terça-feira, 20 de setembro de 2011

Clipoema: "Anjo Caído"

Descubro, pelo @RockAnos80 que sigo no Twitter, que no dia 20/09/1996 foi lançado o último álbum da Legião Urbana com o Renato Russo ainda vivo, o excelente e melancólico CD "A Tempestade ou O Livro dos Dias". Coincidentemente ou inconscientemente (não sabia da proximidade da data) ontem postei no youtube a minha versão minimalista-expressionista-experimental-abstrata do poema "Anjo caído", publicado em "O último adeus (ou O primeiro pra sempre)", de Carlos Brunno S. Barbosa. 
Produzido para esses novos tempos de assassinatos sem motivos e grandes crises sociais, emocionais e existenciais, uma revisitação a um poema extremamente inspirado na canção "O livro dos dias", de Legião Urbana, composição do anjo caído Renato Russo. Abaixo o poema, em sua versão original, como foi lida (retomei alguns versos dos originais que havia erroneamente alterado no poema publicado em livro). Em comemoração póstuma, posto aqui também o vídeo e o poema (Urbana Legio Omnia Vincit, mesmo na derrota da morte, ela é imortal):
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Anjo caído

Em algum planeta distante passeei durante meu sono
e respirei emoções que no meu mundo fugiam de mim
boca beijo desejo -- há séculos não percebia estas palavras
em meu dicionário desatualizado vocabulário ruim
mas o paraíso dos meus sonhos não é meu lar...
Sou anjo caído -- tenho obrigação de me levantar
no mundo dos homens dignos traficantes de imperfeição.
Se na ilusão existem grandes esperanças,
nesta terra a única palavra que ouço é não
e a mulher do meu paraíso transforma-se
em minha exata oposição...
Entre depressões e homicídios
me recordo de meus sonhos passados não realizados
distanciados agredindo meu sorriso
violado pelas armadilhas diárias
enquanto meu coração bate devagar
sem sentido sem sentir
o carinho de uma emoção completa concreta.
Amor é substantivo abstrato porque não me toca
e a vida existe porque consigo respirar
a fumaça dos carros do cigarro em meus lábios.
Sou descendente de Ícaro
- minhas asas caíram nos vícios terrestres
e meu corpo não sabe como voltar pro céu infinito... E-
terna em mim somente a fagulha de tristeza
que aos poucos perfura meu cão coração
e a raiva aventura-se por meu corpo: estou doente
carente de um remédio que não está nas farmácias
muito menos em tuas pequenas frases
cujas palavras só agravam minha enfermidade
neste mundo de pés-no-chão.
Aguardo que as ondas tragam de volta minha me-
tade, mas tu és a dona do mar e do mas.
Sem vontade minhas asas permanecem
mergulhadas na solidão destas águas salgadas
e sem asas eu sou nada
nada de mas, nada mais que um anjo caído
procurando na terra
sentimentos que só o céu me traz.

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