque (como ambos os países continuam em conflito, sabe-se apenas que o índice de mortos já é o triplo ou o quádruplo do número de mortos no 11 de setembro). 
O 11 de setembro permanece nas memórias de ódio estadunidenses e perpetua a guerra e incompreensão entre países distintos e inimigos da diversidade religiosa e cultural. A inútil política do “quem com ferro fere com ferro será ferido” continua matando pessoas inocentes enquanto a bandeira branca da paz arde em chamas e desmorona aos nossos olhos de forma tão visível e aterradora quanto as Torres Gêmeas do World Trade Center. O poema “Quando eu voltar” (curiosidade: o título anterior desse texto era "Jesus na cruz"), publicado em meu primeiro livro “Fim do fim do mundo” (1997 – primeira edição esgotada), produzido no triste período das guerras civis no continente africano, da eterna e rotineira guerra do homem contra seu próximo e inspirada nas lembranças de tantas outras que explodiram meus olhos infantis (Guerra do Golfo, Guerra da Bósnia, etc) , é um pedido de paz, infelizmente ainda urgente, depois de 14 anos de sua publicação...

Quando eu Voltar


Quando eu voltar
Vou mandar uma carta
Ao amigo passarinho
Que tem um cérebro pequenino
Mas tem uma imaginação fértil
Que o faz voar.

Quando eu voltar
Vou jogar flores
Nos moinhos de vento
Pra, nos lares vizinhos,
Se espalharem como onda sonora
Embaralhando os negócios
Dos frios negociantes
E purificando o ar de desejo
Dos amigos amantes.

Quando eu voltar
Vou mostrar o meu sofrimento
Diante da guerra
E todos verão meu amadurecimento
Chamando vocês de senhores
Dando nomes aos bois
Rezando para todos aprenderem
A moral da história
Como eu aprendi.

- Quando eu voltar
Vou querer meu sorriso de volta.

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