domingo, 24 de julho de 2011

Inverno Íntimo


Um poema em homenagem à atraente e melancólica estação atual: o inverno. "Inverno Íntimo", poema inédito em livros solos, vencedor do III Concurso de Poesias do Grêmio Barramansense de Letras:

Inverno Íntimo


Entra, Senhor Inverno!
Bem-vindo ao meu iglu eterno!
Comemoremos os ventos intensos
do teu tempo, de nosso sereno momento.
Guardei tua taça gelada
No freezer de minhas emoções pálidas.
Oferto-te como aperitivos Engels, Marx, Che Guevara
e outras carnes abatidas, outras utopias acabadas
que mantive aqui à tua espera no meu congelador.
Enquanto nos revemos, o outono morto
leva as folhas caídas,
leva as esperanças perdidas
e leva minha vida, leva minha vida...

Tim-tim! Um brinde pra dor, meu Frio Senhor.

Não comemoremos a tua chegada, Inverno Íntimo,
pois nunca partiste.
Há em mim uma neve que insiste,
resiste – ah! neve insolente!
Talvez seja uma lágrima de sonho congelada,
um gelo ardente que não se apaga jamais.
Sim, Frígido Camarada,
existe um frio em mim que sempre te abraça,
uma Primavera negada que só ameaça
como flor que não desabrocha,
que já amanhece morta...
Já amanhece... Aurora Desolada...

Tim-tim! Um porre pra eternidade, Gelada Infelicidade!

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