domingo, 24 de julho de 2011

Cena de Cinema: Olhares sobre a sétima arte

(E) ternas “Canções de Amor”

     As canções de amor têm ritmo de coração batendo apressado, desesperado. Canções de amor são enganosamente apáticas pela melancólica e complicada matemática de, sendo únicos, tentarmos ser mais que um só. Canções de amor são pegajosas, nos pegam cantando refrões melosos no meio da rua, alheios aos movimentos das grandes e pequenas cidades. Canções de amor trazem o lirismo piegas e angustiado da eterna busca por um sonho ininteligível, um eu perdido em busca de outros eus solidários à solidão. São todas essas (con) tradições das músicas de amor que o diretor francês Christophe Honoré nos traz em seu quinto filme "As Canções de Amor" (Les Chansons d'Amour).
Dividido em três atos - a partida, a ausência e o recomeço -, "As Canções de Amor" (2007) começa por se centrar num triângulo amoroso que é destruído pela súbita morte de um dos jovens que o constitui. O filme segue depois as reações dos outros dois, em especial as de Ismael (Louis Garrel), que ao tentar reconstruir a sua vida inicia vários relacionamentos sem superar, no entanto, a tragédia recente. Interessante destacar que esse enredo é entremeado de belíssimas canções (como o próprio título nos informa, o filme fala de “Canções de Amor”), criando um ótimo musical, gênero cinematográfico incomum para nossos olhos (e ouvidos) desacostumados a leituras requintadamente líricas em uma narrativa comum de amor. Sim, o filme é um musical, mas não se deixe enganar, caro leitor, não ironize o gênero – vulgarmente considerado chato, esquisito, entre outros negativos adjetivos -, pois o tom do filme é poético e sério, como aquelas canções de amor que perseguem nossa mente e nos fazem soluçar, rir, vibrar por dentro e principalmente nos gera aquela vontade desesperada de buscar a pessoa amada, que está próxima e, ao mesmo tempo, tão longe de nós mesmos.
O filme de Honoré nos traz todos os aspectos do amor (o encontro, a perda, o reencontro) em todas as suas formas e estados: o amor familiar, o amor sexual, o amor fetichista, o amor obsessivo, o amor grupal (mais especificamente um ménage a tróis), o amor inconstante o amor heterossexual, o amor piegas, o amor lírico, o amor homossexual – de colocar o apático norte-americano “Segredo de Brokeback Mountain no chinelo, o amor cinéfilo – a partir das referências a cenas de outros filmes, de cineastas como Godard e Truffaut, enfim, o amor Amor, em seu estado puro e lírico. Selecionado em Cannes, o filme “As Canções de Amor” comprova, em luz, câmera, música, ritmo e paixão, que o festival francês de filmes mais uma vez não errou, pois Honoré recoloca, nas telas de cinema, o sentimento maior do ser humano em seu devido papel: o de protagonista. Um filme pra ser visto e, principalmente, ouvido.

Densos Diálogos

“Então queima!
Queima no momento em que se envolve na minha grande cama de gelo
A minha cama como um bloco de gelo que derrete quando você me entrelaça
E mais nada é triste
E mais nada é grave
Se tenho...
O teu corpo como uma torrente de lava
A minha memória suja neste rio de lama
Lava!”
(Tradução de fragmento da canção ‘Ma Mémoire Sale”, cantada por Ismael - quando este reencontra o amor com  Erwann)

3 comentários:

  1. Filme mais perfeito da face da Terra!!! uhauhaua Hipérboles a parte, eu amo demais. Eu comentei isso sobre ele no meu orkut, veja se vc concorda:"Uma canção em três atos: partida, ausência e regresso. Um dos melhores filmes que já vi. Ninguém deveria morrer sem vê-lo!!! Sem palavras para dizer o quanto é bom esse filme, cada diálogo-canções (pedaço de uma canção da vida do protagonista) é um poema.

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    Abraços da Equipe.


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