segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Crônicas à sombra da revolta: Desfazendo provérbios populares


“O sol nasce para todos”, diz-nos um provérbio brasileiro. A frase, reflexo do otimismo ufanista expresso em todo sorriso parvo brasileiro, oculta com sua ilusória luz os homens insensíveis ao sol, os mortos e os descaminhos de nossa carnavalização utópica.
Mais uma vez, o sol nasce para todos os cidadãos de Teresópolis, menos para as almas corruptas que se escondem à sombra de seguranças, janelas fechadas e um histórico de fraudes e má administração, menos para o homem que adormeceu com um governo novo e não acordou de seus próprios sonhos, menos para a planta de esperança que busca um solo melhor, afastado das sombras, mas que não pode se locomover sozinha.
Nesta segunda-feira, a cidade serrana amanheceu com a ressaca dos últimos acontecimentos: afastamento de prefeito suspeito de corrupção, morte do novo prefeito que assumiu, luto da educação, luto da saúde, luto de serviços básicos para a dignidade humana. Enquanto isso, o sol nasceu mais uma vez indiferente ao caos serrano, iluminando a todos com seu desdém. E os raios de sol tocam o barro seco das ruas ainda enlameadas pelas trágicas chuvas de janeiro. E os raios de sol queimam o trabalhador que espera o ônibus para Providência que não vem. E os raios de sol queimarão mais ainda esse trabalhador, pois a Viação Dedo de Deus, ‘sempre preocupada com o bem estar dos seus usuários’ decidiu suspender mais uma linha de ônibus a partir do início de agosto. E os raios de sol queimam os lábios que soletram uma esperança perdida em outras manhãs.
O sol nasce para todos, mas queima muitos e bronzeia poucos. Me desculpem o pessimismo, leitores, mas, hoje, diante desse sol rindo impassível para mim, guardo minhas lágrimas ressecadas na sombra acolhedora da revolta e declaro: o otimismo está de luto!
Cuidem dele, antes que o sol termine de torrá-lo...

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